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Mamãe, você acredita em pesquisa?

08/06/2010 em Propaganda | Tags: | 5 Comentários »

O arco-íris é uma cobra maléfica que reside no fundo das águas. Em tempos imemoriais, os índios e os pássaros – ainda semi-humanos – uniram-se para destruí-lo. Tiveram sucesso. Os pássaros fizeram a divisão da carcaça do monstro. E foi assim que os seres alados coloriram-se e cantaram. Os homens celebram a vitória até hoje, ornando-se de penas. Os índios acreditam no mito porque ele está impresso na intuição dos anciãos e, dessa fé, nasce a coragem para enfrentar os espíritos.

Nós acreditamos em Deus, ou no maldito, na ressureição, ou fim de tudo, no pé do homem na Lua, na Guerra do Golfo, no aquecimento global e até em campanhas publicitárias capazes de transformar marcas em ícones sagrados.

Mas duvidamos, sempre, da idade da Terra, da quantidade de mortos nas guerras, do tamanho da camada de ozônio e até da correlação entre preferência de marca e participação de mercado.

A fé não tem dúvidas, a ciência é cheia delas. Ciência e dúvida são vasos comunicantes, porque é da segunda que a primeira se nutre para evoluir.

Desde que a propaganda arvorou-se o mérito de engraxar as economias de mercado, ela careceu de cartas de nobreza, comprobatórias, que elevariam a sua arte aos pícaros da ciência. Assim nasceram as pesquisas, sepultando as crenças, a intuição, a experiência e o colhão.

Para começo de conversa, a gente precisa “sentir o pulso” do consumidor. É analisando seu comportamento, suas ambições, suas repulsas, suas esperanças e reflexos que passamos a acreditar em certos preconceitos. Nossas crenças são todas devidamente mensuradas.

A partir dessa cautelosa observação, monitoramos nossos impulsos, criamos regras e cabrestos para controlar nossa transbordante imaginação, fantasia e criatividade. Nossa intuição deve ser toreada para não trair a ciência.

Então encarceramos os preceitos “descobertos” em metodologias, decalques desavergonhados de outras mais nobres áreas do conhecimento. Assim, o mais neófito dos decorebas – sempre mais barato, mais petulante e mais ingênuo – pode contrariar com veemência a experiência adquirida com muita porrada.

Finalmente, armados até os dentes, seguros pelos números que iremos reportar e que nos servem de escudo contra imprevistos – afinal de contas, seguimos as regras da cavalaria yankee – a gente tem colhão para colocar-nos à prova.

É mais ou menos assim que a propaganda segue, de bravatas em descobertas pseudo-óbvias. A gente crê – sem fé – na propaganda científica.

Mas acreditar não é nada disso. Acreditar não se justifica, não se mede, não se duvida. A crença vem lá de dentro, de uma inefável certeza que brilha nos olhos, faz o sangue ferver e a mente perder o controle.

Quando o pregador subia na montanha e recitava parábolas que moviam multidões, ele não tinha saído de uma sala de pesquisa nem mergulhado em relatórios sem alma. Na elevação vizinha, tinha os donos da lei, os recitadores de preceitos, os estrategistas e os homens de marketing enfastiados de power-points e teias de aranha, gráficos, pirâmides, pizzas e outras representações estéreis. Mas ninguém ligava, eles eram muito chatos.

Mas como é que a gente vence, então, a inércia do briefing? Como é que a gente faz para começar? Sem pesquisa, em geração espontânea, só do umbigo pra fora?

E, depois, como é que convencemos os burocratas? Sem pesquisa, lá da Conchichina, nego não vai entender grande coisa.

Os números são armas poderosas nas mãos dos déspotas e burros. A ciência foi caudatária de todas as tiranias da história. Não é inteligente seguir números e pesquisas. É falta de originalidade, opinião e livre-arbítrio.

Em compensação, se crescemos nas pesquisas como se crê no arco-íris, talvez fôssemos capazes de romper monótonas barreiras. Talvez assim pudéssemos levantar o sonolento consumidor, entretê-lo com aquilo que ele ainda não sabe e não disse nos infindáveis interrogatórios aos quais os submetemos.

Pesquisas deveriam ser acreditadas, e não seguidas.

Artigo originalmente publicado em Meio & Mensagem, edição 07/06/2010

A conclusão da pesquisa é… ou não…

19/03/2010 em Propaganda | Tags: | 3 Comentários »

Ela apareceu, comunicativa e com um sorriso farto que disfarçava-lhe sutil buço oxigenado. Os convivas aboletaram-se à mesa encabeçada por uma reluzente apresentação de pesquisa.

