Ass shield

O que é determinante numa relação agência/anunciante? Será a criatividade? Será a mídia? Será o atendimento? O planejamento? As incursões fora da caixa? As pirações consultivas? A integração das disciplinas, as jujubas e os biscoito de povilho nas reuniões? Ou os intermináveis e anti-diluvianos almoços?

Nada disso. O que é determinante é precisamente a relação. Ou se preferirem, o contrato, o laço na doença e na saúde, na pobreza e na riqueza, até que o divórcio nos separe.

Mesmo que não haja nenhum acordo que garanta uma virtual sociedade, ainda assim, uma agência é – e deve ser, por definição, solidária com os interesses das marcas com as quais trabalha.

Esse é o cimento que nos une.

No entanto, muitos são os outros possíveis contratos entre anunciantes e seus parceiros. Por exemplo a grandiloqüente, vistosa, custosa e como decisiva relação com institutos de pesquisa.

Não é de ontem que esse importante elo que conecta – ou deveria conectar – a realidade do consumidor com a do anunciante e por conseqüente da agência, ganha importâncias estratégicas crescentes, por vezes dogmáticas, transcendentais, onipresentes e potentes.

“Pesquisa, tu é pedra e sobre essa pedra edificarei minha marca”.

A pesquisa briefa e debriefa, a pesquisa conceitua, testa, pré-testa, pos-testa. Recomenda e descarta.

Água benta sagrada e espada inclemente.

E depois de ungir as decisões, cai fora, pica a mula, vira as costas e parte para outros sacramentos.

Enquanto isso, o anunciante e a agência se viram com a sopa de números, as frases de efeito, as verbalizações, as normas. Ajoelham-se no milho e pagam penitência. Afinal, somos solidários. Sofremos e ganhamos juntos. Essa é a relação que nos une.

A equação é simples e de uma lógica elementar.

Supomos – suposição muito suportável – que grande parte das campanhas que estão no ar hoje foram exaustivamente testadas e aprovadas. Na boa, quem afirmaria que, na média, a propaganda que vemos, hoje, é boa? Sem aquelas clássicas respostas de que o que é bom para a gente não é necessariamente bom pro povo (ou pro target), olho no espelho, você com você – ninguém está te ouvindo – anunciante, publicitário, pesquiseiro: você curte, vibra, se emociona, dá risada no break?

E quando tudo foi testado e aprovado mas os resultados esperados não são alcançados, onde diabos se escondeu o instituto que recomendou aquela porcaria que está no ar?

Ah sim, a culpa deve ser da mídia, do atendimento, da criação, dos concorrentes, do governo, da borboleta que bateu asas no Japão.

Pois, se há justiça, que tal se os institutos de pesquisa, de tanto poder que lhes é conferido, compartilhassem conosco – agências e anunciantes – o calvário até o juízo final? Inclusive na remuneração.

A menos, claro, que a pesquisa seja apenas um ass shield para indecisos, covardes ou medíocres. E sabemos que não é – ou não deveria ser.

One thought on “Ass shield

  1. Vamos pessoal!!!!!!!!!!!!!pesquisa escolar !!!!!ajudem!!!!!!o q vcs acha da eleição pela internet??????????????????????

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