Archive for September, 2010

Pesquisa é jogada de marketing

27/09/2010 em Propaganda | Tags: | 5 Comentários »

A gente ainda acredita nos interrogatórios reveladores: se reunirmos consumidores numa proveta e os estimularmos  com indiretas muito espertas e desvios malandros, iremos descobrir os mais inadmissíveis impulsos consumistas.

E os consumidores são muito bonzinhos, crédulos e previsíveis. No laboratório, eles são dóceis e inocentes. São uns fofos porque burros e ignorantes. Que conforto perceber que a massa é tão ignara, padronizável, manipulável!

No culto, todo mundo é santo.

E nós, os espertinhos de jaleco atrás do espelho, puxamos as cordinhas das marionetes.

Mas, para o consumidor, marketing sempre foi sinônimo de mentira, e propaganda, atestado de burrice: “Ah, mas essa Propaganda é só uma Jogada de Marketing!”.

É por isso que ele mente tanto nas salas de pesquisas.

Em uníssono para que seja conclusivo. Afinal de contas, é para fazer isso que ele foi pago, entre uma coxinha e outra, “marketing”!

Memória de um amnésico

27/09/2010 em Propaganda, Sei lá | Tags: | 1 Comentário »

Existem muitas metáforas animalescas para uma grande corporação: uma galinha, porque ela não consegue sair de um círculo pintado no chão; uma abelha, que obedece atavicamente a uma rainha manca; uma barata, que mesmo guilhotinada continua mexendo as patinhas.

Existem vários fatores que fazem de uma grande organização um organismo acéfalo ou, no mínimo, amnésico. Mas o mais comum é a rotatividade promíscua dos funcionários por áreas e filiais. É sinal de dinamismo e de ascensão na carreira rodar a bolsinha e, na primeira ocasião que surge, pontificar suas “experiências” em outras freguesias.

Não há cartilha empresarial (que se costuma chamar de cultura) que segure o ímpeto do neófito. Chega com muita energia para arranhar de sua grife o modus operandi. Com um crédito de boa vontade, cases pretensamente construídos alhures, currículos místicos e os dentes ensanguentados para produzir resultados rápidos, a memória fica relegada a um punhado de pesquisas assimiladas em treinamentos precoces.

Memória é saudosismo careta e aprendizado, tentativa e erro.

Dizem que o maior plantador de florestas é o esquilo. Ele passa o verão inteiro catando nozes e armazenando-as em buracos aleatórios. Dizem que 80% de tudo o que ele esconde para comer no inverno acaba germinando na primavera porque ele não tem GPS nem muita memória. Por isso, ele morre de fome e prefere passar o inverno nas cidades, fuçando lixeiras.

Já o Wahrtog, aquele javali bonitinho dos desenhos animados, é uma presa divertida. Quando vê um leão diante de si, sai correndo. Anda uns cem metros e esquece por que está correndo. Como também fazemos, ele acaba dando meia volta para ver se lembra do que esqueceu. E lá está a boca aberta do leão.

SWOT é uma casca de banana

24/09/2010 em Propaganda | Tags: | 4 Comentários »

- Vem comigo, vem comigo. Vamos visitar um cliente.
- Eu? Onde? Para quê?
- Me disseram que você é da criação mas fala inglês, então vem comigo.
- Tá bom.

Duas semanas de agência e o maluco do atendimento me pega para ir a um cliente que eu desconhecia para tratar de um assunto que eu considerava da mais absoluta inutilidade: planejar.

- Vai lendo aí essa pasta.

Confirmava assim a minha suspeita: essa coisa de planejamento é como coquetel de churrascaria rodízio: coloridinho, meladinho e nojentinho. Passei batido nas tabelas incompreensíveis, nos gráficos microscópicos e em todos os oráculos indecifráveis.

A reunião era com um gringão do Vale do Silício, um desses surfistas, filho de riponga, que acordou tio patinhas da noite para o dia.

Quando chegou minha hora, o bacana que me havia arregimentado para sua proeza de enganar-cliente-porque-a-criação-não-terminou-o-job, me escorrega a pastinha apontando o dedo numas coisas escritas entre duas linhas cruzadas, e que se chamava, pretensiosamente, de SWOT. Justamente o que eu tinha desprezado na minha leitura em diagonal no carro. Vi o que significavam as letras e, evidentemente, no nervosismo da hora, entendi menos ainda.

Foi assim que troquei as bolas porque eu não sabia o que significavam nem o T nem o W.

Entusiasmado, falei falei falei, dizendo que era fortaleza o que era fraqueza, e o que era oportunidade o que era ameaça e vice-versa e vice-versa. No meio da explanação, o gringão me interrompeu e perguntou:

- Por que você acha que o share de 80% de nosso concorrente é nossa fortaleza?

Mal deu tempo de cair a ficha e eu já estava falando como um papagaio, sob o olhar apavorado – portanto, natural –  do diretor de atendimento, para finalmente ouvir do cliente:

- Interessante. Concordo.

Até hoje não sei o que eu disse, tampouco o que ficou concordado.

Mas, de uma coisa eu tenho convicção, milhares de SWOT’s  depois: quem inventou o SWOT era mulher de malandro.

Marca-destino e marca-distribuidora na Internet

23/09/2010 em Internet, Propaganda | 3 Comentários »

Desde que a Internet ensaiou constituir-se em uma plataforma de comunicação, o grande debate das marcas permanece o mesmo: a presença da marca tem de ser destino ou deve reverberar na Internet como mídia?

Como a Internet não é um ambiente sob concessão pública ou privada, como é um universo livre a todas as iniciativas – inclusive àquelas que tangenciam a ilegalidade – a pretensão de ser destino é tentadora porque é aparentemente libertária: a marca torna-se mídia de si própria.

Para ser destino, a marca tem que ser relevante às pessoas para além daquilo que ela tradicionalmente representa, ou seja, o produto. Suas iniciativas deixam de ser centralizadas na marca para sê-lo no consumidor, nos seus valores, comportamentos, aspirações, interesses, etc.

Ainda que seja possível conciliar as duas prioridades: patrocinar conteúdos (como se faz em qualquer mídia, seja ela tradicional) ou criar conteúdos (como já se fez na mídia tradicional em tempos imemoriais), parece ser inteligente definir uma árvore de prioridades ou territórios de atuação em uma e outra das estratégias.

Se uma marca deve significar algo na vida das pessoas para além daquilo que mais diretamente ela simboliza, se uma marca deve centrar esforços na criação, produção e disseminação de conteúdos, isso não significa necessariamente que sua presença na Internet deve ser destino. Sua presença pode ser hub de distribuição.

