Monthly Archives: June 2010

“Profissão repórter”: jornalismo redentor

As curvas de audiência/leitores dos conteúdos jornalísticos nos principais veículos de comunicação vêm caindo (despencando?) em velocidades maiores nos targets jovens do que a queda (acomodação?) da audiência geral.

Antes de construir algumas hipóteses (alarmantes?), vale descartar a explicação fácil: se a audiência dos tradicionais está caindo e a dos novos está crescendo, isso não significa necessariamente uma transferência de um para o outro. As plataformas digitais são talvez aquelas que mais facilmente permitem superposição da atenção. A Internet é um estímulo irresistível ao comportamento multitarefa. Por outro lado, a pulverização dos meios novos (novos?) é tamanha que é impossível estabelecer quantitativamente algum tipo de correlação entre a queda de uns e o crescimento de bilhões. Por fim, se qualquer crescimento (da audiência do conteúdo jornalístico da Internet) é grande quando ele parte de muito pouco, difícil é levantar depois de uma certa, digamos, experiência.

As hipóteses a seguir são possibilidades concomitantes mas merecem ser isoladas para que a análise tente ser mais cristalina.

A primeira hipótese (catastrofista?) é a de que o gênero simplesmente não interessa mais aos jovens. É dizer que nesse mundo pós-pós-moderno, o cérebro da molecada é composto de fractais de atenção, que se multiplicam, desdobram, perdem-se, ao infinito. Nada gruda, nada pega, nada entusiasma, inflama, excita. Se assim for, o jornalismo sempre será refém das quedas de avião e dos julgamentos espetaculares. Ai do futuro dos nossos valores de outrora.

A segunda possibilidade (conformada?) é que de fato o jornalismo broadcast, de cima para baixo e ideológico caducou. Essa possibilidade confronta uma revisão da autoridade como decorrência de conhecimento e experiência. Ou seja, não acreditamos mais que a reputação de um jornalista ou de um veículo possa ser fator de seu passado e de seu pedigree intelectual e técnico. Acreditamos mais no mais próximo e nos nossos relacionamentos que procriaram repentinamente. Reputação se conquista com seguidores e não com currículo. Ai de nossos velhos dias.

Mas talvez (inshalláh!) possamos também encarar a nossa fórmula de construir o conteúdo jornalístico com um olhar de implacável crítica. O jovem, confrontado com uma realidade cada vez mais intrincada, inter-relacionada, organicamente conectada, não se excita mais com o jornalismo cortado em fatias editoriais. Qual a história das mentalidades, que decretou o fim da visão cronológica (como um salame: a Antiguidade, a Idade Média, o Renascimento, etc.) e anunciou uma visão temática do mundo (como um repolho: o amor no ocidente, a loucura, o mal), o jornalismo que fazemos deixou de ser crível e apaixonante. Economia, finanças, política, comportamento, cultura, esporte, por que não aposentar os velhos especialistas, cada vez mais arcanos e iniciados?

Por que o jornalismo não pode ser um contar de histórias (mil e uma noites?) interminável, uma novela que documenta o mundo em temas transversais e universais? Uma espécie de realismo ficcional. Queremos (jovens e velhos) consumir o mundo como uma fantástica história, cheia de perigos, esperanças e heróis.

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O sucesso pós fabricado dos videocases

Começa bem devagar, nas redes sociais, assim como quem não quer nada. Daí, vai virando, virando, virando. Daqui a pouco é uma febre incontrolável, só se pensa nisso, só se fala nisso, só se escreve sobre isso. Medimos, contamos, caçamos e deu uma baita mídia espontânea. O custo benefício é extraordinário, porque nada se cobrou portanto nada custou. E aquela manchete na terceira página da revista semanal da cidade deu um estrondoso retorno sobre o investimento.

Quem sabe a gente não devesse fazer um videocase, bem bacaninha, com música do rappeiro da hora, edição roots, e direção de arte grafitada, tremida, astral. Não vamos esquecer a reação dos populares, e todas as matérias cobrindo a tela, inclusive os blogs pra dar volume.

