Category Archives: Internet

É só um crachá e nada mais

Nunca podemos menosprezar o ambiente gelatinoso e experimental da Internet. Uma das seduções desse universo, talvez a mais visceral, é a descoberta, a vertigem do novo, a fronteira do status-quo, da convenção, da regra, da monotonia. É essa natureza rebelde, mutável, imprevisível que fascina e vicia porque a Internet é o último reduto dos inconformados.

E quando uma onda fica ou parece muito poderosa, quando desafia a independência e a identidade, quando tenta pasteurizar os comportamentos e nivelar os gostos, quando um movimento, uma plataforma, uma marca levanta o nariz com ares de poder provinciano, quando uma ideia outrora inteligente derrapa na voracidade mercantil, quando uma empresa listada e cheia da grana vai às compras porque não consegue mais atrair boas ideias, é o começo do fim. Da noite para o dia caduca, apesar das mentiras bem contadas pelos crachás catequisados.

Esse déja vu consola.

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A Internet finge

É esse mundo sem fronteiras, em que as distâncias derretem, as geográficas, de língua, de idade, de raça, esse mundo imediato em que as relações se estabelecem sem pudores nem vergonhas, esse mundo sem privacidade nem propriedade, esse mundo sem limites, da consagração, da comunhão, é esse mundo que vivemos.

Nessa sociedade wiki, a informação flui e a dúvida derrete, a estranheza dá lugar à simples diferença, a maioria dá o tom da verdade e a mentira perde as calças, nessa sociedade o conhecimento vence o dogma e o ópio, nessa sociedade que fizemos.

Mas por que, então? Por que as velhas mágoas, as velhas disputas, as velhas identidades mortíferas? Por que branco versus não-branco, rico versus sujo, pobre versus parasita? Porque, fingimos.

Este mundo livre, esta sociedade informada e a Internet, não resolveram o tato, o faro, o químico. Só existe relacionamento entre seres de carne se existe troca de energia, de líquidos, bafo, humores, carícias, afagos, aconchegos e tapas, e beijos.

Sem toque, o preconceito persiste.

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100 papos para impressionar em 2014

A vida social obriga-nos a entreter gente que não conhecemos, não nos interessa ou com as quais não temos afinidade. É para isso que existem tendências: um almanaque de assuntos de salão. Aí vão algumas boas selecionadas pela JWT Intelligence, livremente tropicalizados.