Diferentemente das opções entre ser patrocinador (propaganda) ou produtor (emissor) de conteúdos, opções essas perfeitamente conciliáveis e que se somam, a alternativa de se tornar destino é mais cansativa, exige esforços consideráveis, verticalizações indesejáveis ou coordenações complexas e investimentos desproporcionais, com uma curva de amortização incerta.

Se uma marca centrar seus esforços em distribuir seus conteúdos, eles podem facilmente se transformar em formatos publicitários muito mais ricos, interativos, colaborativos e customizáveis que os formatos passivos.

Mas se a Internet tem potencialmente tantas antenas quanto usuários, se todas as pessoas são mídia, é lá antes de tudo que a marca deve estar: no site, blog, perfil de rede social das pessoas. É lá que as marcas conseguem garantir maior cobertura e pertinência.

Ser destino ou hub de distribuição não é mais uma questão de lógica nem de eficiência.

É só uma questão de quimérica vaidade.

A Internet é dos nerds, graças a Deus

22/09/2010 em Internet | 3 Comentários »

A corporação dos maçons, na Europa medieval, era poderosíssima. Não estamos nos referindo à sociedade secreta que tanta influência teve desde a revolução francesa na disseminação ativista do ideário iluminista, embora ela tenha nascido no seio dessa agremiação de profissionais. A corporação dos maçons, ou pedreiros, tinha princípios éticos e de formação muito rígidos e foi graças a eles que ela teve muitos papéis sociais e políticos, ao longo de muitos séculos. As obras públicas, reais ou religiosas eram auditadas pela corporação. As vidas dos integrantes da corporação eram fiscalizadas. E, acima de tudo, os maçons partilhavam ideais que transcendiam os interesses individuais.

Recordemos um instante dos primórdios da Internet. Quem inventou esse negócio aqui, quem ainda inventa e revoluciona, muitas vezes subterraneamente, esse universo são pessoas que você nunca viu nem nunca vai ver. Engenheiros-usuários ou usuários-tout-court que são como os construtores de catedrais do passado.

Embora a Internet esteja sendo, de forma crescente, explorada por interesses comerciais – inevitáveis e promissores – os ideais da nerdolândia prevalecem e asseguram o dinamismo do ambiente. Muito poucas iniciativas bem-sucedidas da Internet, dessas arrasadoras tanto em popularidade quanto do ponto de vista financeiro, nasceram sem a influência decisiva desses ideais, a saber, de liberdade, transparência, colaboração e resistência.

Nada disso está escrito em lugar algum, mas está na alma que rege a Internet. Ainda bem, caso contrário, a Internet já seria um nojento canal de venda.

Devemos respeitar esses princípios, sempre, se queremos ser bem-sucedidos comercial e publicitariamente.

Propaganda não é avant-gardismo

21/09/2010 em Propaganda | 4 Comentários »

Apesar das previsões efêmeras, dos cenários proféticos e do espírito de porco que atormentam quem pensa para além dos jobs, a propaganda é um clique preciso e revelador da nossa vida em sociedade.

É uma esponja com alto grau de absorção. A propaganda é uma porta de entrada para o mainstream.

Quando chegou na propaganda, pode acreditar, chegou na galera. Se não chegou, então, espere a propaganda regurgitar para afirmar que a tendência não é marola, mas maremoto. Se você vir um publicitário com um penduricalho tecnológico, com um novo modelito, um novo penteado, um novo fraseado, isso quer dizer que já está na cabeça e no coração de todo mundo. Se você vir uma propaganda que “lança” (entre aspas) um jargão, uma formulação, um estilo, qualquer coisa, então, pode apostar no bicho, que vai dar milhar.

A propaganda é um espelho sem distorção. Não é a crista, mas o tubo da onda.

É assim porque, se a propaganda não for reverberação, ela não é propaganda. É outra coisa. Experimentação não é a nossa praia. Nem avant-gardismo.

Assim sendo, todo publicitário tem que ser uma mega-antena de ondas curtas e, por vezes, turbas. Porque nem sempre é fácil sacar o mainstream. A gente costuma se cegar facilmente por excesso de zelo criativo, e passa ao largo do que está batendo na nossa porta.

Curiosidade é nossa matéria-prima, e preconceito, nossa perdição.

Porque a publicidade seduz menos os talentos

20/09/2010 em Propaganda | 6 Comentários »

Vale a pena ler essa matéria do AdAge (via @andre841)

El éxodo creativo en la publicidad: el trabajo ya no es más divertido como antes

(Advertising Age) – Graf, Montague, Bogusky, Hirshberg: un desfile de talentos top que abandonan a las grandes agencias, cuando no a la propia actividad publicitaria. Una tendencia que se nutre con cada vez más ejemplos.

  • Gerry Graf, uno de los que emigró de las agencias mayores. En su larga carrera cumplida en Goodby Silverstein, BBDO, TBWA y S&S, dejó una cantidad de ideas formidables. Al final salió de Saatchi con la noción de que estaba “haciendo simplemente cosas”.

Una noche, hace tres semanas, Gerry Graf tuvo un ataque de ansiedad.

El tan respetado (y premiado) director creativo había dejado su puesto de trabajo en una gran agencia de publicidad para ingresar a las incertidumbres de una nueva vida profesional, y –entendiblemente- se sentía nervioso. Al día siguiente llamó por teléfono a David Droga, que había asumido un riesgo similar cuatro años antes, y enseguida se fue para la oficina de Droga5 New York, en Lafayette Street, que ahora alberga a un staff de 120 personas que trabajan para una lista de clientes que incluye a Puma, Unilever y Microsoft. El consejo que le dio Droga a Graf fue más o menos así: no todas las estrellas se van a poner en fila al mismo tiempo; usted no necesita un punto de vista excéntrico; consígase un fuerte socio de negocios y no haga pitches a menos que reciba una paga por ellos.

En otras palabras, como me dijo Droga en una entrevista que hice con él, “usted no es la ramera de nadie”.

Esa podría ser también la consigna para el negocio publicitario en 2010. Desde el comienzo del año, un genuino jurado de Cannes -de talento creativo senior- había sacudido las cadenas de una cadena de gran agencia para dedicarse a objetivos creativos fuera de la industria publicitaria. Un mes antes del ataque de nervios de Graf, Ty Montague y la co-CEO Rosemarie Ryan anunciaron su partida de las oficinas de JWT North América y poco después arrancaron con un estudio denominado Co. En junio, Alex Bogusky le dijo al mundo que estaba dejando MDC Partners para hacer… lo que fuere que ahora está haciendo. Entretanto, Eric Hirshberg terminó una muy exitosa carrera en Deutsch, L.A., para ingresar a la industria de los video-games. Y en este mismo mes, Eric Silver abandonó DDB, New York, para comprar la parte mayoritaria de acciones de una pequeña agencia.

