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Fazer bonito pra ninguém ver é bico

14/05/2010 em Propaganda | Tags: | 2 Comentários »

Na Internet, na revista, no jornal, se tu não curte a propaganda tu não dá bola ou pula. Na televisão só dá sono porque tem mesmo é que segurar as pontas. E mesmo que tu tenha o trampo de gravar as paradas pra ver depois. Ai que preguiça!

Mas tu entra lá em qualquer best off de qualquer festival e só vê coisas legais que capaz de tu curtir mais do que o que vem depois ou antes do intervalo. Até porque vamos combinar que propaganda legal pode ser mais bacana que certos folhetins, botocados de auditório e peladas.

Então porque é que nego não inventa um prêmio por categoria de audiência. Não interessaria comparar carro com carro, geladeira com geladeira, bebida com bebida. O que liga aqui é comparar o que se vê muito com o que se vê muito, o que se vê médio com o que se vê médio, o que se vê pouco com o que se vê pouco.

É assim, presta atenção. “Ouro” vai pro melhor da categoria acima de XXXX pessoas impactadas. Se ganhar cerveja, carro ou lançamento imobiliário, não interessa. Vai ganhar ouro a melhor propaganda vista por mais gente. E “prata”, “bronze” e “papel” pra níveis inferiores de audiência (XXX, XX e X pessoas). E se forem diferentes mídias, tudo bem, os patamares mudam (porque não seria justo comparar a audiência da revista DBO com a do Globo Rural na TV)

Não inviabiliza nenhuma outra competição, mas pelo menos assim a gente vai sacar que é difícil pra cacete fazer propaganda boa que muita gente vê e bem mais fácil fazer propaganda boa que ninguém vê.

Capaz de ganhar “ouro” um monte de porcaria e o prêmio “papel” ir para os ouros de Cannes, D&AD, Clio, Festival de Londres e CCSP.

Porque todo jurado pensa igual mas faz diferente?

13/05/2010 em Propaganda | Tags: | 6 Comentários »

Está aberta a temporada de caça às premiações, que ainda são as mais eficientes formas de dar visibilidade e reputação a uma agência de comunicação. Não há discussão para esse argumento. Podem falar, espernear, invocar os espíritos justiceiros e os orixás empresariais, mas ainda são e serão por muito tempo os louros criativos o fiel da balança que separa as boas das menos boas.

É um jeito. É o jeito.

Nas antípodas desse fato, existe a propaganda real que segue modorrenta, repetitiva, conspurcada por impulsos aparentemente menos nobres do que aqueles que habitam os jurados dos prêmios.

Todo o mundo, do mais talentoso ao mais comportado, do mais agraciado ao mais hostil, do mais brilhante criativo ao medíocre, sabe perfeitamente distinguir uma boa propaganda de uma ruim. Os argumentos são surpreendentemente os mesmos, as referências idem e as apreciações também. Todos os jurados são iguais e, colocados de lado os interesses individuais legítimos, o crivo é rigorosamente o mesmo. A única diferença está na generosidade de uns e outros. É até comum perceber que a tendência é quase inversa à lógica: quanto mais premiado o jurado, mais tolerante.

Então onde está o real talento?

E se a criatividade não fosse a diferença que qualifica uma boa de uma má propaganda? Porque todo o mundo sabe as mesmas coisas e julga da mesma forma.

E se o bom publicitário não fosse o mais criativo, mas o mais convincente, o mais corajoso, o mais teimoso, o mais sedutor?

É na rua que a gente separa os homens das crianças, e não na sala de justiça, nem no palco.