Ele não

No dia 20 de fevereiro de 1933, um grupo de 24 paletós escuros reunia-se a portas fechadas com um importante membro do partido nazista. O objetivo da reunião era de trazer suporte financeiro à plataforma anticomunista do então candidato a líder do Estado Alemão.  A negociação, porque não se tratava evidentemente de uma imposição pela força àquela altura (o partido nazista ainda era visto com muito desprezo pela elite política e militar do país), dava conta de vantagens objetivas e calculáveis.

A tese principal do discurso de Goëring para pedir suporte faz parte da regra máxima do discurso dos extremos: me apoie para vencer o outro lado. Lute contra o Comunismo (ou lute contra o Nazismo).

A única diferença é obviamente a capacidade nula que um discurso de extrema esquerda tem de convencer elites financeiras, portanto de arrecadar suporte substancioso para uma campanha eleitoral. Em troca de que ela apoiaria uma campanha? Em troca da tese de que maior justiça social é bom para todos? Trabalhadores submissos X Trabalhadores empoderados?

E a questão aqui é o antes da eleição. Não se trata do depois, quando todo cordeiro, branco, preto ou vermelho, vira lobo.

Alguns meses depois daquele inverno gelado e congelante, o candidato apoiado pelos empresários foi eleito democraticamente. A gente conhece o resto: a dissolução do parlamento, o golpe, a guerra. A gente conhece Inclusive como a dívida foi paga àqueles sóbrios chapéus de feltro: dezenas de milhares de judeus, ciganos e oponentes ao regime, “submissos” e “baratos”, fornecidos à Telefunken, Krupp, Thyssen, Opel, Bosch, Basf, Afga, Bayer para trabalhar nos contratos militares que “ganharam”.

#Elenao.

Texto livremente inspirado de “L’ordre du jour” de Éric Vuillard

 

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