Observadores veteranos de las agencias de publicidad dirán que esta clase de movimiento siempre ha sido parte de la vida en ellas. Pero desmerecer la tendencia como parte de un cierto ciclo equivale a ignorar preguntas claves que las agencias necesitan responder. Después de todo, la presión sobre el modelo de negocios de esas compañías es intensa. Aunque la pesadez de la economía se puede estar aliviando, para muchos todavía sigue sobrevolando el escenario y, además de eso, las agencias están siendo golpeadas desde todos los costados: recorte de costos, clientes conservadores, gestión de los expertos en procurement, más competencia desde pequeños y medianos shops, la aparición de conceptos muy recientes como las “crowdsourcing agencies”, y un modelo de negocios que todavía depende demasiado de la producción de avisos, y no de las ideas.

“No puedo cuantificarla, pero tengo una fuerte sensación de que el negocio se está volviendo cada vez más duro”, dijo Kevin Roddy, chief creative officer de BBH, New York. “Los clientes no creen demasiado en que somos capaces de hacer cosas que ellos no pueden hacer, y están cada vez más inclinados a vernos como proveedores en lugar de asociados”.

El resultado es que las grandes agencias no constituyen ahora el lugar más hospitalario para las mentes creativas, pero –digámoslo también- nunca lo fueron realmente. Por eso es que Mad Men hace todos esos chistes a expensas de Grey y sus similares. La diferencia, ahora, es que los cheques de pago ya no compensan las deficiencias existentes como incubadores de grandes ideas comerciales. Y que se está haciendo más difícil retener los grandes nombres que pueden hacer las miles de cosas que hoy conforman el rol del management creativo.

La nueva realidad

No se puede, por cierto, hablar de todo esto sin referirse a la economía. El último año fue brutal para las agencias de publicidad: las 10 mayores del mundo sufrieron significativas declinaciones en ingresos (en algunos casos, de doble dígito), según el DataCenter de Ad Age. Psicológicamente fue como tocar fondo: un período en el que la gente estaba por un lado feliz por tener un trabajo, y por otro, demasiado ocupada haciendo que otra gente renuncie.

En 2010, los informes de una reactivación económica fueron, en el mejor de los casos, suavemente exagerados, y en el peor, desmentidos por los temores de que la economía estaba otra vez deslizándose hacia abajo. Los empleos no volvieron y tampoco lo hizo el consumo; de ahí que las empresas sigan siendo conservadoras. Usted puede ver esto en un buen número de tendencias: la declinación de las relaciones (otrora seguras) de las agencias de record, y la consiguiente suba de los acuerdos más informales con los que los clientes parcelan sus cuentas en un gran número de agencias forzadas a competir por proyectos de trabajos; la proliferación de shops especializados en una disciplina, especialmente en el terreno del marketing digital; la voluntad de las empresas anunciantes a experimentar con soluciones “sin agencia”, como es el caso del crowdsourcing.

Un CEO de una compañía, que se mantuvo en el anonimato por temor a perjudicar a sus empleadores, dijo lo siguiente: “Hal Riney y Phil Dusenberry fueron tratados en forma diferente. Los negocios, en ese entonces, eran mucho más civilizados y respetuosos. Ahora estamos trabajando en un ambiente increíblemente irrespetuoso. Los clientes son imbéciles sabelotodos, con escasas excepciones. Hay una enorme cantidad de codicia operando bajo el disfraz de ideas como ‘eficiencia’ y ‘creación de valor para los accionistas’, y todo eso va mellando las personalidades”.

Le pregunté a Roddy qué decía de todo eso con su típico pensamiento de creativo super talentoso. “Antes, la creatividad estaba puesta en un pedestal, y no creo que eso siga siendo así”, dijo. “La gente creativa se ha convertido más en una commodity, y creo que eso les ha ido quitando las ínfulas. El ego creativo es algo muy importante, porque es lo que moviliza al talento. Pero también es una cosa muy frágil”.

Graf podría ser el mejor ejemplo de esta lucha. Conocido en el negocio como el incansable creativo innovador que, como dijo un ejecutivo, “no quiere jugar el juego”, Graf ha producido –en su larga carrera que incluyó a Goodby Silverstein, BBDO, TBWA y más recientemente Saatchi & Saatchi- una cantidad de ideas formidables, además de trabajos impresionantes para marcas como Snickers y Skittles. Por último, salió de su experiencia en Saatchi con la noción de que “estoy haciendo simplemente cosas”. Con eso, no es sorprendente que Graf ya no esté armado de un modelo novedoso y complejo (aunque es cierto que está interesado en explorar nuevos modelos de compensación y de arreglos de propiedad intelectual donde eso tenga sentido). “Vivimos en un tiempo en que la mejor idea gana, y a la idea no le importa mucho la escala”. Con ese fin, su nuevo shop, Barton F. Graf 9000 (una referencia a su padre y a un arma del video game Doom, la BF G9000), que se formalizará en algunos meses, luchará por las relaciones de agencias de record y también para funcionar como consultora y en proyectos de escritura.

Roger Camp, que ganó numerosas premiaciones –tiene más D&ADs que cualquier otro director de arte estadounidense- dejará su puesto de chief creative officer en Publicis Hal Riney el 1º de octubre. “Hice un par de entrevistas en lugares grandes para puestos de trabajo que eran algunos de los mejores que existen, y me fui con la sensación de que nada de eso era lo que realmente quería. Me parece que yo debía haber salido en un estado de excitación de esas reuniones, y no fue así. Esos puestos en grandes agencias ya estaban definidos, y yo estoy buscando definir lo que quiero en lugar de acomodarme en el molde de algún otro, de lo que ya está establecido”.

Camp dijo que esa es la razón por la que no es el único que actualmente se está yendo de su trabajo. “La gente está buscando crear nuevos modelos, y eso es más fácil de hacer que tomar estructuras existentes y tratar de reformularlas”.

Dos opciones

Para la insatisfecha mente creativa que todavía trabaja dentro de una agencia grande, hay dos opciones: pueden, en términos freudianos, sublimar el ego, o bien  llevar su talento a otro lugar. En estos días, hay una cantidad no despreciable de dinero persiguiendo modelos innovadores de agencias. Un ejemplo es Jon Bond, un co-fundador de Kirshenbaum Bond & Partners que recientemente dejó el shop y ahora tiene un fondo de 100 millones de dólares para invertir en agencias. Después están las fuentes más tradicionales, como los holdings como WPP, Omnicom y MDC, de los que se sabe que están buscando nuevos modelos. MDC, la propietaria del anterior shop de Bond, incluso ha iniciado un concurso que premiará con un millón de dólares al mejor nuevo concepto de agencia, en el cual conservará un paquete accionario del 51%.