Ah sim, e o RP, importante para além da ficha técnica. O sucesso pós-fabricado tem que bombar nas redações, afinal de contas, que diabos esse bando de jornalista está fazendo de mais importante e útil do que divulgar feito tão influenciador e bem sucedido?

E que se dane o comercial de televisão, a estratégia de mídia, as pesquisas todas – malditas sejam.

Que se dane essa mídia de massa que atinge brutalmente as pessoas.

Mais vale a viralização imensurável do que a audiência burra.

E que se dane tudo porque é hora do recreio.

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O Twitter é uma rede egosocial

E agora, depois das pérolas de sabedoria com 240 caracteres, a competição no twitter é pelas pérolas de humor. É o jeito de encontrar mais seguidores no sentido mais superficial da idéia, ou seja, fãs.

O twitter é uma plataforma em gestação?

Pessoas praticam seu onanismo exibicionista com volúpia. Ou quem sabe, seja só uma espécie de incontinência de visibilidade, ao sabor das pautas do dia a dia. Tem lá sua função, catarse ou egotrip, porque desopila a mediocridade que nos achata.

Mas função mesmo individual, para além da função de se auto-propagar, pouco se encontrou.

Talvez não passe disso mesmo. Talvez o Twitter não seja uma rede social coisa nenhuma. Talvez seja só uma ferramenta de auto-promoção.

Talvez o Twitter não seja uma plataforma colaborativa coisa nenhuma. Talvez seja só um almanaque de curiosidades.

Talvez o Twitter não seja nem uma ferramenta de comunicação. Talvez seja só um divã barato e sem compromisso.

E se for só isso, tá bom né? Para que tanta onda, tanta ciência, tanta estratégia?

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Nossa propaganda da geração espontânea

Faça assim: pegue uma camisa de marinheiro, dessas bem fedidas e jogue no porão de um navio. Espere alguns meses e quando você menos esperar, daquela coisa podre, nascerão milhares de horrorosos mickey mouses com peste bubônica.

O povo tem se acanhado cada vez mais em programar e defender as chamadas mídias tradicionais. É quase como se estivessemos pedindo desculpas: “olha, aqui vamos fazer uma campanha de televisão, mas não se preocupe, vão ser filminhos de 30 segundos, daqueles lá que se fazia antigamente, com atores, trilhas e tal, sabe? Mas veja que todo o suporte de mídias stroboscópicas vai complementar a estratégia”.

E até situações mais inusitadas ocorrem: “caro cliente, essa é uma coisa revolucionária, vai acontecer bem devagarzinho, nas mídias sociais, e vai crescendo, crescendo, crescendo de tal forma que não vamos precisar de nenhum único filmezinho na televisão, nem revista nem coisa nenhuma. Vai ser uma bafafá e iremos cobrir todo o nosso target apenas com a boa vontade da mídia falada, escrita e televisionada que vai se acotovelar para publicar nosso feito”.

Ou mais psicodélico ainda: “vamos criar um fato novo, que nunca ninguém sequer imaginou possível. E sabe o que vai acontecer? Não vamos fazer nenhuma mídia e sequer vamos precisar produzir nada. É uma espécie de estratégia pré-pasteuriana: vai ser tudo geração espontânea. Quem tem que nos consumir vai também nos divulgar.”

Ficou tão escalafobético mostrar um mapa de X que os mídias estão com os dias contados. Ou os planejadores já que tudo é espontâneo e intuitivo. Ou os criativos porque estão terceirizando a mão de obra com os consumidores.

E no final, para a broxada geral, a decepção e a mágoa, vem o dono da caneta que nos lembra que ele comprou um pacote de televisão. O dono da batata que avisa que no dia seguinte ele quer todas as Severinas fazendo fila na porta da loja. Ou nerd maldito: caiu o servidor. Ou o patrão que só se arrisca nos festivais.