  1. As impressoras 3D estão se popularizando. Você vai se amarrar nos bibelôs de resina. A Vitoria da Samotrácia feita em casa, que tal?
  2. Já tem software que vai te transformar no Michelangelo sem tirar a mão do seu Ipad. Experimente o 3Doodler!
  3. Se você é da turma zozotérica mas acha tudo meio caído, que tal o yoga de baixo impacto? Está pegando até em Joanesburgo e consiste em se fazer as posturas de cabeça para baixo.
  4. Se você quiser investir em arte mas já não sabe onde colocar tantos Koons, Hirst e Varejão, aposte em El Anatsui de Ghana e Wangechi Mutu do Quênia.
  5. O que o suhi tem em comum com o futuro dos cosméticos? Experimente a linha Algenist da Solazyme com componentes feitos a base de alga e pare de se lambuzar com petróleo.
  6. O ambient commerce é uma palavra bonita de se usar, mesmo que sempre tenha existido. É antecipar-se ao desejo do consumidor. Se o cara correu 300 milhas, registradas no seu Nike+, está na hora dele comprar um novo tênis. Uma marketing direto recauchutado.
  7. Esqueça as filas nos aeroportos, nos museus, na catraca da Disney. Tudo virtual sem tirar o pé da pantufa e a mão do saco de pipoca. Veja o Oculus Rift virtual reality headset: um must em viagem de cadeira de rodas.
  8. Se seu filho é um retardado social e vive amolegando suas próteses virtuais, saiba que já tem tratamento para essa nova patologia.
  9. Se você acha que museu é, digamos, um museu, saiba que eles também acham. Por isso, a moda  agora é incubar artistas como se incubam ovos de  granja ou start ups.
  10. Preste atenção na Awesomeness TV, um canal do Youtube. É o ponto de encontro preferido dos coçadores de saco, metidos a vídeo-stars e diretores de criação sem ideia.
  11. Spam, não gostamos, mas Spam com pertinência, quem resiste? O Apple’s Ibeacon fisga o comprador por Bluetooth oferecendo aquele vigésimo conjuntinho preto do seu guarda roupa.
  12. Lembra do tempo que a Europa tinha 36 moedas diferentes? Está acontecendo isso na Internet. Depois do Bitcoin, já tem Namecoin, Worldcoin, Anoncoin e outros coins.
  13. E por falar em moedas do além, já tem gente trocando a moeda virtual por coisa de verdade. Por exemplo a Virgin Galactic para seus vôos espaciais.
  14. Le Corbusier dizia que o supermercado é a catedral do século XX. A Urban Outfitter e a Ikea já estão planejando bairros inteiros. Quer coisa melhor que morar numa loja?
  15. Alvo em gênero é tão bobagem quanto dizer que sexo é genético. A Johnnie Walker está focando na mulher e muitas marcas de cosméticos nos homens.
  16. Viajar no espaço não te leva a lugar nenhum, mas marcas estão querendo precisamente isso: confira a Axe Apollo Space Academy ou o concurso da KLM Claim your place in space.
  17. O Brasil está na moda já é um clássico. Em outubro, rolou o Be Brasil em Nova York com o melhor da nossa produção-além-havaianas.
  18. Dizem que São Paulo com seus museus exuberantes e galerias deslumbrantes está entre as 12 cidades artísticas do futuro. O Brasil tem futebol, mulata e arte. Tem até exposição de – adivinha quem – no novo Perez Art Museum de Miami: Beatriz Milhazes.
  19. Aplicativo novo é sempre uma boa conversa para passar o tempo. Que tal o MyBreath? Você arfa pra dentro e saem recomendações de bem estar.
  20. Primeiro o cigarro, agora as fragrâncias. Locais de trabalho já estão proibindo o uso daquele Paco Rabanne que abafa quarteirão. Quem tem faro para novidade, usa produto sem cheiro.
  21. A China já é o quinto maior produtor de vinhos do planeta. A maioria é digna da galeria Pajé mas a Decanter World Wine Awards 2013 já destacou 20 vinhos chineses.
  22. Se você ainda acha que sapato novo ou relógio tinindo vai lhe dar credenciais para galgar os píncaros do reconhecimento social, está enganado. A Patagonia está liderando uma iniciativa para reciclar produtos. Vem aí desfile de saco de lixo.
  23. Começou com barmans gatos, garçonetes hipsters, tatuagens para todo lado e muita atitude. Agora nem drink se faz mais. Atendimento é decoração porque sai tudo da chopeira, já prontinho e delicioso.
  24. O ser humano está descobrindo que é ser humano, ou seja, um bicho social. Estão em voga iniciativas comerciais suportadas pelas comunidades. Você paga por mês e recebe comida, flores e até arte. O que estive mais fresquinho.
  25. Parece que tem muita gente lendo Eckhart Tolle e seu Power of now. Empresas incentivam  consumidores a largarem o celular e viverem o momento. Provavelmente para estimular a Compra now e não tomorow.
  26. Comprar é bom mas melhor é tocar, lamber, esbanjar no ato, sair vestindo. Por isso, a pressão é toda para um delivery mais rápido e eficiente. Especialista em delivery é a carreira do futuro.
  27. Gringo é chegado num coquetel. Para a geração abstêmia e sua tia freira, que tal a nova onda de coquetéis sem álcool, os mocktails. Vai lá ver no NoMad.
  28. O deleite dos descasados, solteiros convictos ou gourmets egoístas: comprar todos os ingredientes de um prato sofisticado em mínimas porções. HelloFresh é a mais famosa opção mas já já sua tia freira que gosta de mocktail vai fazer pra vender também.
  29. Tem gente apostando na era da impaciência e a briga é boa: Amazon, eBay, Google, Walmart, Home Depot estão na guerra para a entrega em horas.
  30. Açúcar, sal, gordura, conservantes. Se você for comer algo que não foi colhido ontem e vai apodrecer amanhã, cuidado, o vilão da vez é o  colorante artificial. Em breve, na sua mesa, sorvete de pistache branco e chocolate bege.
  31. Seja lá o que for arte digital, já tem até leilão. Difícil entender mas você pode comprar um domínio, como o ifnoyes.com por exemplo. É uma espécie de screen-saver on-line assinado.
  32. Juntando duas mega-blaster-tendências – a espetacularização e a vida digital – o velório já tá na rede. Sem nada para fazer domingo à tarde? Que tal um velório online?
  33. Meu pai sempre disse que não comemora aniversário de casamento porque não se comemora o começo da guerra, só o fim. Virou moda comemorar o divórcio. Tem até bolo de descasamento.
  34. Desde que Jeff Bezos da Amazon disse que investiria em entrega por drones, já tem gente apavorada com o aviãozinho servindo detetive particular.
  35. O cigarro eletrônico que já era uma geringonça constrangedora – “aquele ali é um ex-viciado mamãe!” – também será regulado. Ainda vão regular os órgãos regulatórios por estressar a população com suas regulações.
  36. Você pede sorvete no cone ou no potinho? É super-tendência a criação de embalagens comestíveis. A WikiPearl promete tornar comestível qualquer tipo de embalagem. Já o gosto…
  37. Os homens estão se sentindo preterido pelas mulheres e estão surgindo grupos de suporte e advogados especializados em dar colo aos machos frágeis.
  38. Depois do animal-print: o planet-print. Tecidos mostrando galáxias, solo lunar, espaçonaves estão em toda parte. Você se sentia poderosa de onça? Experimente um vestido de Vênus.
  39. A vaca está pressionada por um adversário de peso: o tofu. A Chipotle, um fast food que posa de santinho já introduziu a iguaria. Em breve nos PFs e quilos do Brasil.
  40. E se você descobrir que sua cueca é feita por escravos anãos na etiópia com tripa reciclada de rinoceronte? Quem fez? Como fez? Onde fez? Com o que fez? Tudo conta. Confira a Zady, uma inimiga do fast fashion.
  41. As relações são passageiras então por que perder tempo lendo enormes perfis? O Tinder é um aplicativo que te ajuda a achar seu par só pelo feeling. Vai durar pouco mesmo, o que você tem a perder?
  42. Assim que o Google Glass entrar no mercado, um enxame de aplicativo vai parasitar. Baseado na previsão do tempo, por exemplo, um aplicativo indica quanta água você deve beber. É, a tecnologia anda pra frente e o homem pra trás.
  43. Religião sem meter Deus no meio é uma super tendência. Tem rituais e tudo mas sem padre nosso.  Só dízimo.  Dá só uma olhada na Sunday Assembly.
  44. Já imaginou um jantar entre amigos, todos portando google glass? Já tem proibição de uso do  google glass em alguns ambientes. Já legislaram sobre “google glass and drive”?
  45. Os hackers estão de olho na sua geladeira e no seu carro. Está na hora de você instalar anti-virus no seu google glass também.
  46. Tecnologias que usam sensores táteis estão em franco desenvolvimento. São versões mais modernas do vibrador. Na versão mais fofa, Huggies fez os pais sentirem como é estar grávido.
  47. Sabe aquele seu amigo de barba, camisa xadrez e bermuda e que termina cada frase cruzando os dedos em hashtag? Avisa lá que até a sua tia freira faz a mesma coisa.
  48. Você digita na privada? Já estão discutindo em Nevada, uma lei para proibir a livre digitação na rua.
  49. Você gosta da papinha cenoura e maçã do seu filho? Já pintou a versão natureba delivery. Petitorganics.com