El rango de elección para agencias que necesitan fuertes managers creativos podría ser un poco más estrecho. Por un lado, las agencias necesitan el flash que puede proveer un jefe creativo famoso y muy premiado. Por otro lado, existe una necesidad por alguien que quiera tomar las muchísimas responsabilidades que hoy acarrea el manejar un gran departamento creativo para servir a grandes clientes internacionales. Hablando en general, la gente no se convierte en copywriters o directores de arte porque quieren estar un día sentados en meetings sin fin, saltando de aeropuerto a aeropuerto, atendiendo clientes, manejando una declaracion de ganancias y pérdidas, y sólo tocando el trabajo cuando es tiempo de ponerlo en un reel para presentarlo ante un festival de premios. Esa gente llega al negocio porque quiere hacer cosas.

Cuando Ad Age informó que Eric Silver estaba dejando la oficina de New York de DDB para tomar un paquete mayoritario en la agencia Amalgamated, de 34 personas, Silver lo explicó así: “Ya no estaba divirtiéndome en mi último puesto, y cuando uno no se divierte, no hace su mejor trabajo”. Y agregó: “A medida que uno sube en la escalera corporativa, es fácil perder de vista el motivo por el que entró en la industria. Ahora siento que esto me excita más que lo que vine sintiendo en mucho tiempo”.

Por ahora se hace claro que las agencias no pueden seguir con la misma descripción de los roles. “Hay un balance entre contratar a una estrella -ese director creativo al que todos mencionan, que entra y patea todo – y contratar a alguien que está listo para la vida en las grandes agencias”, dijo Anne-Marie Marcus, CEO y propietaria de la firma de reclutamiento Marcus St. Jean. “Muy a menudo, no es la vida que esas personas quieren. Grandes clientes, muchas reuniones y no demasiada diversión. Pero esto no es como trabajar en Cliff Freeman. Son trabajos serios”.

El gran consejo que les da Marcus a las agencias es que decidan si quieren a alguien que pueda ser fácilmente enchufado dentro de una cultura existente o, en cambio, alguien a quien ellos quieran rodear y construir alrededor de él. En el último caso no es una tarea fácil, porque muy a menudo uno de los trabajos que le esperan a un gran creativo recién tomado es llegar y rápidamente dar vuelta a una enorme agencia, o, cuanto menos, su reputación creativa. Si las agencias fueran fáciles de cambiar, esos personajes –o sus roles- no serían necesarios.

Otra gran cuestión que enfrentan las agencias es si algunos de esos roles se han vuelto demasiado grandes como para que puedan ser manejados por una sola persona. Dijo Roddy: “Eso depende del individuo. Los más hábiles se rodean de gente brillante que hace las cosas que ellos no pueden, o que no tienen tiempo de hacer. La clave del management creativo es que uno tiene que dejarlos hacer y no tratar de hacer todo uno mismo”.

Sin dudas, a las agencias no les está resultando fácil reemplazar a aquellos que se han ido, cuando se ve que algunas búsquedas duran meses y meses. Hay muchas razones para esto, desde una escasez de buenos candidatos hasta realidades más prácticas, como por ejemplo el colapso del mercado inmobiliario, que hace difícil mudarse a la gente para ingresar a un nuevo puesto. Aunque Saatchi nombró rápidamente un reemplazante para Graf, las búsquedas todavía siguen en marcha en JWT, McCann, Deutsch y Euro RSCG. Colleen DeCourcy, que resignó su puesto de chief digital officer de TBWA en julio y ahora ha iniciado un shop, dijo que ha recibido varios llamados por distintos puestos creativos, para los cuales, reconoció francamente, ella no está calificada: “Yo nunca en mi vida hice un spot de TV”.

En cambio, ella clasificó muchos programas digitales, una experiencia que está en plena demanda y relacionada con una tendencia importante: el aumento de especialistas. El amplio incremento en el número de canales disponibles para alcanzar a los consumidores hace que ninguna agencia pueda manejar toda esa información, y eso abre las puertas a expertos dedicados a muchas disciplinas, desde mobile y desarrollo de aplicaciones hasta contenidos con marcas y crowdsourcing y boca-a-boca. El modelo presentado la semana pasada por Montague y Ryan es en parte un intento de impulsar esa colaboración para clientes, y seguro que el shop de DeCourcy sacará ventajas de lo que ella llama “las muchas grietas que hay en el mercado”.

La ruptura total

Diferente de la configuración mental del creativo que decide irse a una estructura menor es la de aquel que deja completamente la actividad. Es el caso de Eric Hirshberg, un raro creativo de publicidad que se ha movido exitosamente a una industria creativa paralela –en este caso, la de los video-games. En una entrevista, dijo que su decisión de convertirse en CEO de Activision Publishing fue difícil de tomar, aun cuando es el empleo soñado para un gamer. Hirshberg insistió mucho en que su movimiento no se produjo por una falta de satisfacción con el negocio de agencia pero, al mismo tiempo, habló con admiración de algunos que se alejaron de sus puestos en el mercado.

“Este no es un comentario sobre Deutsch o Interpublic, pero la tendencia por armar algo nuevo es grande porque reconoce que, en su núcleo, esta es una actividad boutique basada en personalidades creativas. El modelo de los holdings naturalmente trata de mecanizar y sistematizar cosas. Las agencias necesitan continuar siendo boutiques. Pienso que esa es una de las razones por las que Deutsch L.A. siempre ha prosperado: siempre nos han dejado ser nosotros mismos”.

Hirshberg no cede ante las sugerencias de que el negocio de las agencias de publicidad se ha vuelto demasiado áspero. “La publicidad puede ser un modo fatigoso de transitar el mundo. Es un camino de alto stress e intensidad, pero siempre ha sido así. Para mi, los cambios en el modelo de negocio o la economía no han alterado esa característica. El desafío siempre fue conseguir, en medio de ese laberinto, una gran pieza de comunicación. Es difícil, es estimulante, pero no es nada nuevo”.

Esto podría ser verdad, pero para los futuros publicitarios exitosos, podría no ser especialmente relevante. Recientemente tuve conversaciones separadas con dos publicitarios de ventipico de años que tenían buenos trabajos estratégicos focalizados en lo digital, con listas de clientes completas y fuertes case studies. Eran brillantes y ambiciosos, con el entendimiento correcto de a dónde apuntan las necesidades del negocio. Cada uno había coqueteado con la idea de tomar roles importantes en grandes agencias, pero en lugar de focalizarse en eso, ambos hicieron las mismas quejas asociadas con sus seniors: los límites de los modelos cliente-servicio, la dificultad para encontrar el tiempo para innovar.