Depois dos preâmbulos de praxe, as conclusões desfilaram, entrecortadas por pitorescas verbalizações.

“A X é muito boa. Sempre compro”  acompanhada de seu inevitável corolário “Não compro nunca. Acho muito ruim. Prefiro a Y”.

No primeiro capítulo das impressões gerais, o cenário é claro: as opiniões estão divididas, e os “por-um-lado-por-outro-lado” suspendem a respiração da platéia.

Aprofunda-se então ponto por ponto, detalhadamente consideram-se as opiniões divergentes, por vezes eloquentes “mas é uma grande porcaria”, por outras tímidas “não tenho opinião formada” ou literárias “deveras inconseqüente opção que me resta se não aquela que por ora se me apresenta levando em conta a baixa estatura de meus proventos mensais”.

Em resumo gráfico, animado e enfático, a mestre de cerimônia que moderou, analisou e conjecturou em longas horas insones o profícuo estudo, declara “para os compradores da X ela é ótima, não resta dúvida. Já para aqueles que preferem a Y, está claro que não gostam de X”. Mas a relativização é inequívoca: “existem diversos motivos para provocar tanto a simpatia dos fiéis consumidores quanto o mau humor dos rejeitadores” e num rompante de ousada solidariedade: “vocês hão de convir que faz sentido, não é mesmo?”.

Finalmente, o aprofundado esclarecimento chega ao fim e encerra-se com motivadora sentença: “Pode-se renovar, mas é importante evitar romper com a categoria sem a oportunidade de um estudo específico. Fim e Obrigado.”

Despertar os consumidores pra quê?

11/03/2010 em Propaganda | Tags: , | 1 Comentário »

A audiência é cândida. Crente.

Mídias de massa pressupõem públicos dispostos a acreditar, sem partis-pris e até bom senso.

O mecanismo da comunicação publicitária nas mídias de massa não privilegia a mensagem mas a forma, nem o impacto mas a repetição.

O efeito da forma – entorpecente, e da repetição – pavloviana, é a desejada adesão, inconsciente, portanto instintiva, a uma marca.

Mas porque somos cartesianos por formação, não sabemos medir os coeficientes inconscientes de convencimento. É por isso que tantas pesquisas medem o supérfluo. Não existe correlações matemáticas no cérebro límbico.

A gente quer achar causa e efeito entre stopping power e absorção de mensagem, entre absorção de mensagem e intenção de compra. A nossa lógica é cristalina: quanto maior o impacto, maior a concentração na mensagem, e quanto mais assertiva a mensagem, clara, simples, verdadeira, maior o convencimento. O consumidor só  desperta se tiver impacto. Se despertou, ouve. Se ouviu, convenceu-se.

Isso é desconhecer, ou esquecer ou desencanar da nossa própria natureza, humana.

Despertar um consumidor significa pedir para ele ligar o tico com o teco, colocar seu “cogito ergo sum” para funcionar. Ele acorda, ouve a mensagem e imediatamente coloca-se em posição de guarda e crítica. O risco é grande dele achar a mensagem boba ou mentirosa, por puro espírito de porco que é como funciona nossa cachola.

Por que será que queremos acordar os consumidores se eles estão afim de madornar?

O consumidor é mentiroso

24/02/2010 em Propaganda | Tags: | 1 Comentário »

A comunicação é a mais desafiadora das missões porque é uma impossibilidade humana. Transformar nossos monólogos esforçados em interação é uma quimera. O discurso, por mais elaborado e preciso, e embora intencionalmente dirigido, não passa de um espelho embaçado.

De que adianta perguntar se a resposta é sempre uma mentira descarada?

A gente pergunta “você gosta?” ou “você concorda?”. E eles respondem com uma única vontade: a de passar adiante. O “sim” ou o “não”, quando muito, são circunstancias e passageiros. E quando elaborados, lá vem aquele monte de resposta óbvia.

Sem falar, claro, da nossa formidável capacidade interpretativa de transformar, adulterar e fantasiar as respostas ao sabor das nossas próprias convicções ou intenções.

As pesquisas são isso aí. Queremos que os caras confirmem nossa crença. Não estamos preparados para confissões.

A gente devia observar mais e interrogar menos. Anotar o que se vê, se sente, se intui e descartar o que se diz.

Esse é o único método.

E através da linguagem expressar o que o mundo nos revela.

