Tem tanto fornecedor online que deve dar dinheiro esse negócio

Às vezes, a sensação que temos não é de que o cliente jogou um DDDrin na gente e saímos correndo para todos os lados como baratas tontas, atolados em prazos e sem saber exatamente por que estamos saindo do ralo?

Às vezes não dá a sensação de que a Internet é tão vasta, tão movediça, tão intempestiva, que estamos sempre enxugando gelo e que nossos eventuais sucessos são obras do acaso?

Para fazer frente a esses percalços, a gente doura a pílula. De um lado fazendo retroestratégias fiando todas as iniciativas em um colar troncho. De outro, construindo cases lindos, animados e entusiastas que já são criações das criações.

Difícil saber se é consequência ou causa, mas o fenômeno também se caracteriza pela multiplicação profícua de fornecedores de serviços digitais, de agências online, estrategistas, arquitetos, designers e outras denominações ainda mais criativas. Não é incomum constatar que muitos anunciantes, embora concentrem a sua estratégia de comunicação em poucas agências, na hora do assim chamado “online”, têm especialistas pra tudo.

Existem vários adendos explicativos ou hipóteses para esse fato, por exemplo, o velho argumento protecionista de que o mundo “online” é diferente e cheio de microespecificidades. Ou ainda, de que quem está autorizando essa miríade de fornecedores gosta de experimentar na maquiavélica (no sentido próprio da palavra, e não pejorativo) tática de dividir para reinar.

Mas é bem provável que, assim como é melhor fazer barba, cabelo, bigode, unha e depilação em um mesmo lugar, é mais inteligente, econômico e, principalmente, estratégico concentrar suas iniciativas de comunicação sob um único chapéu.

De quem a culpa, da agência que não vê estímulos financeiros para investir? Do anunciante, que não vê complementariedade entre as plataformas online e offline? Provavelmente ambos.

O fato é que o resultado que vemos por aí, quase sempre, só faz diferença nos videocases do umbigo pra dentro, só é relevante nos power-points pra gringo ver.

4 thoughts on “Tem tanto fornecedor online que deve dar dinheiro esse negócio

  1. Isso! Exatamente! Grande parte dessa balbúrdia toda é malabarismo para inglês ver – leia-se cliente – e mistificação protecionista. Uma vez, uma conhecida minha, da área, me perguntou o que eu fazia em publicidade. Falei que era redator. Ela: de que tipo? Eu: como assim? Ela: tem vários, on-line, off-line. Eu: sou tudo-line. Sendo mais específico (e parcial), eu até entendo que, na hora da execução de uma ideia – aquela hora técnica pós-concepção, em que cada um assume seu talento/especialidade – um webdesigner (melhor seria dizer especialista em mídias digitais?) tenha de dominar ferramentas e linguagens em alguma medida diferentes das exigidas a um diretor de arte “convencional”, pré-Internet. Mas o redator, no exercício da redação, não. Nossa ferramenta é a Língua Portuguesa, assim mesmo, com maiúsculas. No que ela difere do on-line para o off-line? Em nada. E não me venha com esse papo de linguagem, de “internetês”. Eu já redigi em “produto-de-consumês”, em “farmaceutiquês”, em “tecnologuês”, em “industrialês”. O problema são as abreviações? Eu aprendo. As gírias? Eu aprendo. O tamanho? Putz! Nada mais fácil! Dê-me um meio de comunicação e um público, que eu dou um jeito de falar de uma forma bem interessante com ele. Pode ser em 140 caracteres.

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