Todo esto podría ser rotulado como dentro de la categoría de “problemas del primer mundo”, que el Urban Dictionary define como “problemas derivados de vivir en una nación rica e industrializada, que probablemente aburrirían a los del tercer mundo”. O podría ser el comienzo de una cascada de decisiones que los llevaría a la ruta de un Alex Bogusky, cuya historia tan contada no necesita aparecer aquí. Su reciente cambio en su biografía en Twitter lo dice todo: “Trabajé más de 20 años en publicidad. Fue divertido. Todavía disfruto de la confluencia de culturas”.

O gerúndio da mídia

20/09/2010 em Propaganda | Tags: | 4 Comentários »

Vivemos um momento de extraordinária ebulição na mídia que ninguém é capaz de apreender ou explicar. Para não ficar no já desgastado padrão de comparação “Mídia tradicional” x “Nova mídia” que se refere basicamente à oposição de plataformas “Erráticas” x “Dinâmicas” ou a práticas editoriais distintas “Broadcast” x “Colaborativas”, a atividade vulcânica do debate é proporcional à velocidade com que novos comportamentos no consumo de mídia se tornam hábito. E, evidentemente, a “radicalidade” dessas transformações – todas interrelacionadas – tem profundos impactos na organização de toda uma indústria muito habituada à autocrítica e pouco afeita a mudanças práticas.

– Borboleteando

O consumidor de mídia não tem mais nem tempo nem paciência para acomodar-se aos ritmos de apuração e produção tradicionais. Sua capacidade de pesquisa é inversamente proporcional a sua voracidade: qualquer busca tem de ser atendida num piscar de cliques, e quanto maior essa velocidade, mais rápido o consumo. Ele quer muito e muito rápido, como se fosse morrer no final de todo dia. O nó górdio que os produtores de conteúdo não conseguem desatar é como atender a essa escalada de superlativos. Como equilibrar um investimento em estrutura de produção com uma demanda tão exigente e fugaz ao mesmo tempo?

– Franqueando

O consumidor de mídia nunca entendeu direito por que certos conteúdos custam e outros não. Ele não percebe com clareza qual é a moeda que lhe paga a audiência que ele gera. Isso se intensificou obviamente com a explosão indiscriminada e desregulada do acesso a conteúdos que ele considera bons e gratuitos na Internet. A televisão aberta e o rádio ainda permanecem as únicas mídias “tradicionais” tão transparentes quanto a Internet: a audiência é remunerada pelo conteúdo, e o conteúdo é remunerado pela audiência. O pacto está quebrado com a mídia impressa e é nela que se concentra a maior das crises.

– Verdadeando

O consumidor de mídia já não crê mais na verdade, mas nas verdades. Ele entende ou intui a intenção ideológica por trás de cada produção, de cada opinião, de cada apuração. Assim, ele adere ao princípio de que a verdade é um processo multifacetado, é uma construção colaborativa, é um gerúndio. Isso não significa que ele despreze a qualidade. Ao contrário, ele crê na temporalidade, na efemeridade das verdades que se sedimentam com o filtro do tempo e da unanimidade. Assim, o compromisso de um veículo de comunicação desloca-se. Sua reputação passa a ser assegurada não mais por uma verdade “comprovada”, mas pela capacidade plural de debater verdades “temporárias”.

Antes das discussões acaloradas e infrutíferas sobre modelos de negócio que sejam capazes de enfrentar a dilaceração das audiências que não querem mais pagar e desprezam a pretensa autoridade das grifes de mídia, a questão central é obviamente de reforma cultural no seio dos veículos.

Antes de lamentar, rebelar-se e unir-se em torno de pactos desesperados e de pressões institucionais, mais vale reestabelecer transparência na relação entre produção e consumo de conteúdos.

A corrente parece ir muito mais na direção da reciprocidade: toda audiência e toda colaboração serão remuneradas.

Para ser capaz de atender à demanda feroz por mais e mais conteúdos, parece ser mais efetivo responder com semelhante ferocidade, explodindo, terceirizando e universalizando a produção. Colaboração remunerada, evidentemente, na proporção da audiência que ela gera.

Os veículos transformam-se assim em hubs editoriais que viabilizam a comercialização publicitária dos conteúdos gerados pela miríade de criadores independentes que negociam “a quem mais der” ou sem nenhuma exclusividade suas produções.

Estabelece-se de volta um pacto claro de toma lá dá cá com as audiências que também são, no limite, elas mesmas produtoras.

Por fim, como conciliar os interesses de um ocaso ainda muito rentável e uma competição muito dinâmica, agressiva e monopolizadora? Parece não haver nenhuma saída a não ser o enfrentamento com aporte de recursos proporcionais aos desafios e alianças muito estratégicas.

Parece não haver outra possibilidade a não ser uma faxina profunda e radical de mentalidades.

Publicado originalmente no jornal Meio & Mensagem de 20/09/2010

O escotismo multinacional

17/09/2010 em Propaganda | Tags: | 4 Comentários »

O Brasil é um saco sem fundo de problemas, de desigualdades, de incoerências, de atrasos intransponíveis e de desonestos, mal-educados e incorrigíveis mestiços de má-fé. Mas assim mesmo – ou por isso mesmo – lá de fora rasgam elogios à nossa zona criativa e ignorância corajosa.

Não há nada de mais excitante para esses descobridores  do que uma fronteira nova, virgem, cheia de inocentes criaturas para explorar. E, quando o terreno ainda por cima é fértil e cheio de boa vontade, eles se esbaldam.

Nada de muito novo. Já foi assim com os conquistadores de outros séculos.

No entanto, difícil dizer o que surpreende mais: se é a imutabilidade do processo de exploração ou uma pequenina evolução na nossa colonizada percepção.

O fato é que, cada vez que nos deparamos com o entusiasmo adolescente dos gringos com essa nossa pujança circunstancial, dá vontade de sorrir com a ingenuidade das catequeses que eles tentam por aqui.

Via de regra, eles começam fazendo uma circunstancial pose de humildade, para logo em seguida tentar justificar um tipo de interesse muito altruísta por nosso mercado. Até aí, não passa de um protocolo de boas maneiras. Portanto, dispensável.

Depois dessa introdução sonolenta, vem a parte importante do encontro, ou irritante. É justamente quando eles tentam introduzir seus formatos revolucionários, suas tecnologias vencedoras, seus cases de sucessos. Ah, os cases de sucesso! É nessa parte que entendemos que eles continuam nos vendo como Cortés a Montezuma e seu povo: palhaços para engabelar.