Consumidor é uma espécie desgraçada

19/02/2010 em Propaganda | Tags: | 4 Comentários »

Não é fácil gostar de gente. Os outros são tão diferentes, a comunicação é tão difícil e a compreensão tão vaga que lidar com essa massa de humanos que nos cerca é um  calvário por vezes difícil de suportar.

Só que não temos saída, temos que tentar entender e interagir.

Todas as profissões são espécies de terapias de humanização. Algumas menos, algumas mais. E outras demais.

É o caso do cara de comunicação, do publicitário principalmente. A gente está sempre cheirando o sovaco das pessoas e sem nenhuma capacidade de avisar que elas “nos” fedem.

Só podemos observar, e por sobre a constatação – ingrata, dolorosa, injusta, revoltante, decepcionante, abjeta ou no máximo medíocre – achar um jeito de falar com a  turba.

Para facilitar a nossa vida, tem um jeito de conhecê-los mais asséptico, menos comprometedor e livre de contaminações perigosas: as pesquisas que basicamente encarceram esses nossos insuportáveis semelhantes em questionários. Ou então a gente vai se esconder atrás de uma sala de espelho ou do coitado do entrevistador/ moderador (esse daí tem um carma monumental a pagar para ter que suportar essa confrontação diária). Dá um certo alívio, claro.

Apesar de quase inútil – porque a gente nunca se conforma com a baixeza da espécie – esse tipo de pesquisa serve pelo menos para reafirmar a nossa superioridade semi-divina.

O cinismo também é uma defesa. Mas às vezes, é bom despir-se dele.

Por exemplo para dizer que essa maneira de pesquisar é preconceituosa e covarde. Que só tem um verdadeiro jeito de fazer algo que preste nessa nossa profissãozinha: aprender a gostar dos consumidores, conviver com os caras, olhar no olho deles, tocá-los, cheirá-los. Mesmo que eles fedam, como todos nós.

Ah, mas isso é só marketing!

18/02/2010 em Propaganda | Tags: | 2 Comentários »

O cinema que, das artes, é a mais comercial de todas, tem muito que aprender com a gente. Quando muito, fazem lá uns testes de platéia com público “de verdade”. No máximo, fazem uns cortes ou então mandam o diretor colocar uma voz em off para explicar o roteiro. Primitivos, diríamos.

Nós, para míseros 30 segundos, fazemos qualitativas diversas, pré-testes quantitativos com desenhinhos ou filmes prontos, mudamos tudo, colocamos a história de perna pro ar, cortamos sem cerimônia, acrescentamos uma pitada de brand, outra de intenção de compra, e mais uma de lembrança de posicionamento e stopping power. Uma ciência infalível. Temos grana, então dá até para jogar tudo fora e começar de novo. Temos tempo porque planejamos o natal no carnaval, mesmo que o papai Noel venha magrinho ou perdulário.

E a gente dá sempre certo no final porque os resultados dos pós teste, a gente sabe usar a nosso favor: dá-se um copy-paste de prestidigitação na apresentação. Se não rolou o índice certo, a gente mostra o outro, ou inventa um tsunami imprevisível, ou os responsáveis somem do mapa e a culpa era deles.

Do lado do consumidor, sua apreciação daquilo que para nós é tão preciso se resume num entusiasta “ah, é só marketing!”.

A frase é carregada de sentidos. Pode significar aquilo que nós chamamos de “licença publicitária”, ou seja, é o exagero que qualquer mentira bem contada comporta justamente porque é mentira.

Tem também um outro, que é uma espécie de depreciação raivosa: “é marketing dos caras, não dá para acreditar!”.

Finalmente também pode ser seguido de um gesto de “deixa pra lá”.

Mas às vezes o cara se diverte de verdade, comenta, espalha. Essa é a boa propaganda que não é “só marketing”.

É aquela que está no youtube, sem cortes nem enxertos científicos. A propaganda que deixou todas as pesquisas mutiladoras no power-point.

Porque a produção publicitária é tão tosca?

20/01/2010 em Internet, Propaganda | Tags: , , , | 7 Comentários »

Existem poucas histórias. Talvez uma única. Um herói que se dá bem no começo e acaba se dando mau no final. Ou o contrário. E existe uma única estrutura para contá-la: “é assim”, “não é bem assim”, “e ficou assim”. Ou uma baguncinha dessa lógica.

Assim como Haydn criou algumas centenas de sinfonias em apenas 24 tonalidades, 7 notas, 5 linhas na pauta e só duas claves, escreve-se aos borbotões há milênios, e é sempre a mesma coisa. Da bíblia aos panfletos evangélicos, de Boccaccio a Dan Brown, de Montesquieu a Jabor, do Gorila da Cadbury a … cite uma propaganda porcaria, são tantas…

Não se criam histórias novas há milênios, e por isso tenta-se relativizar: é original nessa linguagem, é inovador para essa categoria, é totalmente surpreendente para essa marca.

