Monthly Archives: April 2001

Internet: a briografia da imprensa.

Tenho ficado muito puto com a cobertura que uma certa imprensa faz da agora mal fadada nova economia.

Para aqueles que acham que vivem, rezam e comungam pela Internet desde criancinhas, até se esquecem que ainda era ontem e a Web ocupava uma coluninha obscura de certas revistas de tecnologia.

Daí, virou meio cult falar do assunto. Ele pipocou calmamente aqui e ali, nichadinho no material de leitura obrigatório de qualquer digerati, de qualquer moderno.

A grande imprensa, aquela de fácil digestão escrita por jornalistas fanáticos por suas jurássicas máquinas de escrever, não encontrava na Internet qualquer interesse. Até que de repente ouviram falar daquela mocinha que foi enganada por um sujeito tarado atrás de um computador. Opa, isso é legal. O povo gosta. E a Internet virou instantaneamente o hit das páginas policiais. Sites neozistas e de pedofilia que viviam no mais absoluto anonimato, vomitando suas obscenidades para meia dúzia de abjetos seres ganharam notoriedade. A Internet era o inimigo público número e uma onda de neo-ludistas ressurgiram das cinzas.

De repente, não se sabe ainda por qual conjuntura diabólica, o povo da grana passou a se interessar por essa possível fronteira. Talvez apenas e simplesmente porque sobrava demais. Então cagaram grana na cabeça daqueles pobre coitados que estavam começando, por convicção e paixão, uma atividade na grande rede. Dinheiro pacas. Um monturo. Instantaneamente, Internet virou assunto das páginas de economia e finanças até atingir as primeiras páginas dos jornais. Só se falava nisso e ficamos com o saco na lua de tanta espuma. Um horror.

E como não poderia deixar de ser, depois do inconsciente porre, vem a ressaca. Dor de cabeça, dor na alma. A grana ficou curta, curtíssima, sumiu. Quebradeira, demissões, etc e tal. Pronto, da primeira página diretamente para a de Falências e Concordatas. É óbvio que por conta de uma diabólica reciprocidade, o espaço tinha que ser proporcional ao anteriormente ocupado. Saco, de novo.

Mas o que resta de tudo isso? O que restará daqui a 10, 20, 30 anos? O mesmo que aquele famoso e disputado bal masqué que a Imperatriz Leopoldina deu no Palácio em mil oitocentos e bolinha e que foi noticiado com fervor quase religioso pela imprensa. Vocês não lembram? Nem eu. Não tem a menor importância nem relevância. Tudo faits divers. Conteúdo efêmero, supérfluo, pra encher linguiça.

Fico então me perguntando, e agora, o que vai acontecer? Pra onde mais uma vez irá migrar o assunto Internet e que tais? Muitos desejam raivosamente um expresso da página de Falências e concordatas diretamente para o obituário. Tragédia vende papel.

Mas nada disso importa muito não é mesmo? Faça uma análise consciente, clara, fria, lúcida. A Internet é ou não é do caraio? É sim. Isto sim é que importa.

O resto são palavras impressas no embrulho do cocô do meu cachorro.

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O irresistível apelo da transgressão.

Vocês lembram daquele filme “The Net” com a Sandra Bulock? Pois eu sim. Não me recordo ao certo o enredo mas pouco importa. Só sei que ao clicar em um íconezinho Pi, a Sandrock entrava em um universo paralelo, um ciberespaço povoado de seres mafiosos, cheios de segregos e mistérios terríveis. Demais. Algo entre Gibson e Matrix mas com o tempero irresistível da loiraça. Uma delícia.

Pois um dia navegando por aí, dei de cara com o site de um ilustrador qualquer. Meio sem entusiasmo, deslizava pelo trabalho do sujeito em questão quando de repente, o que vejo no canto da tela? Um íconezinho igual ao do filme. Sorri e cliquei. De repente, chuá, milhares de números deslizaram pela tela rapidamente, pronto, lá estava eu entrando no ciberespaço. Sandrockinha, cadê você? Que nada. Era o site de um estudante de matemática de uma universidade americana e ali estava sendo calculado, em real time o número mágico. Dei uma gargalhada amarela.

Mandei imediatamente este link para um amigo, sem maiores explicações. Pois não é que o homem pirou? Me ligou sem fôlego trazendo as mais extraordinárias teorias de conspiração cibernéticas. Ele de costume tão sisudo e cético, surtou com a coisa. Ainda estou rindo com a reação do cara.

A Internet tem dessas coisas. O melhor, o homem tem dessas coisas. È lindo isso. Nossa compulsão a paquerar o clandestino, o proibido, o soturno, o ilegal, o inafiançavel, o inconfessável apelo pela transgressão. Na Web isso é melhor, mais divertido e muito mas muito menos comprometedor. Ali a gente curte the dark side sem censura, sem moral. As vezes precisamos disso, não é memo? E é tão inofensivo!

Por isso, adoro sites clandestinos, obscuros, assustadores. E não me venham estragar tudo dizendo que são mentirosos ou falsos. Não vou acreditar. Enquanto eu estiver navegando ali, vou achar que é real e me esbaldar.

Querem ver a minha mais nova descoberta? Então corram e visitem http://www.cadaverinc.com/. O nome é sugestivo e muito, mas muito divertido. E cuidado, funciona!

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