No entanto, enquanto o imperador achou que Cortés era Quetzacóatl, a ave serpente – o temido Deus de panteão asteca – nós vemos, hoje, os conquistadores como escoteiros bem nutridos de alguma religião evangelizadora.

Em vez de nos irritarmos, podemos rir. E se rirmos, saberemos usar do mesmo oportunismo vencedor com que os bárbaros espanhóis surrupiaram o ouro da mesoamérica.

Produtor: he’s the guy

16/09/2010 em Propaganda | 3 Comentários »

Se uma agência de comunicação deve concentrar-se cada dia mais no poder das ideias, se a comunicação com consumidores não se dá mais apenas no que outrora chamávamos de veículos de comunicação (todas as plataformas confundidas) e se as marcas focam esforços consideráveis em inovação para transcender a moldura de seus produtos, então uma agência de comunicação não pode mais ser só “de comunicação”.

Quem já lidou com qualquer processo criativo, inclusive o de agências, percebe que muitas vezes criar subentende transbordamento de iniciativas. Quanto mais poderosa uma ideia, mais ela poderá ter aplicações múltiplas que vão além dos suportes já existentes.

Por outro lado, com a explosão dos meios de comunicação, com a exponencial promiscuidade que transforma qualquer coisa em “veículo” de mensagens publicitárias, já não dá mais para querer comunicar-se com os consumidores sem criar os próprios veículos ou recriar os já existentes.

Finalmente, as próprias marcas querem cada dia mais aproveitar-se da reputação que construíram utilizando a franquia de preferência e a fidelidade que conquistaram para extrapolar seu ramo de atividade. E, assim, as marcas lançam-se em aventuras inimagináveis até poucos anos atrás e em empreendimentos rentáveis que não têm mais nada a ver com o produto que elas inicialmente representavam.

Assim, uma agência não pode mais ser apenas uma agência de comunicação. Ela tem de ser uma agência de ideias.

É aqui que a porca torce o rabo. Por um lado não existe ideia boa se ela não for realizada, e por outro ainda não nasceram no mundo parceiros realizadores de ideias desenquadradas dos formatos tradicionais.

Essa talvez seja a maior lacuna a ser preenchida pelas agências: um produtor universal capaz de acionar os parceiros especializados, um “homme à tout faire” que produza para além dos formatos.

A falta desse “production buyer” tem gerado muitas frustrações ou cabrestos criativos.

Se você acha a propaganda na Internet excitante, não leia

15/09/2010 em Internet, Propaganda | 24 Comentários »

Já se vai mais de uma década e os formatos publicitários na Internet continuam tristemente sem capacidade de transcender. Parece que os caras que criam esses formatos continuam concentrados demais na capacidade de atingir as pessoas certas e mensurar os resultados. Mas isso é apenas uma parte – importante mas não suficiente – da equação fundamental da comunicação publicitária.

Os portais iam revolucionar a mídia da Internet, depois foram as buscas, os comunicadores instantâneos, as plataformas colaborativas, as redes sociais, mas tudo continua muito pouco excitante. No fundo, no fundo, parece que continuamos criando banners. E mesmo que eles estejam mais performáticos, mais precisos, mais ágeis e, às vezes, um pouco mais sexies; mesmo que eles estejam maiores, mais interativos, menos intrusivos, ainda estão muito longe de conseguir o nível de envolvimento emocional que um reles comercial de 30 segundos é capaz de proporcionar.

Parece que a Internet ainda é comandada por uma multidão de nerds, suprainteligentes, megarratos comerciais, mas com uma espécie de atrofia afetiva.

Você já chorou com um banner, já gargalhou com um link patrocinado, já teve palpitações com um pac-man ou já teve pânico consumista com alguma mensagem comercial na Internet?

Duas hipóteses se desenham portanto.

A primeira é que é assim que caminha a humanidade. Que a propaganda tende a perder qualquer atratividade emocional e que os consumidores só se sentem engajados com mensagens racionais, embora muito assertivas. Se assim for, a propaganda será robotizada em poucos anos.

A segunda é que os veículos na Internet ainda vão ter de descobrir um jeito de criar formatos tão bons quanto um comercial de 30 segundos. E, para que eles sejam tão formidáveis quanto podem ser na velha-caduca mídia tradicional, a interrupção comercial parece ser o único caminho. Não é possível emocionar uma pessoa se sua concentração estiver dispersa. Não é possível emocionar num piscar de olhos. Tem que dar tempo e tempo concentrado para emocionar alguém. Tempo e tempo interrompido.

Enquanto nenhuma das hipóteses for conclusiva, a gente se satisfaz criando artifícios que dependam da boa vontade do consumidor: que ele queira clicar, que ele queira brincar, que ele queira postar, difundir, interagir.

Pena que todo consumidor seja mau caráter, espírito de porco, promíscuo e mal-humorado. Principalmente quando está na Internet.

Varejional ou Institurejo?

14/09/2010 em Propaganda | Tags: , | 10 Comentários »

Imaginemos que nosso cérebro seja composto de compartimentos independentes, gavetinhas à nossa disposição para serem abertas e fechadas quando assim desejarmos.

Para simplificar, vamos supor que só existam duas: a gaveta de miudezas do nosso cotidiano, administrada pelos nossos reflexos, nossos valores, nossas picuinhas, nossos sonhos, nosso todo dia; e a nossa gaveta comercial, gerida pelo nosso bolso, nossa carteira, nossa grana, nossa falta de grana, nosso excesso de grana ou nossa possibilidade de mais grana.

Quando estamos assistindo à novela na televisão, a gente está com a gaveta das miudezas abertinha, alimentando-se ávida ou sonolentamente dos dramas, das graças, das sabedorias. Daí vem o “plim-plim”, que nos ajuda a rapidamente fechar essa gavetinha e abrir a outra, a do bolso. E pronto, enfiamos ali as ofertas, o novo produto, a mensagem toda emocional ou cheia de graça para comprar aquilo lá que está no pack shot.

Se fosse simples, seria mais ou menos assim.

Só que também aprendeu-se que a propaganda, quando é boa, é capaz de abrir também a gavetinha das miudezas, simultaneamente. É da capacidade que temos de acioná-la, apesar do “plim-plim”, que podemos entrar nos inefáveis impulsos do cotidiano das pessoas. E bingo, vão usar a grana da outra gaveta para encher a gavetinha das miudezas.

E se fosse mais complicado? E se as pessoas não tivessem essas gavetinhas aí? Só tem uma gavetona toda bagunçada em que as coisas da vida se misturam com as coisas da grana.