Quando queremos contar histórias, na televisão ou no cinema, no namoro ou no boteco, na literatura ou na propaganda, a arte está no contar e não na história.

Sofismas à parte, a gente persegue demais a história e de pouco o contar. E contar é “como” e não “o quê”.

Isso tem duas conseqüências desastrosas – pelo menos duas – para a qualidade da nossa propaganda.

A primeira é o calvário paralisante do arsenal de pesquisas que tentam dar colo à insegurança. As pesquisas contam a história para as pessoas em formatos primitivos, animatics, storyboards e outras monstruosidades, nivelando sua capacidade de apreciação abaixo da linha do analfabetismo funcional.

O segundo desastre é a qualidade das produções que são precisamente o coeficiente “contar”. Como a história parece mais importante do que a forma de contá-la, de que vale o acting, a locação, os efeitos, a música?

“Economiza aí que isso não é importante. Faça um filminho vagabundo, desses que tem na Internet que dão milhões de views. O importante é a história”, como se qualidade de produção fosse a mesma coisa que qualidade da imagem, como se os consumidores que perseguimos, ignorantes, pobres e burros presumidos, não se acotovelassem para ver o “Avatar” da vez nos cinemas. Blockbuster com uma história bunda em um contar inebriante.

Pesquisa de comunicação: porque os consumidores são burros, ignorantes e pobres

24/11/2009 em Propaganda | Tags: | 8 Comentários »

Um dos argumentos mais comuns e que colocam em risco sistemático idéias e realizações publicitárias é a preocupação diligente e excessiva com a compreensão da mensagem. Em outras palavras, trata-se do clássico “o consumidor é burro (ou ignorante)” ou de seu corolário classista “o consumidor é pobre”.

As pesquisas preocupam-se em medir essa compreensão de forma superficial, geralmente em pré-testes precipitados. A sentença costuma vir acompanhada de conselhos degradantes para a idéia: “corta aqui, corta ali, troca aqui, troca ali e repita, repita, repita, repita e repita de novo a mensagem”.

A propaganda é a vítima, por vezes masoquista, de um papagaismo gago, um silviosantismo barroco ou apenas preguiça, carreirismo e imediatismo.

A despeito do preconceito travestido de preocupação social, a propaganda amarga de sua própria receita. Acredita-se que a freqüência  (a repetição hiper saturada) é fator de compreensão.

A propaganda é repetitiva na quantidade de inserções, repetitiva de campanha em campanha e repetitiva até na insistência do mesmo argumento filmado, cantado, falado, encenado incessantemente.

Pois compreensão não tem nada a ver com repetição. É óbvio que não. Compreensão tem a ver com envolvimento e concentração. Tem a ver com história bem contada, com linguagem precisa, com qualidade de produção, e claro com idéia.

Repetição tem a ver com razão. Compreensão tem a ver com emoção. E a propaganda é incompetente para convencer as meninges e formidável para tocar o coração.

A menos, é claro, que a gente acredite que a humanidade é composta de ovelhas e que o brasileiro é geneticamente degenerado. A menos que a gente acredite que essa cambada de burros, ignorantes e pobres só aprende na marra e na porrada.

Pelo nível atual do que é aprovado nas pesquisas lobotomizadoras, deve ter muita gente que pensa assim.

Coxinha e circo (por Marcelo Nogueira)

23/10/2009 em Propaganda | Tags: | 8 Comentários »

Ontem, fui a uma pesquisa. Quali, de animatic, para dar nome e sobrenome, dessas em que a gente testa comerciais antes que eles sejam produzidos. Como criativo, é claro que tenho restrições em relação à pesquisa de animatic, assim como à chuva em feriado e ao gene da calvície, mas são realidades com as quais tenho que aprender a conviver do melhor jeito possível.

Há dois pesos e duas medidas numa pesquisa como a que eu presenciei ontem. De um lado, todas as limitações e distorções de se apresentar uma peça de comunicação inacabada (na verdade, um rascunho) num ambiente extraterrestre e inadequado, e do outro, a pretensão de se reproduzir as condições do mundo real.