  50. O bom da tecnologia é que você evita o toque humano, cheio de erros, bactérias e compromissos. Depende do gosto. Se você usar o aplicativo da Gatorade, pode ter contato com um personal trainer de carne e osso. Nesse caso…
  51. Você já ouviu falar em mixologistas? São pessoas especializadas em fazer misturas. E a novidade é fazer cubos de gelo com misturas de frutas, xaropes, ervas, temperos, nozes, insetos e o que mais lhe der na telha.
  52. Todo mundo já escorregou no botão enter e postou o que não devia, para sempre. Legisladores no mundo inteiro discutem o “direito de ser esquecido”.
  53. Tem gente grande para além das fronteiras da Amazon. O e-commerce Jumia da Nigéria promete ser o maior varejo do continente.
  54. Robô para todos. Faça o seu comprando o kit Lego Mindstorms EV3.
  55. Um dos poucos diferenciais que ainda restaram aos canais de TV tradicionais é a transmissão “ao vivo”. A NBC já  planeja produzir grandes musicais apenas para transmissões desse tipo. Vem aí, o inédito “a noviça rebelde”.
  56. Salões de maquiagem-express estão pipocando. Por US$ 25 você dá aquela retocada básica na Rouge New York.
  57. A maconha é a nova soja. Com a liberação controlada do consumo para fins diversos ou o exemplo avant-garde do Uruguai, já surge um mercado. Daqui a pouco vira commodity negociado em bolsa.
  58. “La donna è mobile” e o emprego também. Já pintaram uns aplicativos para ajudar você a encontrar o emprego certo pulando de uma entrevista para outra. Tente o Souktel’s JobMatch.
  59. Na onda dos comunicadores que viciam sem antídoto, os aplicativos (Line, We Chat, KakaoTalk) estão virando plataformas de e-commerce.
  60. Metadata é o palavrão da vez. Significa o estudar para quem, de quem e onde você manda mensagens online. Não importa o conteúdo. É a versão cyber-histérica do “diga me com quem andas que lhe direi quem es”.
  61. Sabe quando você percebe que a atenção dos seus ouvintes está escapulindo? Quando a busca pelo timeline perdido é mais importante do que seu discurso? É falta de mindfulness. Já tem até curso.
  62. A lua de mel era para desvirginar a vida íntima em longos cruzeiros glamorosos. Ninguém tem tempo para isso. Ganhar dinheiro é mais importante. Para casais com pressa dos finalmentes, chegaram as mini-moons. Tempo é dinheiro.
  63. E por falar no tempo escapulido, editores estão sinalizando o tempo de duração de uma leitura. Proust, 1 milhão de horas, vai encarar?
  64. Na sociedade do mínimo esforço e vício máximo, chegaram as seringas sem agulha. São jatos inseridos diretamente sob a pele em alta velocidade.
  65. Quanto mais imersivo, melhor. O headset Oculus Rift promete uma experiência sem limite. Põe a carinha no buraquinho e bem-vindo ao esquecimento absoluto.
  66. As OTT TV (Over the top TV) proliferam. Tratam-se de aplicativos na televisão que permitem acessar os conteúdos on-demand. Sim, você não precisa saber de onde vem o que você vê. Vai clicando que você acaba encontrando.
  67. Aparência é tudo na vida protética das redes sociais. Tem aplicativo de montão para deixa-lo tão sedutor quanto aquele seu amigo que já nasceu de cabelo estratégico, bigode em riste e tatuagens enigmáticas. Experimente o Facetune e arrase.
  68. Os podcasts, quem diria, estão em voga. Mas esqueça aquelas transmissões maçantes de gurus enfadonhos. O palco é todo para celebridades. Confira o Podcastone.
  69. Privacidade é como assistir documentário cabeça: todo mundo gosta mas ninguém pratica. De qualquer forma, a privacidade é discutida hoje na idealização de qualquer projeto, desde o início. É a “privacy by design”.
  70. E a privacidade é um argumento de venda. É tendência encriptar suas mensagens com o Cryptocat ou PixelKnot e arquivar dados no Personal.com ou no Respect Network, mais seguros que banco suíço.
  71. A gastronomia étnica está se superando. Chegaram as cozinhas étnicas regionais. Fondue Savoyarde é tão diferente de Boeuf bourguignon quanto sushi de pato laqueado.
  72. Se tem uma coisa que um robô pode fazer melhor que cachorro, é segurança. O Knightscope’s K5 tem visão noturna de alta definição e detecta e reconhece pessoas.
  73. Experiências imersivas continuam fascinando as pessoas. É uma espécie de teatro participativo  com roteiro e super-produções.
  74. Iogurte grego é como pão francês: é puro marketing exótico. Mas a moda continua e agora com novos sabores experimentais: pepino, girassol, chili, salmão defumado, etc.
  75. As fast-food continuam investindo no seu core business: mais fast do que food. KFC, Five Guys e McDonalds estão experimentando aplicativos em que você compra e paga online para retirar na loja sem pegar fila.
  76. Está ficando mais fácil digitar ao volante: o Q50 da Infiniti pode permanecer em uma faixa, fazer curvas e ficar a certa distância dos carros da frente sem que o motorista use as mãos ou os pés. A Mercedes e a Volvo também tem suas experiências.
  77. Uma imagem vale mais que mil palavras ao pé da letra: alguns educadores pensam em incluir nos currículos escolares aulas de expressão visual.
  78. Fazer viagens turísticas podem ser verdadeiras maratonas. Literalmente e sem metáfora. Experimente a Go! Running em Barcelona ou a City Running Tour em Nova York.
  79. Você já chutou uma vending machine? Agora elas podem chorar ou chamar a polícia. A tendência é o desenvolvimento de vending machines cada vez mais inteligentes e interativas.
  80. Você cansou de colocar meleca na cara para dar aquele up? Experimente o muco de caracol da Petit Gris.
  81. Putin é sempre assunto. As olimpíadas de inverno da paradisíaca cidade de Sochi irão custar 50 bilhões de dólares. Em matéria de destino olímpico, o Rio de Janeiro que se cuide.
  82. Os Estados Unidos são a nova Belíndia. A desigualdade econômica voltou a níveis anteriores a 1920. Na Europa, já estima-se que 43 milhões de pessoas não tem bastante comida na mesa. Que isso nos sirva de consolo.
  83. A Coréia é o novo Japão. O Soju é o novo Saquê.
  84. Como a linguagem visual vai substituir a escrita, com que precisão as palavras serão trocadas por formas e cores, não sabemos. Mas vale a pena dar uma olhada nos rótulos da Motif Wine.
  85. Mashup é a nova onda esportiva. Já tem o futegolf, por exemplo. Tipicamente inventado por alguém que não entende nada de bola. Vem aí o F1ball.
  86. Comida saudável não é necessariamente sinónimo de comida gostosa. Algumas cadeias de restaurantes como a Lyfe Kitchen e a Seasons 52 estão preferindo omitir que a sua comida é saudável, embora seja.
  87. Todo veneno tem seu antídoto. Todo talento também. Ser multitarefa já foi um diferencial competitivo. Mas quem faz tudo ao mesmo tempo não faz nada direito. A habilidade em voga é o foco.
  88. A segunda tela será a primeira. A MTV lançou  sua série Wait’til next year para tablet antes mesmo da TV. O mesmo para a Disney com sua série infantil Sheriff’s Wild West.
  89. O excesso de tecnologia pode ser uma fobia e a falta dela uma tendência.
  90. Mais e mais aplicativos estão sendo desenvolvido para diagnósticos. Peek, para problemas de vista, uCheck para diabetes, SkinVision para medir o perigo das suas pintas de pele, etc.
  91. A ubiquidade é quando o homem brinca de ser Deus. Estar aqui, ali e acolá é uma tendência com os robôs-avatar (Suitable Technologies, VGo, iRobot, Anybots etc).
  92. Sabe aquele chapéu de cangaceiro do Luiz Gonzaga? Na Austria é super moda usar lederhosen (aquele short de couro com suspensório super sexy). É o folclore na crista.
  93. Você come com os olhos ou com a boca? Se você prefere a boca, vai adorar a tendência: marcas vendem mais barato produtos defeituosos mas igualmente deliciosos, como a Wunderlinge na Australia ou a Edeka na Alemanha.
  94. Imperfeição é sexy. Seguindo a tendência dos castings “pessoas de verdade”, várias agências já selecionam modelos com o inimitável charme defeituoso. Confira a top vesga Moffy da Storm Models.
  95. Fumaçodromos para adeptos do cigarro eletrônico prometem ser o point da galera descolada. No aeroporto de Londres procure gente bonita no Vaping Zone.
  96. A vingança do alface. Sabe aquele alface decorativo que ninguém come e que pula de prato em prato? Chefs do mundo inteiro entronizaram os vegetais.
  97. Estima-se que que 10 a 15 % dos reviews de leitores são falsos. Já existem empresas especializadas em criar reviews e também empresas especializadas em autentica-los, como a Bazaarvoice.
  98. Mais uma fofurice vinda do oriente: stickers de  pelúcia.
  99. Convergência é quando tudo faz tudo e você não escolhe, submete-se. Para aumentar a confusão o XBox quer ser hub de entretenimento, competindo com o Netflix, a Amazon, etc. Até Spielberg foi contratado pela Xbox entertainment studios.
  100. Que iphone ou Galaxy que nada! A tendência é o Xiaomi, o smartphone mais hypado da galáxia, ou seja, da China.
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Redes sociais ou gabinete de curiosidades

