Boa propaganda mata mais do que inspira

Excesso de escolhas mata a escolha. Como aqueles cardápios infinitos que dão preguiça de ler, como aqueles templates que escolhemos afoitamente quando testamos um aplicativo, como entrar na Bloomingdales. Dá pânico. Dá pânico ler guia de cidade turística, o Louvre dá pânico, o controle remoto também e o manual da nova câmera.

Desespera saber que o Bach Werke Verzeichnis (o catálogo de músicas de Bach) tem 1126 obras e que todas universos de infinita imaginação. Dá tremedeira buscar referências. Dá dor no peito e de barriga olhar um short list ou qualquer best of. Dá suor frio browsear as melhores campanhas do mundo. Dá medo. Trava mais do que inspira.

Nossa disciplina, muitas vezes irrelevante para o consumidor, de jamais criar algo que de longe lembre outra coisa, o pavor do olhar crítico de nossos semelhantes, extirpam muita alegria do trabalho.

Para o planejador, referências são como cintos de castidade: exasperam e criam desvios perigosos. O que já foi dito e pensado leva-nos para o que sobra. E talvez não seja a tôa: sobrou porque é ruim.

Para culminar a opressão, ainda lidamos com um caminhão de ferramentas e metodologias. Para os micos amestrados, são um save my ass. Mas para os inspirados, atrapalham e frustram.

Antes de sair enchendo os braços com cabides e mais cabides, antes de metralhar seu repertório com pesquisas e mais pesquisas, que tal pensar no briefing com a cabeça vazia, sem parti pris, sem medos nem referências? Que tal uma dieta de internet, de festival, de conferências? Jejum de todas as metodologias. A propaganda está te deixando chato e medíocre. Pare de ver propaganda imediatamente.

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