Como não contamos com a qualidade técnica de um comercial filmado, mostramos um desenho (mal) animado e pedimos que os pesquisados criem mentalmente um filme, com os atores de sua preferência. Como não podemos reproduzir a naturalidade e o conforto de se assistir um comercial no sofá de casa, batemos um papo com o consumidor na sala de pesquisa, servimos coxinha e contamos piadinhas para ele relaxar. Fazemos o que podemos, mas o fato é que nem estamos mostrando um comercial de verdade e nem o consumidor está no sofá de casa. Sabemos disso, nos conformamos com isso.
Acontece que a forma com que apresentamos este comercial de mentira, para pessoas sentadas em sofás-de-casa de mentira foi bem realista. Elas assistiram uma única vez, em trinta segundos, trinta e pouquinhos, para não ser injusto. Em seguida, pedimos seus vereditos.

Se assistir um desenho animado e tranformá-lo mentalmente num comercial de verdade já é tarefa dificílima, fazer isso em trinta e pouquinhos segundos é para gênios. E quanto mais diferente e criativa a idéia, pior, e quanto mais simples e lugar-comum, melhor, afinal, o filme está sendo montado instantaneamente com o banco-de-imagens-conhecidas das mentes das pessoas.

O resultado é que muita gente ali analisou profundamente algo que não entendeu. Falem o que quiserem, é fato. (Por favor, não evoque a lenda da moderadora-que-sabe-ponderar-tudo-isso).

Essa pesquisa foi assim, outras são de outros jeitos, já acompanhei muitas e não sou um especialista no assunto, mas a minha impressão é que uma coisa se repete com frequência: importamos perfeitamente do mundo real apenas a parte ruim, que sem a compensação da parte boa, passa a ser incrivelmente destrutiva.

E se a gente assumisse que não dá para reproduzir o mundo real numa sala de pesquisa e tentasse apenas extrair a opinião de pessoas sobre idéias expostas de um jeito que elas sejam capazes de entender?

Já que não podemos acabar com chuvas em feriado, genes de calvície e pesquisas de animatic, que pelo menos tenhamos guarda-chuva, máquina zero e um pouco mais de bom senso.

Marcelo Nogueira

Nossas pesquisas são bengalas de cego que não quer ver

21/10/2009 em Propaganda | Tags: | 3 Comentários »

Tem uma técnica infalível para encontrar a chave, a carteira, o celular perdidos: concentre-se longamente no objeto, observe-o em todos os detalhes na sua cabeça e depois vá fazer outra coisa bem diferente. Quando você menos esperar – talvez tarde demais – o troço aparece. Só tem duas condições pra essa bruxaria funcionar: a sua capacidade de materializar mentalmente e esquecer logo em seguida. Parece tão simples que nem dá pra acreditar.

Já repararam como a gente – da propaganda – faz pesquisa, estudos, inventa moda? É tanta novidade que às vezes, a gente se diverte mais com isso do que com o produto final.

Ou então – e quase sempre – estamos tão perdidos que saímos tateando como um cego na feira. Nossas bengalas, nossas mãos, são essas pesquisas. Raramente elas nos devolvem a visão mas nos confortam com uma ilusão salvadora.

O problema talvez não esteja nas bengalas (claro que a maioria delas é estúpida, careta, mal conduzida e manipulada, mas disso já deu até preguiça falar) mas no cego.

A gente confia tão pouco na nossa visão (na nossa opinião, na nossa intuição, na nossa vivência, nos nossos reflexos) e acredita tanto no método científico que partimos para os estudos sem saber o que queremos descobrir, confirmar, refutar. Sem hipótese.

O resultado das pesquisas é que formulam as hipóteses, e vamos trabalhar, criar, produzir tão cegos quanto antes, só que auto-iludidos.

Mas quando a gente se pergunta antes “o que diabos quero descobrir?”, começamos cheios de certezas. E isso é bom. Como na técnica da chave perdida: quanto mais detalhada a nossa visão mental, melhor.

O segundo passo é ir a campo e observar (não interrogar para não cair na tentação de orientar nossa presunção hipotética). Observar e esperar uma revelação. Como na técnica: quanto mais esquecermos o que diabos estamos fazendo aqui, melhor. Se não pintar nada na pesquisa – acontece – relaxa, use as certezas iniciais no briefing (as hipóteses). A revelação vem depois – talvez tarde demais – mas vem.

Mais cego que cego é cego que não quer ver.

Pesquisa qualitativa é espiritismo

27/07/2009 em Propaganda | Tags: | Deixe um comentário »

Quando era adolescente, apesar dos alertas místicos da minha mãe, eu adorava fazer a brincadeira espírita. Em volta do copo emborcado, cercado pelas letras do alfabeto, entoávamos, concentrados, “Esprit, es tu lá?” e a entidade rangia respondendo a nossas perguntas.