Queiramos ou não, relacionamentos são intrincadas teias hierárquicas. Embora seja arriscado etiquetar pessoas em gavetas e vitrines – afinal de contas gente é areia movediça – um pouco de ordem conforta.

Nossos relacionamentos se organizam em redes que, embora se cruzem nos mais complexos ou em ocasiões excepcionais, estabelecem um grau de profundidade da relação assim atribuída pela de maior interação.

Vejamos.

No seu aniversário, por exemplo, existem aqueles que aparecem na sua casa antes de você acordar. Esses dividem cama e escova de dentes.

Depois tem aqueles que combinam de te encontrar para te pegar, dar um beijo, um sorriso e um vale livro.

Descendo um degrau, tem gente que te manda email. Há  tanta intimidade nas frases lapidadas!

Seguindo na hierarquia, alguns telefonam porque a vida é uma loucura mas sentem uma saudade asséptica.

Depois, temos os que mandam mensagem de texto pelo celular com palavras carinhosas e abreviadas.

E lá embaixo, junto com a catraca do trabalho que te manda um parabéns, junto com o cartão da livraria que está tão feliz por você nesse dia, tem a mensagem que calibra sua popularidade.

Lá embaixo, lá no fundo do fundo, onde você coleciona curiosidades e não relacionamentos, tem a mensagem no facebook.

É nesse lá embaixo, lá longe, que as marcas tentam ser amigas das pessoas.

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A internet é a reunião de condomínio

Tudo que é novo, vem carregado de paixão e promessas. Se não for, não vinga.

A gente acreditou que a Internet era libertária, que daria  vez aos escondidos, tímidos, periféricos. Daria tanta vez e voz quanto o voto representativo, o orçamento participativo, tanto quanto o a eleição direta do síndico do seu prédio.

Mas o quórum de uma reunião de condomínio costuma ser o mesmo deserto da câmara de deputados numa quinta feira ou o mesma aridez das colaborações de um orçamento transparente.

A gente acreditou na cauda longa e no jornalismo cidadão. A gente acreditou que os pequenos negócios iam florescer e dar oportunidade de emancipação financeira aos oprimidos. A gente acreditou que a manipulação das grandes grifes da imprensa ia ser desmascarada pela atuação massiva do povo.

Tudo que é novo, vem cheio de superlativos. Se não vier, não é novo.

