A imagem e a verdade

Quando os terroristas do Hamas invadiram o Sul de Israel, muitos deles tinham câmeras ajustadas em seus uniformes. Para quê? Haja visto o horror testemunhado depois, não parece que a motivação tenha sido prevenir “abusos”, como é o caso das câmeras da polícia em algumas cidades do mundo.

Se numa guerra, a primeira vítima é a verdade, nas redes sociais, a primeira vítima é o direito à neutralidade.

Quando uma imagem é postada numa rede social existe uma espécie de ditatura que recusa o direito à neutralidade. Ver é implícita e perniciosamente renunciar ao direito de nem concordar, nem discordar. Isso sem falar de quem vê e espalha, mesmo que seja repudiando. Somos vítimas de uma corrida maluca que nos obriga a ter lado, ter um lado. A ditadura da imagem nos impõe sermos pró um ou pró outro. E ao ser pró um, somos anti outro. E vice-versa. Somos todos antisemitas ou islamofóbicos.

Já se dizia o mesmo da mídia quando as redes sociais nem existiam. O consumo da informação em contínuo também nos fazia correr para o abismo. Mas a mudança, com as redes sociais, é de nota, porque a regra de ouro é performar. Como se performar fosse sinônimo de informar-se. Como se performar fosse sinônimo de analisar. Performar é apenas ser o mais rápido da turma, mesmo que seja com o prejuízo da verdade.

Já estamos em queda livre.

A menos que, a gente siga o conselho do meu amigo Joaquim que, do alto dos seus 8 anos de idade, ficou 3 dias fora das redes e conseguiu dormir melhor.

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