Certa vez, manifestou-se o avô de um amigo, jazzista famoso, que pediu ao neto para sentar ao piano. O copo bailou em infinitos círculos sobre a mesa. Outra: baixou o espírito do meu tio-avô, em cuja homenagem carrego meu nome. Ele revelou não ter morrido limpando a espingarda, mas suicidando-se em nome de um amor proibido.

Pesquisas qualitativas são sessões espíritas onde a moderadora é o copo, e o espírito esconde-se atrás do espelho.

Se é verdade que esses exercícios são tão previsíveis quanto deseja-se antecipadamente, os consumidores são mentirosos contumazes. Charlatões diplomados, eles vituperam opiniões, concentrados nas coxinhas e na gratificação.

Se as pesquisas qualitativas são um PowerPoint de revelações, elas são um tributo à obviedade, uma demonstração de fé de charlatão, um maldito instrumento de poder e um analgésico da pressão gerencial.

Meu amigo tinha acabado de perder o avô que nunca soube que ele tocava tão bem. Premido pela inocente paixão, eu perguntava-me se a morte era legítima demonstração de amor.

A inocência é filha bastarda da manipulação.

Não brincávamos com o copo para reconciliar-nos com a fé. Antes queríamos a manifestação de nossa vontade reprimida.

Não devemos brincar de pesquisa qualitativa para ver o espírito da verdade apontar o caminho. Antes devemos vê-la como o necessário alívio da nossa intuição.

Pesquisas terráqueas

08/08/2008 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

B55 acabou de cair na Terra, depois de uma meteórica viagem oriunda de Wig, um asteróide muito além da Via Láctea.

O espaço em que aterrissou era reduzido, escuro e desconfortável. Muitos pés balançavam de um lado para o outro embaixo da mesa de reunião, e B55 se desviava penosamente dos chutes.

Quando finalmente encontrou um lugar mais seguro, ele acocorou-se atento às movimentações e às falas.

Lá pelas tantas, B55 sentiu sono e deu uma longa cochilada que só terminou quando Marília agachou-se para apanhar sua bolsa. A reunião tinha terminado.

- Ei, o que é você?
- Eu não sou uma coisa.
- Não? Então quem é você?
- B55, de Wig
- O que faz aqui?
- Vim pesquisar
- Eu sou de pesquisa também.
- Coincidência. E o que você pesquisa?
- Pesquiso os hábitos dos consumidores
- Consumidores?
- Sim, pessoas em geral que potencialmente podem ser nossos clientes
- Entendo. Mas por que você quer saber os seus hábitos?
- Ué, primeiro para encontrá-los.
- Eles se escondem?
- Às vezes, mas nossas ferramentas permitem desentocá-los através de técnicas de sedução.
- Você seduz as pessoas?
- Claro! Com mensagens adequadamente “adressadas”, é possível “clarificar” com muita “sutilidade” e “atenciosidade” os impulsos mais profundos dos nossos targets.
- Ummm. Acho que entendo. A partir dessas pesquisas, vocês encontram as pessoas para falar com elas. Sobre o quê?
- Eu poderia dizer que é sobre as virtudes e atributos de nossas marcas, serviços e produtos, mas já evoluímos.
- Já?
- Muito! Agora não falamos mais das nossas marcas, falamos dos nossos consumidores, sobre o que eles querem, sonham, aspiram, desejam. Somos focados nas emoções dos consumidores.
- Evolução?
- Claro! Antigamente, nós pesquisávamos o DNA das nossas marcas; agora, somos to-tal-men-te centrados no consumidor.
- DNA? Marcas têm DNA, como humanos?
- Têm, mas isso não tem importância mais. Evoluímos.
- Para pesquisar o DNA dos humanos?
- Pode-se dizer que sim, ou se preferir, o DNA das emoções dos consumidores.
- E para que serve isso mesmo?
- Para saber o que dizer para nossos consumidores
- E o que você diz para eles?
- O que eles querem ouvir.
- O que eles querem ouvir?
- Que nós os amamos.
- O que eles querem ouvir?
- Que nós entendemos eles.
- O que eles querem ouvir?
- Que nós existimos para eles, entende?
- O que eles querem ouvir?
- Já falei.
- Mas o que eles querem ouvir?
- Que eles têm que comprar nossas marcas, diabos!
- Agora entendi.
- E você, o que pesquisa?
- Piadas terráqueas para meus amigos. Obrigado!