Pergunta ingênua: qual foi a última vez que você trabalhou, como consumidor, para uma dessas campanhas de mídias sociais? Não minta: eu disse trabalhou, ou seja, acompanhou, seguiu, produziu, espalhou, tudo ao mesmo tempo, como se fosse a última coisa que você quisesse fazer na vida?

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Novela: a crônica medieval no século XXI

E antes era assim: se o cara morasse numa aldeia perdida no meio do nada, numa tapera qualquer, passaria a vida por ali, lavrando a terra e olhando para o infinito com a esperança de que, um dia, quem sabe, uma caravana o levasse para longe. Ou ele pegava a trouxa e, com vagos sonhos e muita fome de liberdade, rumava para a capital a perder-se no anonimato.

O enraizamento irremediável ditava a sorte dos desvalidos. E não faz tanto tempo assim, a televisão não era mais do que inviável realidade qual literatura que se lê mas não se vive. A novela das 8 ainda crê nesse tempo revoluto, de cartas não respondidas e esperas intermináveis e de juras escondidas nas trapaças dos vilões. Trama medieval. Literatura que não se vive.

Num piscar do computador, um encontro salvador, um apelo redentor, uma descoberta muda a vida de uma pessoa. É possível, é fácil e é irresistível.

Talvez tenhamos que reinventar o papel da dramaturgia televisiva. Retratar a vida real, nas telas, é, na melhor das hipóteses, monótono e, na pior, embrutecido. Retratar as vizinhas, as ricas, as pobres, os vilões maldosos, os bem-intencionados fodidos, temperado com tramas e diálogos de envergonhar um colegial, é achar que a Dona Maria (porque insistem em achar que Donas Marias são o target principal da televisão) é uma Severina desconectada.

Aposentem as fórmulas prontas, as pesquisas de público e os novelistas de pijama porque a realidade que está a um clique de ser vivida é mais excitante que a pretensa fantasia da televisão.

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Ambientalismo é controle de natalidade

Por ano, nascem 16 mil bebês só na cidade de Campinas e quando eu nasci, a população do mundo era metade da atual.

Se tem tanta gente no mundo, escolhas são feitas, na marra ou na paz, não tem solução porque não cabe tantos humanos consumindo, comendo e cagando. Não se faz censo de morcego, embora eles sejam a maior população de mamíferos da Terra, nem de vírus, os manda-chuvas do planeta, mas alguns deles contaram que antigamente era mais ou menos o mesmo número. Enfim, o homem não é nada sustentável e por mais que se esforcem os discursos que abraçam árvores, a única solução sustentável é sustar a parição ou conformar-se com o leite derramado.

Os ambientalistas são os novos inquisidores e, travestidos de pacíficos silvícolas de bem com a vida, o dedo está sempre em riste no seu nariz ou – pior – o punhal cravando sua consciência a cada bala que você compra, come e cospe fora. Mas ficou muito fora de moda falar de controle de natalidade – coisa de chinês totalitário – e sequer se arriscam eles a debater o aborto que já ajudava um pouco (dizem que no Brasil, tem um milhão de abortos clandestinos).

Tem uns até mais alucinados que acreditam que o homem foi criado por Deus e da costela do primogênito pedaço de lama moldada, nasceu a mulher. E vociferam com a Bíblia na mão: não matarás e não treparás com camisinha.

No fundo, no fundo, todo ambientalista secreta uma mórbida torcida pela vingança de Gaia, pelos tornados, terremotos e tsunamis para poder gargarejar: “não falei que você não pode jogar sua guimba no bueiro?”

Nunca se viu um único dizendo “ufa, que bom, menos gente na Terra, logo mais aquifoláceas naturais pro meu chimarrão de cabaça orgânica”.

É triste a terra ardendo mas é mais triste a criança chorando.

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Mamãe, você acredita em pesquisa?