Mas a Internet é o palco de uma extraordinária concentração nunca vista. Tudo ou quase tudo passa por meia dúzia de hubs de distribuição. Meia dúzia de marcas dominam o comércio e meia dúzia de marcas dominam a mídia, por exemplo.

Claro que os relativistas de plantão vão bradar contraexemplos, mas parece que o mundo virtual é uma selvagem cadeia alimentar.

Ainda estamos preocupados com assuntos periféricos – direito autoral, privacidade, soberania, fraudes. Mas enquanto isso, meia dúzia de síndicos – eleitos por nós –  dão as cartas.

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Humanidade bonsai

A vida é a deliciosa ilusão de tentar se encontrar indivíduo.

Talvez nosso mais importante discriminante seja a capacidade que temos de formar um gosto e seu corolário, o senso crítico. É o que nos define, identifica, diferencia, individualiza.

A maturidade não é nada mais nada menos do que o desabrochar do senso crítico.

Mas a modernidade é uma corrente contrária: um contra-fluxo poderoso que incentiva a padronização e premia a vulgaridade.

O gosto que formamos, hoje, se dá através da reputação e da fama em detrimento do conhecimento. Quanto mais estrelas um livro tiver, mais recomendável ele se torna. Quanto mais likes uma notícia, mais relevante. Quanto mais views um fato, mais verdadeiro.

Não importa a opinião referenciada. Não importa a fonte. Não importa a prova. Só importa o sufrágio.

O que será de nós quando a grandeza de uma obra literária será atribuída através da quantificação robotizada de pseudo-inteligentes algoritmos? A Amazon, ou melhor dizendo, o robô da Amazon, monopolista e perdulário, será o crítico definitivo, absoluto, inquestionável, universal, plenipotenciário.

É, muita internet infantiliza. Atrofia.

 

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Milhares de amigos afora

Quantas vezes você ficou aflito pensando numa resposta que você não deu numa rede social, num email que você não respondeu, num texto que você postou mas pensando bem, talvez tivesse sido melhor esperar? Quantas vezes você teve a sensação de estar perdendo algo porque ficou digitalmente abstêmio por alguns instantes?

Quanto tempo você costuma ficar sem olhar no celular? Quantas tempo em média você fica com quantas pessoas? Quantos toques, olhares, afagos você troca? Quando foi a última vez que você falou de você com sua própria língua para uma pessoa a menos de 10 metros de distancia, olhando nos seus olhos, talvez segurando na sua mão, sem hora marcada? Quantos amigos você adentra?

Compara com a última vez que você mandou um email, gostou de uma foto, postou um comentário ou uma cena real que você viu para fotografar, comentar, cacarejar, milhares de amigos afora?

Na batalha do tempo, quem venceu? E se quanto mais amigos afora você tivesse, menos amigos adentro você curtisse?

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Menos antidepressivo, mais insegurança

Você se acha gostoso e inteligente no Facebook? Cuidado, você está senil.

Não existe sensação mais perigosa do que o entorpecimento da autoconfiança, aquele conforto do poder, a pança da segurança blasé, o bem-estar de saber distinguir o gosto do desgosto.

Quando sobre tudo se tem uma opinião que a “experiência” lhe conferiu, quando a fluência do monólogo  é cômoda e o ouvido atrofiou de tanto escutar-se, as soluções rápidas não são apuros de raciocínio e inspiração mas preguiça disfarçada de sabedoria.

Essa sensação é chamada de senilidade e acomete moços e velhos cronológicos.

Estranhamente ou não,  é muito comum entre os jovens das gerações acolchoadas que nasceram a um clique de toda a informação, a um passo do ócio voluntário. Caduca  cedo a geração que parece já ter nascido sabendo.

Estranhamente ou não, os da geração que ralou o joelho no recreio, que decalcava enciclopédia e tinha roupa de sair e outra de bater aprende rápido a ficar senil. Caduca rápido a geração que teve que teve aula de Facebook.

O remédio para tudo isso é diminuir a cota de antidepressivos, naturais, artificiais, medicinais ou fantasiosos. É tomar menos prozac, fazer menos plástica e principalmente posar menos para o celular. É consumir menos pílulas de saber, menos elixires de prazer instantâneo, menos shopping, menos seriados, menos masturbação virtual nas redes.

O remédio é ser humano temente à natureza das coisas: fraco, só e inseguro.

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Desligar o Facebook não mata ninguém

Sabe aquele seu amigo que sabe de tudo, lê tudo, indica coisas que você nunca suspeitou que existissem? Sabe aquele cara que é sempre o primeiro a dar uma informação, aquele máquina de dados? O cara que posta opinião sobre tudo e todos, com farta exemplificação? Em suma, o sujeito que lê todas as revistas e principalmente aquelas de auto-ajuda empresarial? Você não morre de inveja de suas citações tão apropriadas, de sua memória, de seus “veja bem”, “olha só”, “você não leu na Fast Company”?

De dar complexo de inferioridade.

Mas a revanche é pensar que muitos não passam de  empreendedores de social games, terroristas de apartamento, revolucionários de power points, artistas de mash-up. Replicam com sofreguidão, muitas vezes sem filtro nem senso crítico, o que peneiram por aí.

Quem muito planeja, pouco se arrisca. Tanta erudição é um disfarce para esconder limitações criativas ou só muita insegurança.

Essas pessoas são pródigas e, depois que inventaram a Internet, elas se multiplicaram assustadoramente. A tal ponto, que as vezes, é de se pensar que a facilidade de acesso à informação é um veneno, uma trava, um inibidor de coragem e criatividade.

Menos Internet as vezes é um bom remédio. Mas que difícil.

 

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Google e Facebook morte lenta

Quando, finalmente, esganamos ou escravizamos nossos inimigos, o barrigão cresce e a  libido fica preguiçosa.

O Google, como todo monopólio, estão perdendo o viço. É natural: até ganhar louros e dinheiro cansa. Mas a semente da senilidade, nesse caso, é outra e se chama liberalismo insano.