A má notícia é que é mais ou menos assim mesmo que a gente funciona e é justamente por isso que a propaganda pode ser tão inteligentemente bem-sucedida ou vergonhosamente fracassada.

Mas ainda tem gente que pensa que as pessoas são compostas de vasos não comunicantes e fazem ora propagandas para vender (as tais comunicações de varejo), ora propagandas para emocionar (as tais comunicações institucionais). Nas primeiras, já que estou falando com a gaveta da grana, tem que ter grana. Nas segundas, já que estou na gaveta do coração, tem que ter emoção.

Confuso, né?

O New York Times sem papel. E daí?

13/09/2010 em Internet | Tags: | 2 Comentários »

O que tem de bombástico o anúncio de Arthur Sulzberger Jr. de que “algum dia, o New York Times deixaria de ter versão impressa”?

Nada. E impressiona o fato do que a mídia, no mundo inteiro, repercutiu a frase, como se fosse uma profecia assegurada.

A mídia continua confundindo o meio de campo e segue achando que a revolução que está em curso refere-se tão somente a uma questão de plataforma ou device.

Se o papel vai deixar de ser um suporte para o New York Times ou qualquer outro veículo de mídia impressa, é, com muito boa vontade, uma simpática afirmação digna de um congresso de ambientalistas histéricos. Portanto, tão irrelevante quanto óbvia.

Há muito tempo que a questão não está mais em como sustentar um suporte velho como o papel e que sempre chega e chegará com atraso à casa das pessoas.

As questões centrais estão na forma como o conteúdo é produzido, quais são seus custos fixos, como lidar com os direitos de autor e como garantir um mínimo de apuração.

O centro das preocupações deve ser como construir um novo laço de conexão com os leitores que não dependa mais da superioridade decorrente da propriedade da informação, pretensiosamente encabeçada pela mídia. O consumidor de informação não tolera mais essa superioridade, de poucos para muitos.

Os jornais podem desistir amanhã do papel e estar só online, no éter ou nos sinais de fumaça, que eles continuarão ameaçados ao persistirem com uma estrutura própria e exclusiva de produção de conteúdo.

A greve do Google

10/09/2010 em Internet | 1 Comentário »

Imaginemos que, amanhã, a Internet entre em pane. Vai ser pior que a ameaça de invasão do PCC: pânico. É quase impossível dimensionar a nossa dependência e inimaginável antecipar os prejuízos.

Mas, do nosso quintal, dá pra chutar com algum grau de acerto: nenhuma campanha sai, nenhuma apresentação de planejamento vê a luz, se todas as ferramentas de busca de todos os sites fizerem greve.

Se a Internet é uma eficiente vaselina nas rotinas, ela também é um amortecedor de iniciativas.

Dar um “google” – no sentido amplo do substantivo e não do nome próprio – é útil, mas já perceberam como essa atitude se antecipa a qualquer esforço intelectual?

Antes de colocar qualquer neurônio para se exercitar, a gente vai chafurdar na grande rede, dichavar seus infindáveis meandros e naufragar na primeira resposta razoável para nossas hipóteses precoces.

Antes de ler, antes de reler, antes de conjecturar, contemplar, meditar, rabiscar, “Dá um google aí, mané!” Depois de meia dúzia de cliques e de leituras arrevesadas, o espírito crítico anestesiado e a paciência com o pai na forca, a gente conclui, copia e cola.

E assim nascem os desk-research, os relatórios de tendências, os raciocínios, as análises, os caminhos criativos, os insights, as ideias.

Antes de dialogar, debater, trocar uma ideia, “Search aí, bocó!”. Enfurnamos o nariz no teclado, e o tutano se dissolve no mocotó digital.

Dizem que neurônio é como pinto: falta de exercício atrofia.

Longa vida à World Wide (WIDE!) Web

09/09/2010 em Internet | 5 Comentários »

Em seu confuso artigo “A Web está morta. Longa vida para a Internet”, Chris Anderson da Wired profetiza, mais uma vez.

Embora seja difícil diferenciar Net (Rede) de Teia (Web), sua tese repousa numa tendência de concentração de interesses e atração em plataformas online mais completas e fechadas (o que ele chama de Internet) em detrimento de navegações à deriva (o que ele chama de Web).

Parece ser mais confortável ter um iPod, um iPhone, um iPad, uma camiseta I Love Mac e uma tatoo da maçã mordida no peito. Aparentemente tudo conversa mais facilmente com tudo e os aplicativos se integram com lógicas semelhantes. Da mesma forma, o Facebook é uma plataforma que pode integrar muitas aplicações em seu microcosmo: sem sair de lá, você se relaciona, se diverte, se informa, se arquiva, se autopromove, se arruma na vida, se casa e continua com alguns prospects.

A profecia da hora também dá conta da facilidade de viabilização econômica desses ambientes “integradores” da Internet em oposição a modelos de negócios que ainda tateiam para sobreviver, em particular aqueles oriundos da mídia tradicional, em estado semi-catatônico.

Há muito tempo que a mídia desistiu de ser só informativa para investir na análise. E em matéria do admirável-mundo-novo-da-revolução-tecnológica, a análise vira profecia num piscar de olhos. Como a memória é curta, ninguém vai cobrar ninguém e fica tudo bem. Lembro-me de capas antigas da Wired que anunciavam a falência iminente da Apple por absoluta intransigência de integração com outras tecnologias, do estonteante domínio dos mundos virtuais à la Second-Life, da impossibilidade de sucesso de redes sociais fechadas como o vovô Geocities etc. Nada disso aconteceu, mas quem lembra?

Pangloss diria que todo mundo lê a Wired justamente para evitar desastres iminentes.

Lembro-me de um profeta mais prosaico de quem assisti uma palestra com uma centena de entusiastas donas de casa em noite de alforria. Dizia ele ao anunciar suas visões: “No ano que vem, pessoas importantes morrerão. Outras não. O papa, talvez”. O papa “talvez” me fez gargalhar, que Deus o tenha, porque ele, de fato, finalmente, bateu as botas.

Mas a provocação do editor da Wired – damos-lhe o crédito de alguns chutes pro gol – encerra o modismo do momento: apontar o Google (que abre as portas da Web) como o grande irmão odioso e o Facebook (que acolhe todo mundo com conforto e segurança) como eterna princesa donzela.

Os Yankees são chegados demais na adoração de corporações e marcas. Todos os vieses das análises sempre recaem na apreciação dos negócios, das empresas ou – no caso específico da Wired – das personalidades por detrás delas. É como se nós, obedientes ovelhas, estivéssemos sempre sendo arrastados pelas tendências que elas criam ou – no caso específico da Wired – em adoração majestática aos capitães e suas geniais ideias.