O arco-íris é uma cobra maléfica que reside no fundo das águas. Em tempos imemoriais, os índios e os pássaros – ainda semi-humanos – uniram-se para destruí-lo. Tiveram sucesso. Os pássaros fizeram a divisão da carcaça do monstro. E foi assim que os seres alados coloriram-se e cantaram. Os homens celebram a vitória até hoje, ornando-se de penas. Os índios acreditam no mito porque ele está impresso na intuição dos anciãos e, dessa fé, nasce a coragem para enfrentar os espíritos.

Nós acreditamos em Deus, ou no maldito, na ressureição, ou fim de tudo, no pé do homem na Lua, na Guerra do Golfo, no aquecimento global e até em campanhas publicitárias capazes de transformar marcas em ícones sagrados.

Mas duvidamos, sempre, da idade da Terra, da quantidade de mortos nas guerras, do tamanho da camada de ozônio e até da correlação entre preferência de marca e participação de mercado.

A fé não tem dúvidas, a ciência é cheia delas. Ciência e dúvida são vasos comunicantes, porque é da segunda que a primeira se nutre para evoluir.

Desde que a propaganda arvorou-se o mérito de engraxar as economias de mercado, ela careceu de cartas de nobreza, comprobatórias, que elevariam a sua arte aos pícaros da ciência. Assim nasceram as pesquisas, sepultando as crenças, a intuição, a experiência e o colhão.

Para começo de conversa, a gente precisa “sentir o pulso” do consumidor. É analisando seu comportamento, suas ambições, suas repulsas, suas esperanças e reflexos que passamos a acreditar em certos preconceitos. Nossas crenças são todas devidamente mensuradas.

A partir dessa cautelosa observação, monitoramos nossos impulsos, criamos regras e cabrestos para controlar nossa transbordante imaginação, fantasia e criatividade. Nossa intuição deve ser toreada para não trair a ciência.

Então encarceramos os preceitos “descobertos” em metodologias, decalques desavergonhados de outras mais nobres áreas do conhecimento. Assim, o mais neófito dos decorebas – sempre mais barato, mais petulante e mais ingênuo – pode contrariar com veemência a experiência adquirida com muita porrada.

Finalmente, armados até os dentes, seguros pelos números que iremos reportar e que nos servem de escudo contra imprevistos – afinal de contas, seguimos as regras da cavalaria yankee – a gente tem colhão para colocar-nos à prova.

É mais ou menos assim que a propaganda segue, de bravatas em descobertas pseudo-óbvias. A gente crê – sem fé – na propaganda científica.

Mas acreditar não é nada disso. Acreditar não se justifica, não se mede, não se duvida. A crença vem lá de dentro, de uma inefável certeza que brilha nos olhos, faz o sangue ferver e a mente perder o controle.

Quando o pregador subia na montanha e recitava parábolas que moviam multidões, ele não tinha saído de uma sala de pesquisa nem mergulhado em relatórios sem alma. Na elevação vizinha, tinha os donos da lei, os recitadores de preceitos, os estrategistas e os homens de marketing enfastiados de power-points e teias de aranha, gráficos, pirâmides, pizzas e outras representações estéreis. Mas ninguém ligava, eles eram muito chatos.

Mas como é que a gente vence, então, a inércia do briefing? Como é que a gente faz para começar? Sem pesquisa, em geração espontânea, só do umbigo pra fora?

E, depois, como é que convencemos os burocratas? Sem pesquisa, lá da Conchichina, nego não vai entender grande coisa.

Os números são armas poderosas nas mãos dos déspotas e burros. A ciência foi caudatária de todas as tiranias da história. Não é inteligente seguir números e pesquisas. É falta de originalidade, opinião e livre-arbítrio.

Em compensação, se crescemos nas pesquisas como se crê no arco-íris, talvez fôssemos capazes de romper monótonas barreiras. Talvez assim pudéssemos levantar o sonolento consumidor, entretê-lo com aquilo que ele ainda não sabe e não disse nos infindáveis interrogatórios aos quais os submetemos.