Ass shield

24/04/2008 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

O que é determinante numa relação agência/anunciante? Será a criatividade? Será a mídia? Será o atendimento? O planejamento? As incursões fora da caixa? As pirações consultivas? A integração das disciplinas, as jujubas e os biscoito de povilho nas reuniões? Ou os intermináveis e anti-diluvianos almoços?

Nada disso. O que é determinante é precisamente a relação. Ou se preferirem, o contrato, o laço na doença e na saúde, na pobreza e na riqueza, até que o divórcio nos separe.

Mesmo que não haja nenhum acordo que garanta uma virtual sociedade, ainda assim, uma agência é – e deve ser, por definição, solidária com os interesses das marcas com as quais trabalha.

Esse é o cimento que nos une.

No entanto, muitos são os outros possíveis contratos entre anunciantes e seus parceiros. Por exemplo a grandiloqüente, vistosa, custosa e como decisiva relação com institutos de pesquisa.

Não é de ontem que esse importante elo que conecta – ou deveria conectar – a realidade do consumidor com a do anunciante e por conseqüente da agência, ganha importâncias estratégicas crescentes, por vezes dogmáticas, transcendentais, onipresentes e potentes.

“Pesquisa, tu é pedra e sobre essa pedra edificarei minha marca”.

A pesquisa briefa e debriefa, a pesquisa conceitua, testa, pré-testa, pos-testa. Recomenda e descarta.

Água benta sagrada e espada inclemente.

E depois de ungir as decisões, cai fora, pica a mula, vira as costas e parte para outros sacramentos.

Enquanto isso, o anunciante e a agência se viram com a sopa de números, as frases de efeito, as verbalizações, as normas. Ajoelham-se no milho e pagam penitência. Afinal, somos solidários. Sofremos e ganhamos juntos. Essa é a relação que nos une.

A equação é simples e de uma lógica elementar.

Supomos – suposição muito suportável – que grande parte das campanhas que estão no ar hoje foram exaustivamente testadas e aprovadas. Na boa, quem afirmaria que, na média, a propaganda que vemos, hoje, é boa? Sem aquelas clássicas respostas de que o que é bom para a gente não é necessariamente bom pro povo (ou pro target), olho no espelho, você com você – ninguém está te ouvindo – anunciante, publicitário, pesquiseiro: você curte, vibra, se emociona, dá risada no break?

E quando tudo foi testado e aprovado mas os resultados esperados não são alcançados, onde diabos se escondeu o instituto que recomendou aquela porcaria que está no ar?

Ah sim, a culpa deve ser da mídia, do atendimento, da criação, dos concorrentes, do governo, da borboleta que bateu asas no Japão.

Pois, se há justiça, que tal se os institutos de pesquisa, de tanto poder que lhes é conferido, compartilhassem conosco – agências e anunciantes – o calvário até o juízo final? Inclusive na remuneração.

A menos, claro, que a pesquisa seja apenas um ass shield para indecisos, covardes ou medíocres. E sabemos que não é – ou não deveria ser.

Pesquisa: ópio do marketing

27/09/2005 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Os grandes generais, comerciantes, legisladores, pensadores e até heróis, lá na Grécia, antes de qualquer batalha, negócio, decisão, hipótese e ato de bravura consultavam as estrelas, os augúrios siderais. Consideravam.

Na origem, considerar (cum + siderare) significava examinar com cuidado e respeito religioso os astros, segundo os princípios da astrologia. Ao pé da letra, estar (em reflexão) com as estrelas. Considerar sobre algo significa ler as estrelas, ler o futuro. Ou, para simplificar, pedir a opinião de Deus.

Pedir a opinião de Deus é rezar. Mas Deus nem sempre responde, aliás, geralmente não responde. Pois as respostas vêm através de sinais, casualidades, arrepios, sonhos. Ou, para simplificar, intuições.

E, para simplificar novamente, no passado ninguém dava um pum sem usar a “intuição positivada através das considerações divinas”.

Até que rolaram grandes coisas com essa ferramenta: por exemplo, os gregos destruíram Tróia, Alexandre conquistou o mundo, Adriano fez a grande Pax Romana.

Pesquisa contra intuição

Hoje muita coisa mudou. Ninguém liga mais para as estrelas, nem para Deus, nem para coisa nenhuma. A intuição é um veneno nefasto. É coisa do demo, de satanás, do “mardito” chifrudo. A intuição leva ao mau caminho.

Do alto das nossas estratégias, nossos modelos estatísticos, nossas teorias marketísticas-propagandistas, a gente substitui a “leitura das estrelas” pelas pesquisas com os consumidores e a intuição, pelo “cagaço conservador”.