Claro que tudo ainda está muito encoberto por um estrondoso sucesso de público e dinheiro.

Mas já faz algum tempo que o Google deixou de ser uma ferramenta de busca por conteúdo e tornou-se um repertório comercial organizado por relevâncias pagas ou espertas. Já faz algum tempo que o Youtube virou um shopping center de vídeos no mais clássico estilo do cinema de laboratório. O Gmail, a grande arapuca do marketing direto, já afirmou que seu compromisso não era nem nunca foi com privacidade.

Evidente que eles ganham todos os holofotes e todos os dinheiros do mundo.

Só que está ficando fastidioso buscar algo no Google sem ser invadido por uma farta oferta comercial. Páginas e mais páginas de inutilidades antes de encontrar uma informação. Tente procurar, por exemplo, Victor Hugo: vai ter as marcas, os filmes, os restaurantes, as livrarias, os hotéis, as lavanderias e até quitanda online, muito antes de ter alguma coisa realmente interessante sobre o autor da Lenda dos séculos. Não surpreende depois que Debussy seja um teatro, um restaurante, uma empresa de pintura, antes de ser compositor.

E o problema não é a propaganda paga, é justamente a “gratuita”. O SEO está matando a relevância. Melhor procurar logo as velhas marcas do passado, os jornais, as enciclopédias, as obras de referencias, os dicionários. Ou claro, a Wikipedia, esse patrimônio da humanidade.

O Facebook, e suas ejaculações sociais, não passa, nem nunca passou, de uma troca superficial de conteúdos pré-digeridos. Nunca se interessou em ser um arquivo organizado de fatos e histórias, nunca sequer se perguntou para que existia além da óbvia ganância. Então, não vale nem perder muito a pena para decifrar sua missão.

Mas a Internet é rebelde e tem tempo. Todo monopólio é um corpo estranho nesse ambiente anárquico, orgânico e que acalenta os gênios da contravenção ideológica. Ainda bem.

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A culpa e a Internet

A Internet foi um enorme salto quantitativo na comunicação interpessoal. Encolheu o tempo e o espaço. Mais rapidamente interagimos, resgatamos relações esquecidas e tanto faz se estamos a cem ou cem mil quilômetros de distância. E tomamos gosto com essa incontinência comunicativa. Isso nos dar uma espécie de poder sobre a vida alheia. O poder de saber, de bisbilhotar, de se exibir também. Dá-nos a sensação de estar quites com os outros e com nós mesmo. Um simulacro de autossuficiência.

Fora isso, tem o balsamo ao egoísmo e à culpa.

Antigamente, dava trabalho relacionar-se com pessoas. Era preciso tempo, foco e renúncia. Se alguém partia, era necessário esperar o correio para reatar sentimentos e saudades. Se alguém sumia, era preciso suor para reencontrar vestígios e coragem para religar as pontes. Se alguém adoecia, era preciso levar laranjas e flores e padecer na cabeceira. Antigamente, toda ausência era mais sofrida e mais intensa. Uma relação que se mantinha era um cimento.

Hoje os relacionamentos banalizaram-se na medida em que os obstáculos – os tempos e espaços – foram removidos ou ilusoriamente substituídos. Basta um email de vez em quando para dizer que se ama. Basta uma busca no facebook para reatar. Basta um SMS para prestar solidariedade. Basta um ou dois cliques para sentir-se menos egoísta e culpado.

Talvez devêssemos encontrar outras palavras para qualificar relacionamentos, amizades, amores de antigamente. Ou talvez essas relações mais viscerais, profundas e ricas não passam de literatura.

Apesar da parafernália que nos une, estamos cada vez mais enganados e isolados.

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A vaca chutou o balde

A temperatura era alta na sala. O leite ordenhado comprara castelos na Espanha, Ferraris, iates, jóias, seduzira as mais lindas mulheres, celebridades, reis, imperadores e a Rede Globo.

- Gente, a big idea é criar um aplicativo que conecta pessoas através de uma realidade aumentada ligada via satélite com a estação espacial internacional que recria uma ambientação holográfica com light mapping em 3 D e sensores de movimentos que estimulam o córtex límbico enviando sinais eletromagnéticos diretamente nas sinapses do prepúcio, induzindo um big gozo estelar.
- É uma gamificação fantástica!
- Um social engajor!
- Vai gerar earned media, PR!
- É uma plataforma de conteúdo nas own medias!
- Titanium, gente, titanium!
- Já imaginou o vídeo case com o Justin Bieber?
- O programa do Carl Sagan e o Larry King!
- E o Porta dos fundos?!

O estagiário levantou a mão e, tímido, mas determinado, pergunta:

- E a nível de filme de propaganda de 30’ na televisão? Alguma big idea?

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Viralização pela hora da morte

É gozado como as tendências no mundo da propaganda operam em surtos calibrados pelo nível de sofisticação de quem os lança. Ainda tem gente falando de “estratégias de redes sociais” por exemplo, como se fosse o último grito das passarelas ou de “branded content” achando que descobriram a pólvora para economizar na mídia. Mas um termo que vira e mexe contamina os discursos é o bem-aventurado vídeo viral.

É como se existissem regras de “viralização” que quando seguidas garantem o contagio. Mas as regras são desejos insondáveis porque os vídeos mais chatos e mais engraçados, mais caretas e revolucionários, mais inteligentes e mais dementes, mais papai mamãe e mais pornográficos, podem viralizar de forma inesperada.

Mas o que faz dessa tendência uma falácia extraordinária, no entanto, é que a forma como mensura-se o sucesso da pretensa estratégia (quantidade de vezes que o vídeo foi visto, comentado, compartilhado, etc.) não subtrai o investimento feito (muitas vezes às escondidas) em mídia.

Assim desnuda-se a tendência da viralização para descobrir que viralizou porque veiculou (sic). Descobre-se também que o investimento por visualização ou compartilhamento é menos competitivo do que se esperava. Mas tudo bem, a estratégia foi um sopro de modernidade.

