As redes sociais contra a democracia. Ele muito mais.

Circulou uma foto medonha que dá o tom do nível de histeria perigosa na qual se transformou a campanha eleitoral de 2018. A imagem que mostra um homem sendo torturado foi tatuado com o slogan da campanha anti-Bolsonaro. Essa montagem tem significados distintos quando veiculada nos dois lados da disputa. Os contra o candidato tentam mostrar o risco que sua eleição pode representar. Mas quando a imagem é veiculada por aqueles que o apoiam, no entanto, expressa uma ameaça àqueles que se opõe a ele. As atitudes, igualmente duras, são distintas na intenção. A primeira é de pavor, a segunda é de violência. A primeira é de “justo”, a segunda de algoz.

Mas para além da escolha de lado, o terreno onde se opera essa oposição é relativamente novo para todos. Esse território que realça e engessa as diferenças, esse espaço de fronteiras intransponíveis porque ocultas e que provocam diarreias retóricas primitivas, inviabilizam o debate de ideias e o diálogo. Esse espaço se chama redes sociais com seus algoritmos de afinidade que nos afundam em um mundo sem contrastes.

As redes com suas estratégias comerciais que vendem perfis e dados de potenciais consumidores a anunciantes criaram algoritmos destinados a “clusterizar” padrões de comportamento, consumo, gostos, ideais. É o ouro do negócio. Um ouro que consiste exatamente em criar vasos que não se comunicam, onde só se interage com semelhantes e que despertam embates de egos intermináveis e endógenos. Nesses repositórios de identidades exacerbadas, as mensagens publicitárias têm maiores chances de qualificação da audiência e assertividade, de uma forma que nunca antes foi experimentada.

O preço a pagar é que quando escapamos da interação com o polegar em um espelho diminuto da realidade e passamos a interagir com o mundo, lá fora, enorme, que gira em muitas dimensões e milhões de pessoas diferentes, a capacidade da escuta, do diálogo, da troca civilizada, inteligente e sensível de ideias, fica muito prejudicada. O preço a pagar é a perda de referências de valores, é o enterro miserável dos direitos fundamentais dos seres humanos. O preço a pagar é o fim da democracia.

As redes que já mobilizaram defesas humanitárias importantes, as redes que já foram capazes de derrubar tiranos e salvar milhões, são mais poderosas onde florescem a falta de educação, a ignorância, a falta de escrúpulos e a mentira. A maldade se propaga mais facilmente que a tolerância. A escrotidão viraliza melhor do que a inteligência.

#Elenao #Democraciasim

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