A palavra trava.

Bobgib enters the chat.

Eu não quero falar do admirável mundo novo. Porque as chagas do velho me doem demais. Tem dias assim: baixa uma consciência temporã. Pesa o peito, falta de escape capa.

“Esse é o palco da história que por mim será contada: um homem na estrada.”

É de outra teia que eu queria falar. Uma teia feia, insidiosa, densa, exponencial. E não posso, não quero e não devo tentar traçar qualquer paralelo. Mas…

“Equilibrado num barranco incômodo, mal acabado e sujo, porém seu único lar, seu bem e seu refúgio, um cheiro horrível de esgoto no quintal, por cima ou por baixo, se chover será fatal.”

Mas eu vi a periferia em putrefação na telinha da mídia morta domingo à noite. Trens de subúrbio indo para o abate final. Uma entrevista apavorante lá do açougue. E uma tomada não me sai da cabeça: filmagem aérea do comboio, desalmados no zinco urrando, paus na mão, o trem que passa rápido e um close fugidio do corpo atropelado de uma criança esticado entre os morrões. Um repente cru, quase acidental na cena do crime.

O crime que estamos cometendo do alto de nossa confortável conivência, contra uma humanidade sem perspectiva.

“Muitos morrerem sim, sonhando alto assim, me digam quem é feliz, quem não se desespera, vendo nascer seu filho no berço da miséria.”

E eu vi ainda, uma mãe chorando porque tem de deixar seu filho de um ano trancado em casa porque tem que trabalhar, porque não tem com quem deixá-la, porque não tem opção, porque não tem lugar na creche, porque ninguém liga para ela, porque ainda lhe restam lágrimas.
As lágrimas que não derramamos do alto de nossa cínica complacência sobre uma humanidade agonizante.

“Um lugar onde só tinham como atração o bar, e o candomblé pra se tomar a benção”

E eu vi também, um hospital transformado em pátio do desespero. Doentes, bêbados, acidentados vagando no horror. Médicos equilibristas, recursos trôpegos, higiene de campo de batalha, uma burocracia sem pena.
Pena que sentimos do alto de nossa frágil fortaleza mas que avilta uma humanidade desalmada.

Esta teia mora ao lado. A teia do abandono que se arrasta e parece que não tem fim.
E muito global também esta teia. Está aqui mas também está lá na Somália, no Egito, no Vietnã, no Sri Lanka. E interativa esta teia. Faz aqui e reflete lá. Mexeu na taxa de juros, exponencia a pobreza. E de outra forma anárquica esta teia. Ninguém sabe porque ela cresce mas ela germina em qualquer solo, enraiza e se alastra.
Que é isso Fernand, sua teia é um rosário de pessimismo?! Perdoem o assunto off topic. Mas eu não podia falar de site, de browsers, de produtoras, agências, internautas, billgates, surf, virtualidades, hits e bits. Somos todos entusiastas do virtual. Acreditamos nas transformações profundas que esta onda está e vai provocar na vida das pessoas. Sonhamos com as soluções de base que estão aparecendo. Discutimos sem fim a maneira correta de proceder. Brigamos por uma utilização inteligente do formidável potencial que temos entre as mãos. Sabemos que o processo é irreversível, inapelável.

“Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim. Quero que o meu filho nem se lembre daqui, tenha uma vida segura, não quero que ele cresça com um oitão na cintura e uma pt na cabeça.”

Mas hoje não dava. Quisera eu que fosse virtual aquela outra teia!

Bobgib has left the chat.

Participação especial de Bob Gebara como Mano Brown.
Trilha sonora: Racionais MC’s

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