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As echcrotas do Facebook

Mais um vídeo hilário que é daqueles fenômenos de marketing acidental.

Não fosse pela finesse e sofisticação da garota, a sua lição de etiqueta no Facebook não passaria de mais uma fazendo o politicamente correto: falar mau da over exposição das pessoas nas redes. Não passaria de mais um papo sobre o que é certo e o que é errado. Mais um faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.

Como sempre nessas horas, o vídeo viraliza-se e é imediatamente uma unanimidade, uma referência, vira notícia em todo lugar, sem nenhum senso crítico ou sutileza.

Apesar das gargalhadas envergonhadas, é uma triste realidade que esse vídeo escancara. E não é porque fala a verdade mais ululante sobre a promiscuidade explícita das redes.

Houve um tempo em que as referências eram outras. Um tempo em que nos espelhávamos em padrões mais elevados, inteligentes e polidos.

É triste perceber que se a Luane está dizendo que não podemos nos expor no Facebook como fazemos (porque gostamos de fazer mesmo sabendo que é ruim) fica a estranha sensação que essa pornográfica exposição é pior do que imaginávamos. Ela se assombra e se horroriza. Difícil ver um pior exemplo para dar lição. Tragicômico.

E que português nojento, socorro.

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O esnobismo às avessas das agências digitais

Quem arrota mais leva a fama, mas o come quieto leva a grana. E se tem uma coisa que é unha e carne com a propaganda é amplificar qualquer mínima ideia. Até a mais prosaica, a mais falsa, a mais inviável delas, vira um case prodigioso.

Mas as agências tradicionais, os mastodontes que encabeçam a lista das maiores entre as maiores, com centenas de formigas diligentes e obedientes, processos e métodos, intrincadas teias políticas e vetusta imagem comem quieto quando se trata de demonstrar sua vitalidade no frisson digital.

Não é muito lógico, logo elas, especialistas em cacarejar, parecem tímidas adolescentes diante das flamejantes agências digitais. Essas, que preferem nomes mais barrocos, tirados de um baú pseudo-intelectual, tomam a mídia e as salas de reunião de assalto com o argumento pirlimpimpim: nós somos o novo.

E toda a arrogância e a pretensão das gigantes é reinterpretada com megalo-nanismo (de nanismo e onanismo) pelas digital-agencies ou outras nem tão digitais mas igualmente off-Madison.

Por quê?

Complexo de inferioridade mau curado? Para disfarçar estruturas em construção? Imaturidade? Ou simplesmente por que está dando certo? Talvez só instinto de sobrevivência.

Mas a verdade oculta é que os dinossauros tiraram o pó e são habitados hoje pelos mesmos milleniums de sneekers volumosos. A verdade é que a entrega e a qualidade da produção “digital” ou integrada das velhacas é a mesma. A verdade é que as mesmas referências, os mesmos congressos e festivais, as mesmas pesquisas, o mesmo slang erudito são os mesmos gadgets nas apresentações dos pesos pesados, pesos médios e pesos pena.

A título de confirmação irônica, chamar uma digital agency de digital agency é uma heresia que ninguém ousa pronunciar.

Quando o dinheiro era pouco, ele migrava para as alternativas. Agora que ele é muito, o jogo é outro.

O que interessa as marcas, as empresas, os anunciantes não é a “novidade” ou a “subversão”. Não é ser grande, médio ou pequeno. O que interessa é a entrega, integrada, pensada, nova, original. O resto é esnobismo às avessas.

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Escambo.net

- Meu Deus, os caseiros levaram de novo a batedeira! Vou lá… Bom dia Seu Francisco.
- Salve patrão.
- Por acaso a batedeira lá de cima está aqui?
- Está sim Senhor.
- Sabe, Seu Francisco, eu acho bonito esse jeito do Senhor.
- Qual jeito, patrão?
- Esse jeito “o que é meu é seu, o que é seu é meu”.
- Obrigado, patrão.
- Mas sabe qual é o problema: o Senhor não tem nada, então sempre me dou mau.

O Estado – e o nosso mais do que muitos – é um monstro de muitas cabeças egoistas. O Brasil do século XXI é um país submisso a um poder exacerbado, centralizador e burocrático. Nem o nosso jeitinho tão criativo consegue mais driblar os tentáculos públicos. Eles estão nas leis, nos tributos, nos financiamentos, nos programas sociais, em todas as obras de infraestrutura e interferem na atividade comercial e empreendedora.

O Estado brasileiro é uma colônia de carrapatos.

Isso não significa, é claro, que do outro lado, no privado, existam santos oprimidos. Ninguém é mártir nesse jogo e os vasos são promiscuamente comunicantes.

Para o cidadão comum, só lhe resta duas alternativas: sofrer ou parasitar.

Mas existe uma terceira via. Sem jeitinho nem cambalacho. Sem masoquismo nem paralisia.

Quando uma pessoa vende ou aluga um bem seu para uma outra pessoa – uma casa, uma geladeira, um carro, um passeio de cachorro, uma jardinada – o Estado não existe. Não existe imposto, nem burocracia, nem jogos de poder, nem corrupção.

É o peer to peer, que faz bem para as pessoas porque descolam um dinheiro, faz bem para o planeta controlando o desperdicio, faz bem para a alma porque dá o troco no Estado e nos seus financiadores privados ao mesmo tempo.

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Cuidado com o espelho

Intimidade ou privacidade são palavras muito fora de moda. É de se perguntar porque as pessoas ainda usam roupas para esconder as vergonhas. E vergonha é outra palavra que deveria ser extinta do vocabulário contemporâneo. Assim como compostura e senso do ridículo.

As redes sociais são infalíveis espelhos da natureza do nosso tempo.

No começo vemo-nos refletidos com cautela e recato. E aos poucos, a gente solta a mão, o verbo, a cerimônia. Quando menos percebemos, estamos de cueca na mão, saltando numa banheira de hidromassagem, fazendo pose pra câmera, exibindo-se sem nenhum filtro, com doses cavalares de pretensão. Com o tempo, nossas ambições pueris tornam-se públicas.