Pesquisas deveriam ser acreditadas, e não seguidas.

Artigo originalmente publicado em Meio & Mensagem, edição 07/06/2010

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Vida cronometrada

Que tal ler enquanto pedalo e respondo às mensagens, dou uma paradinha para ligar para minha mãe que não vai nem perceber que estou ofegante porque ela fala muito e quando terminar passo ali para dar um beijo na minha amiga, mas a caminho bebo água, dou uma olhadinha nos e-mails e já organizo a saída daqui, a passada no supermercado, aproveitando para pegar as roupas no tintureiro, aproveitando para pegar dinheiro e aproveitando para também ir lendo os e-mails de novo e aproveitando para ligar para os recados do dia que, claro, já estarão dormindo, mas tudo bem, eu não quero mesmo falar, e aproveitando também para abastecer para economizar o tempo de amanhã, que vai ser todo aproveitadinho também porque, se Deus quiser, vou pegar um avião e aproveitar para dormir os 40 minutos que desaproveitei quando despencou a arara de roupa do closet.

A nossa vida está assim, aproveitadinha, que otimiza nosso tempo multitarefado, multiplataforma,  multiconectado, multi-trans-midia-story-teller.

Temos que ser incrivelmente organizados, desumanamente disciplinados e extraordinariamente focados.

Nossa cabeça é uma checklist de geração espontânea, um processador de abreviações, um curto-circuito de reminders, uma agenda milimetricamente preenchida.

Afogados em minutos superaproveitados, a vida segue sem revisão, com a autocrítica disciplinada pela supervalorização da autoestima.

Um dia, nasceu uma flor no planeta do Pequeno Príncipe. Naquele planetinha tão pequeno, uma flor. Quem sabe viera de uma nuvem de pássaros em migração interestelar, ou sempre estivera lá, germinando sem fim. O Pequeno Príncipe extasiou-se com o botão da bela. Desenhou-lhe uma cúpula, fez-lhe guarda permanente, afinal, algum carneiro desavisado surgido de um mal ajambrado rabisco poderia ceifar seu desabrochar. Mas a flor não terminava de aprumar-se, maquiar-se, encher-se de formosura. Ela era muito vaidosa e seu admirador, muito solitário. Até que um belo dia ela despertou num raio de sol e, vendo-se refletida nos olhos do menino, chorou: “Meu Deus, estou tão despenteada!”.

E num piscar de olhos, aproveitando o cochilo do anjo da guarda, a gente morre, deixando uma vida muito mal aproveitada.

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Internet: perda de tempo

E se a Internet não passasse de um complô divino para deixar as pessoas mais confusas, menos informadas e mais superficiais?

Não é totalmente imbecil considerar a absurda hipótese, nem que seja para fins de análise de cenário. Afinal de contas, bastam algumas pequenas auto-observações para configurar a dúvida.

A nossa conexão hiperbólica consome tempo, muito tempo. É, portanto, vital para acompanhar o ritmo do mundo moderno, fragmentar nossos mergulhos – ricochetes – nos conteúdos.

Lemos manchetes cada vez mais resumidas, cada vez mais superlativas, nos portais de notícias cada vez mais sintéticos. Ou contentamo-nos com os verbetes do Google. Ou com os comentários nas nossas redes que dão conta da necessária credibilidade. Conteúdos em vídeos que passam de insuportáveis 5 minutos são zapping certo. E o tempo médio de permanência num site se mede em minutos quando o tempo médio de leitura de jornal se mede (ou media) em horas, da TV, dias.

Mas continuamos desesperadamente ocupados, com nossas vidas completamente cronometradas. E nosso lazer não se mede mais em horas, mas em minutos; nosso sono, em horas; nossa vida, em meses.

Não parece que estamos mais informados nem mais cultos. Só mais rápidos.

De concreto mesmo, por enquanto, a Internet nos trouxe falta de tempo. O resto são votos piedosos.

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