Deu no Google

10/03/2010 em Uncategorized | Tags: , , | Deixe um Comentário »

- Você soube?
- Soube o quê?
- Ué, mas você está muito desinformado. A Suécia afundou.
- Afundou
- Sim, afundou.
- Nossa!

- Alô?
- Oi, tudo bem?
- Mais ou menos né?
- Como mais ou menos?
- Fiquei arrasado. A Gina morreu?
- Quem é Gina?
- Não sei, mas fiquei mau.

- Oi, e aí?
- Aqui nada e aí?
- Aqui só essa notícia incrível.
- Qual?
- Bom, parece mesmo que o homem caiu.
- Caiu!
- Caiu!
- Como você soube?
- Você não lê o Google? Deu no Google!

O exército francês, na segunda guerra mundial, ainda tinha cavalaria e garbosos soldados de penacho e roupa vistosa. Do outro lado, os tanques dos alemães, nem fum com os ridículos gauleses. “Esses franceses estão brigando com quem? Com os palhaços do circo?”

Está na hora de descobrir qual é a maior marca de informação, de INFORMAÇÃO do planeta. Não duvidaria nada que fosse: “o Google, né, mané?!”


   
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Fichas técnicas mal resolvidas

10/03/2010 em Propaganda | Tags: | Deixe um Comentário »

Um engenheiro tem satisfação quando a ponte que ele desenhou se debruça sobre o Rio. Um cirurgião, tem inefável prazer quando retira uma pereba de dentro de um paciente. Um escritor, quando seu livro se enche de poeira numa estante qualquer. O lojista, quando a dondoca sai da loja equilibrando-se sobre aqueles improváveis saltos que ele conseguiu vender.

A gente gosta de produzir. De ver nossos filinhos na rua, inclusive eles. É quando o tempo merece ser ganho, o resto a gente gasta.

Felicidade de paizão orgulhoso.

Um publicitário curte esse momento também, quando a idéia sai da cachola, ganha cara, jeito e fala, e se exibe, lindona, nas mídias. Entusiastas apresentações e até palmas e lágrimas de reunião são coitos interrompidos e quando muito, ejaculações precoces. Gozo a gente só tem depois, com sorte, se o filho escapar da gaveta e for parar na televisão, na revista, na rua, na internet.

O cara de marketing se excita mais ou menos com a mesma coisa. E isso, às vezes, dá um problemão de poli-patriarcado. O filinho, sai inseguro com a multi-autoria, a multi-autoridade, a multi-personalidade. Pode até sair um bicho sem pé nem cabeça, ou vinte pés e nenhuma cabeça, ou o contrário, depende.

Mais ou menos por isso, Deus criou o homem e a mulher, o pai e a mãe. A ficha técnica da natureza é mais bem resolvida.

Já imaginou uma mãe reivindicando seus espermatozoïdes e o pai passeando um útero imaginário?


   
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O caipira leva no papo

08/03/2010 em Sei lá | 2 Comentários »

Ele era um homem de valor. Daqueles que a gente admira.

Sua fala era direta, sem salamaleques. Ele avisava sempre “olha, gente, eu sou assim, falo o que penso”, eram sem refinamento as suas maneiras: “me perdoem, eu sou simples”, sem cerimônia suas invectivas: “seu bando de merda” e portentosa sua conta bancária, conquistada no suor do bisavô mascate.

Mas o que realmente encantava, deixava os janotas embevecidos, era o sotaque. Caipira de mascar cigarro de palha, bugre de mãos calejadas e dentadura de segunda mão. Falava arrastado, engolindo as sílabas finais, temperando o discurso com barrocas expressões. Todos babavam com esse Riobaldo com crédito até nos estrangeiros.

E como ele sabia! Seu pai dizia “filho, nunca esqueça, suas raízes estão aqui e enquanto permanecerem bem enterradinhas nessa roça, você vai dar nó em todo mundo”, enquanto sorvia seu Darjeeling Harney and Sons em compassados goles.

Era assim desde que o pai fora estudar no Sul. A escola era uma oligarquia de pó de arroz. Todo mundo mangava de sua roupa de linho engomada, tão démodée, coitado. Aprendera os modos e fora para a Europa. Apesar de treinado, por lá, o regionalismo virava exotismo. Mas nas temporadas de Gstaad, ele levava as loiras no papo e no bolso.

Quando o pai voltou para o fim do mundo, naquela terra longínqua, aquele cabrobó de dá dó, continuou assim, cultivando o jeito simplório pra inglês ver enquanto passeava sua Bentley no canavial.

De vô pra pai pra filho até que um dia nasce um príncipe encantado que põe tudo pra danar.

Quem preserva o sotaque leva no papo quem mija pra trás.


   
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Felicidade é a NET ler o meu blog

05/03/2010 em Sei lá | Tags: | 6 Comentários »

Olá Fernand,

Meu nome é Eduardo e trabalho na área de relacionamento da NET.

Li um post no seu blog e, buscando a satisfação de nossos clientes, gostaria de te ajudar a sanar qualquer dúvida ou problema relacionado aos serviços NET. Pelos dados informados, não consegui localizar o contrato. Por favor, envie o código de assinante ou um telefone de contato para que eu possa lhe ajudar com o seu caso.

Att.
Eduardo Mendes – Relacionamento Net

Senhor Eduardo, muito obrigado. O problema já foi resolvido.


   
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O mundo não vai acabar amanhã

05/03/2010 em Sei lá | 1 Comentário »

Dizem que um pivete bateu a carteira do Bill Gates. Foi uma comoção. Todos os veículos, revistas sérias e menos sérias, cobriram o evento. Especialistas foram convocados para discutir o impacto da gatunagem, outros cientistas, as causas do evento. Teorizou-se muito e ativistas, profetas e outros do manicômio manifestaram-se.

Investigações mais profundas, CPI’s e a Interpol, finalmente revelaram o tamanho do prejuízo sócio-financeiro: o magnata, possuidor de uma fortuna estimada em 40.000.000.000 de dólares foi surrupiado em 50.

Foi mais ou menos o que aconteceu com os 8 centímetros que se moveram no eixo da terra depois do terremoto no Chile.

Apesar de alguns que insistem em dar cobertura cataclísmica em rede nacional, com ares compenetrados e apocalípticos, fora matar menos gente do que qualquer epidemia de resfriado, derrubar menos favela do que qualquer viaduto e amplificar menos choro do que qualquer enterro de líder comunitário, o terremoto no Chile teve o efeito de um soco de pulga no saco de um elefante.

A questão que atormenta no entanto é por que será que as pessoas estão tão desesperadas para que o mundo acabe? Por que queremos tanto que tudo dê errado, que o mar esparrame, que os rios transbordem e que o planeta chupão nos castigue?

Sorte minha que vi um macaquinho no jardim hoje de manhã, que não tinha trânsito, que o meu amigo do sinal me contou uma boa e que, afinal de contas, se a mal educada da gata fez xixi na minha mochila é que está na hora de comprar uma nova.

Pai Nosso que estais no céu, fique por lá e nós ficaremos por aqui, na nossa Terra, que é, por vezes, tão bela.


   
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