E quando vem a ressaca, perguntamo-nos: quem somos? Aquele exibido da suruba pública, que só revelávamos em sonhos, terapias ou confissões?

Em “A noite de Varrenes”, filme do Ettore Scola, Marcello Mastroiani faz Casanova, o velho nobre de tantas conquistas e corações partidos. Em determinada cena, ele adentra um banheiro público com sua monumental nécessaire. Senta-se no vaso e de frente para o espelho, retira a peruca, limpa o rosto e mostra-se. Feio, muito feio: “as pessoas não merecem minha decadência”. Ao segundo suspiro, retoca a maquiagem, penteia a cabeleira e sai, lindo, sedutor, irresistível.

Nas redes sociais, a caricatura oculta é o retrato público.

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Na Internet, não adianta anunciar o que você quer vender

Porque os mapas nos situam e mostram o caminho, eles são um leme existencial. Mapa é uma coisa linda porque seus intricados desenhos transformam o caos em lógica serena. Mas sobretudo, adoramos mapas porque não precisamos mais manuseá-los para a gente se achar. A busca no GPS faz isso por nós.

Antigamente, a gente viajava cheios de mapas que nunca conseguíamos dobrar nos vincos certos.

Antigamente, a gente viajava na Internet na mesma lógica que nos ensinaram. Todos os conteúdos estavam agrupados em enormes portais que classificavam os assuntos em complexos mapas de navegação e menus. A Internet era uma espécie de enorme biblioteca. Impossível se achar nos seus infinitos corredores sem mapa.

Mas tanta organização é incompatível com a natureza da Internet: anárquica, orgânica, complexa, inefável, promíscua e mística.

O GPS da Internet são as ferramentas de busca. Essa obviedade é importante porque mudou ou tem que mudar a forma como fazemos comunicação.

Há tempos atrás, na Internet, quando uma marca queria vender uma coisa, criava um lugar na Internet para essa coisa e um mapa (através de inúmeras formas de fazer propaganda) para que os consumidores chegassem lá.

Mas ninguém quer saber de mapa na Internet. Procura o GPS (mais conhecido como Google).

Portanto, a lógica é outra: se você quer vender uma coisa, não adianta anunciar o que você quer.

Primeiro, descubra o que o consumidor quer de você. Se o que ele quer de você não coincide com o que você quer dele, fisgue-o primeiro pelo que ele quer e depois ofereça o que você quer dele.

Simples assim.

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Vender online não é coisa de nerd

Fato: O e-commerce nos Estados Unidos representa menos de 5% das vendas do comércio. Está crescendo a taxa de roedor, mas a Amazon já tem quase 18 anos de vida.

Fato: 80,6% de todo trafego referenciado do e-commerce, nos Estados Unidos (alguém clicou em um link para chegar em uma loja) se origina no Google enquanto que apenas 9,7% vem do Facebook.

Mais e mais gente está comprando mais e mais coisas na Internet e as lojas físicas muitas vezes não passam de um showroom. Vamos as lojas físicas para ver, tocar, cheirar e compramos online pelo menor preço, não necessariamente na versão online da loja que visitamos.

Porque será que o comércio virtual não ultrapassou ainda o comércio de rua? Excetuando-se a justificativas surradas – falta de posse de computador / acesso à Internet ou falta de confiança nos sistemas de pagamento / segurança / privacidade – talvez exista uma razão que está no DNA da sociedade de consumo: comprar é um prazer sensorial e comprar na Internet é eminentemente um comportamento racional.

Por isso, o Google, uma ferramenta robotizada, é tão importante para referenciar sites de e-commerce. Por isso, o Facebook, um ambiente de relacionamento, tem pífia participação no referenciamento. Quem quer comprar não procura o Facebook, vai para o Google.

Mas isso evidentemente não significa que para que o comércio eletrônico cresça mais rapidamente, o Google precisa ficar mais sexy ou que o Facebook tenha que ser mais (mais ainda?), digamos, feio.

Significa sim que as iniciativas de e-commerce tem que evoluir sensivelmente na experiência de compra, se pretendem substituir o comércio off-line (mais caro, mais arriscado, etc etc).

Comprar na Internet pode ser muito eficiente, rápido, competente, mas raramente é uma experiência que dá tremedeira consumista, aquele reflexo incontrolável que devasta contas de cartão de crédito.

Uma loja de rua investe muito mais energia para permitir que o consumidor interaja com o produto do que com o check-out. Já uma loja de e-commerce parece investir mais energia na operação comercial. Por melhor que seja a iniciativa de tornar a experiência de compra on-line sexy, perto de uma loja física, parece brincadeira de criança.

A tecnologia de manipulação virtual de produtos em exposição está cada vez mais sofisticada assim como as bandas de acesso a Internet não param de crescer. Mas talvez, para além desse aspecto técnico, faltam duas outras prioridades que podem fazer o comércio eletrônico crescer mais rapidamente.

Uma de natureza filosófica não prioriza, nas lojas virtuais, as inúmeras possibilidades de fazer com que a experiência de compra seja sensorial. O que interessa é levar o comprador para o caixa.

Outra prioridade é o gosto. O bom gosto. O mau gosto estético parece ser uma diretriz na grande maioria das lojas virtuais.

Na Medina de Fès, no Marrocos, as lojas se atropelam umas as outras, ofertando praticamente a mesma mercadoria. O que faz uma pessoa comprar as babuchas de seus sonhos em uma loja em detrimento da outra não é o preço ou o tamanho da fila no caixa. É a experiência de entrar numa caverna de Ali-baba, tomar um chá de hortelã com o dono e ser assaltado por uma profusão pornográfica de estímulos sensoriais. Você queria babuchas e acabou comprando tapetes, copos de vidro, móveis marchetados, lustres coloridos e aquele indispensável suporte de tenda berbere.

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