Até agora, a única profecia com um mínimo de credibilidade é uma simples constatação: nesse admirável-mundo-novo-da-revolução-tecnológica, tudo muda rápido, tudo surge rápido e tudo morre rápido.

Portanto, ainda nos resta a torcida filosófica: entre a prisão da redezinha fechadinha toda formatadinha e pasteurizadinha, entre o modismozinho idiotizante e a liberdade, eu fico com a liberdade. Da World Wide (WIDE!) Web.

A Internet é mais que uma plataforma

08/09/2010 em Internet | Tags: | 5 Comentários »

Já existe mais de um celular por habitante no país e já, já vamos encontrar uma situação similar na Internet: as pessoas tendem a ter muito mais do que um ponto de acesso a ela.

Quando o F/Radar, pesquisa que calcula há 3 anos os comportamentos dos consumidores em várias áreas, inclusive Internet, a primeira providência na montagem do questionário foi tentar encontrar uma forma nova de acessar esse dado sem cair nos vícios burocráticos tradicionais (filtros inadequados, perguntas mal compreendidas etc.). Logo na primeira leitura, o número de “internautas” (palavra odiosa criada no ultrapassado apartheid digital) saltou significativamente em função da metodologia e principalmente porque em vez de medir a “posse” de acesso à Internet simplesmente mediu-se o acesso. Muitas pessoas (a maioria) não pagam uma assinatura de Internet, mas nem por isso podem ser consideradas excluídos digitais. Afinal de contas, lan-houses, pontos de acesso gratuitos, casas de amigos e parentes dão oportunidade a muitas pessoas que não podem pagar por um provedor, mas mesmo assim são “internautas”.

Mas ainda falta uma população muito grande de brasileiros com acesso à Internet muito pouco pesquisada quantitativamente. Trata-se de toda a geração de pessoas que nasceu quando a Internet já era relativamente popular: os adolescentes entre 12 e 16 anos. Quando começarem a ser contabilizados e estudados, o número deve saltar mais uma vez e, principalmente, veremos surgir, nos números, uma geração multiconectada, com hábitos e comportamentos muito distintos daqueles que se adaptaram.

Esses indivíduos, que somam mais de 10% da população brasileira, certamente têm a Internet como central nas suas vidas. A mesma centralidade que a televisão tinha numa geração anterior. É muito provável que, para eles, muitos paradigmas válidos para a mídia tradicional  estejam invertidos, em particular no acesso à informação e entretenimento. Para eles, a Internet é sem dúvida a  plataforma prioritária.

Quando comparamos as plataformas (Internet com TV, por exemplo), podemos inferir que a interatividade e a colaboração exercem uma mudança radical de comportamento nesse público. Um veículo que não considere essas duas características como centrais (e não adereços pseudomodernizantes como o fazem a maioria dos veículos tradicionais em suas plataformas digitais), seria um veículo com menos prestígio, credibilidade e popularidade.

Da mesma forma a velocidade no fornecimento da informação e a gratuidade do conteúdo são os alicerces de qualquer veículo que pretenda atingir essa geração, e consequentemente, a geração seguinte, daqui a alguns anos. Pagar por algo não palpável é um contrassenso para eles. Muitos pensam que a responsabilidade dessa maneira de pensar é dos veículos que disponibilizaram seus conteúdos de graça no início. É miopia pensar assim, porque o que está em questão é a própria credibilidade da estrutura tradicional de geração de conteúdo: broadcast de poucos para muitos. Na Internet tudo é de muitos para muitos.

Ainda, o conteúdo livre de direitos é outra pedra de toque para essa geração. Para eles, a reserva autoral de lei não é injusta, é incompreensível. A própria noção de autoria não é fator da origem criadora do conteúdo, mas da divulgação deste. Em outras palavras, criador não é quem cria mas quem espalha.

A questão central pra mídia não é mais a adaptação de plataforma (embora muitos ainda patinem nessa chucrute);  o fulcro da mídia na Internet é interatividade, colaboração, velocidade, gratuidade e uma nova autoria.

Mídias novas e velhas: la même chose

01/09/2010 em Internet, Propaganda | Tags: , | 1 Comentário »

O Brasil vive numa ilha de relativa harmonia e passa ao largo das grandes crises que o mercado publicitário enfrentou, no primeiro mundo.

O modelo de negócio foi tão questionado e colocado em cheque que, muito antes da atenção do consumidor se esfacelar numa constelação de veículos, ele acabou se reequilibrando apesar de não resultar em visível incremento qualitativo na missão primeira da propaganda – a saber, ser um instrumento de venda. O resultado mais evidente foi uma certa perda de prestígio da atividade publicitária e um consequente nivelamento por baixo das receitas e dos salários.

Quando as fórmulas tradicionais para atrair e seduzir os consumidores foram revisitadas com as plataformas digitais – mais numerosas, férteis e mensuráveis – os modelos clássicos de negócio faliram e o segmento foi obrigado a se “especializar”. Receita compartilhada entre muitos agentes trabalhando para um único cliente levaram a compensações salariais achatadas, que levam à menor capacidade de atrair talentos, o que leva à piora qualitativa, que leva pro buraco.

Graças a muita coisa – maturidade, estabilidade, configuração e concentração na mídia, qualidade, técnica e talento – o mercado brasileiro singra outros mares de relativa paz, apesar da dor de cotovelo dos franco-atiradores que insistem em rebelar-se contra os modelos de remuneração.

Mas, quando se encaram as novas mídias, ainda prevalece um pensamento apartado, pouco integrado do modelo de negócio. Os argumentos da especificidade desses meios conduzem a novas maneiras de avaliar retornos para o cliente que levam a fórmulas de receita diferenciadas, que levam a novas maneiras de remunerar talentos, o que leva a rediscutir tudo de novo, inclusive o que está indo bem.

A propaganda em meios tradicionais tem exatamente a mesma função da propaganda em meios não tradicionais. Sem tirar nem pôr, seus objetivos são rigorosamente iguais, mesmo que as nomenclaturas sejam diferentes. É a regra do quanto: quantas pessoas a propaganda impacta, atrai e seduz. Simples assim.

É totalmente lógico que sua remuneração seja fator, portanto, dessa capacidade de impactar, atrair e cativar audiências. Na mídia nova e na velha.

Se o objetivo é o mesmo, se o cliente é o mesmo e se o consumidor é o mesmo, então por que discutir um modelo bem-sucedido à luz de um modelo que engatinha?

Enquanto o modelo de negócio das agências não integrar todas as mídias numa mesma lógica de receita, as mídias marginais permanecerão marginais. As mídias deficitárias permanecerão deficitárias.

Sem falar no contágio.