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A invasão das agências bárbaras

23/03/2011 em Propaganda | Tags: , | 3 Comentários »

Desembarcaram com arrogância disfarçada de compreensão. “Nascer pequeno e morrer grande é chegar a ser homem. Por isso, deu Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura. Para nascer pouca terra, para morrer toda a terra”, disse o padre Antônio Vieira. Lá naqueles idos, Portugal era uma migalha em crise espremida. Quando inventaram o Brasil, a pequena metrópole tornara-se a maior potência.

Na história oculta, os índios viram aportar barbudos fedidos de escorbuto e famintos, com uma só bandeira a empunhar, o saque, e um só álibi – a fingida fé. Deixaram estar e somos todos, hoje, índios fortes que olham, com complacência, o  penico com que acorrem de toda parte a nos pedir.

Inauguram-se, a cada dia, novas iniciativas de todas as bandas, no Brasil mais bola da vez do que nunca. Saúdam nossa simpatia, nossa inteligência, nossa criatividade. Em troca, dão-nos um charme – roto – e uma experiência de sucesso – no Camboja e no Quênia.

Muitas agências novas aportam, esfomeadas, na propaganda também. A toda hora chegam, e todas iguais, dão espelhos e contas aos nativos que nem mais se embasbacam com o pedigree e as filosofias criativas.

Logo percebem que os índios já não são tão puros, e que somos caros. Dão-se conta, também, de que o que nos contam de suas proezas ultramar dá-nos a impressão de guia turístico para marinheiro de primeira viagem. Fazem safáris nas favelas e até suam a camisa em algum maracatu autêntico, mas sabem que a única coisa que realmente nos interessa é que invistam suas economias e piquem a mula pra Argentina.

E o papel do cliente qual é?

31/10/2007 em Sei lá | Tags: , | Deixe um comentário »

A gente discute muito. E é crítico ao extremo. Por isso, o tempo todo abre-se o debate “qual é o papel da agência?” ou “qual é o papel do atendimento, da mídia, da criação, do planejamento?”.

Embora o exercício seja de nobre propósito – melhorar ou usar o rinque para alardear diferenciais – essa inquietação também revela uma fragilidade.

Como as agências estão o tempo todo se “reinventando” ou “inventando moda”, isso pode significar que as estruturas são volúveis, imaturas, frágeis ou ainda “ao gosto do freguês”. Pelo menos aos olhos do observador desavisado ou com segundas intenções.

Agências disso ou daquilo, que trabalham assim ou assado, que desacreditam em tudo e re-acreditam logo depois, também pode parecer que o negócio está em crise constante de posicionamento, personalidade, vocação.

E como a gente fala muito, tem canais para falar e adora um glamour, tudo é dito, repercute, transcende os caldos restritos do nosso próprio fogão. Daí, todo mundo sabe quem fez isso ou aquilo, quem gosta mais daquilo ou daquilo outro, quem ganhou essa ou aquela, quem deu em cima de quem, e quem levou ou não levou. Uma transparente promiscuidade de informação.

O mercado publicitário das agências definitivamente não é o Itamaraty nem o Vaticano. Aqui, cheirou novidade, vira fato. Apontou para um lado, todo mundo fica sabendo. Não há huis clos.

No entanto, e do lado de lá, do lado do nosso cliente, do marketing? Por que tão pouco se discute? Qual é o papel do Marketing? Qual é o nível do Marketing, de seus profissionais? Vá lá que tem um pouco de debate, mas é tão recatado, tão sem sal, sem pimenta e deliciosas mentiras!

Será que rola também mas a gente está mais preocupado em olhar para a nossa deliciosa fogueira?
Ou será que só a gente escancara, expondo nossas vísceras com charme, sem vergonha de ser ridículo mas dando corajosamente a cara pra bater?

Somos bitolados ou masoquistas?