Daí, a gente disseca os consumidores, tipifica-os e os encarcera em questionários cartesianos ou salas fedendo a coxinha, tabelas, gráficos, apresentações de power-point e análises recheadas de clichês.

Depois desse monte de científicas certezas, a gente toma decisão: corta aqui, disseca dali, aumenta cá, suaviza acolá. Agora sim, riscos minimizados, vamos arrasar, fazer wow, causar orgasmos consumistas desenfreados: carnificina.

Ou, então, depois desse amontoado de modelos estatísticos, a gente se posiciona: lê tudo, faz de conta ser sério, compenetrado, focado. Agora sim, podemos decidir o que apresentar: o chart que confirma a vaidade, o preconceito ou a opinião politicamente correta. Os demais, contraditórios ou muito ruins, jogo no lixo, desconsidero e omito: mentira.

É para isso que a gente faz pesquisa? Para assassinar idéias ou para transferir autorias? Carnificinas científicas. É para isso que a gente faz pesquisa? Para trapacear ou masturbar o ego? Mentiras científicas.

A gente não dá um pum sem fazer pesquisas. Mas as pesquisas têm, muitas vezes, servido para frustrar ou substituir a intuição. Ao invés de serem missais inspiradores, são catecismos inquisidores.

Vício processual: as metodologias

O primeiro erro da maioria das pesquisas consiste na sua própria liturgia formal. Um erro quântico: a simples observação altera a realidade. O fato de colocar o consumidor como agente “ativo” é uma situação artificial que leva a conclusões artificiais ou mentirosas.

Ainda que se assuma não existir “autenticidade” pura – a vida é uma constante representação – as técnicas de pesquisa de mercado devem ser, ad extremis, neutras, invisíveis, passivas. Quanto mais próximos conseguirmos estar da “espionagem”, mais próximos estaremos da autenticidade ou, no mínimo, da representação menos fabricada que se possa ter do entrevistado.

Epidemia eufórica: sacralizando resultados

Uma vez que a pesquisa de mercado se tornou uma prática rotineira, assusta perceber que é sempre a última em título que está valendo. Ela influencia subliminar, maliciosa e inconscientemente. As conclusões, por mais furtivas, supérfluas ou impertinentes, tornam-se verdades absolutas.

Interpretação: o perigo dos oráculos incompetentes

O maior de todos os erros está na interpretação dos resultados, pois elas se substituem à tomada de decisão. Com as pesquisas, os decisores eximem-se dos riscos e, na pior das configurações, os analistas – externos e independentes – são soberanos nas opções da marca.

Pesquisa é diagnóstico, não é atestado de vacinação.

A menos que aceitemos que o arsenal investigativo (e conclusivo) das pesquisas tem a utilidade esperta de se substituir à capacidade, ao talento, à experiência, à capacidade de tomar decisões: quando as pessoas são ruins e fracas, pelo menos a pesquisa impede o desastre.

Pesquisa: insumo da intuição

Mas pesquisa é insumo da inteligência e não inteligência em si. Não é ferramenta, é matéria prima de marketing.

É vital quando somos capazes de transcender as regras e os cabrestos, quando é para:

- Considerar, conectar-se. Pesquisa é uma religião no sentido etimológico da palavra: religar-se com o consumidor.

- Inspirar, nutrir a intuição. Pesquisa é para iniciados. Não é para heréticos, ignorantes ou despreparados que se barricam atrás de pseudociências.

- Batizar e comprovar. Pesquisa é para dizer, lá na frente: “Viu como deu certo?” ou “Viu como deu errado?” Pesquisa não é censura e não é para bundões.

Pesquisa é profissão de fé, e não auto-de-fé.

Se você acredita em pesquisas, não leia.

23/07/2002 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

A redação teve acesso confidencial ao diálogo eletrônico entre duas eminentes personalidades. Por força da privacidade dos indíviduos, manteremos seus nomes no anonimato. O debate é obviamente cifrado mas as conclusões são surpreendentes.

Senhor X (18:35 PM) : Meu Deus! Acabei de fazer uma descoberta incrível com a pesquisa: quem tem umbigo saltado para fora tem mais probabilidade de ser homossexual ou bissexual.

Senhor Y (18:35 PM) : Que loucura é essa?

Senhor X (18:36 PM) : É o resultado da pesquisa. Estou fazendo os cruzamentos e percebi que uma porcentagem bem maior dos que responderam que são homossexuais ou bissexuais têm o umbigo para fora.

Senhor Y (18:38 PM) : E qual seria explicação? Será que existe um ponto de comunicação entre o anus e o buraco do umbigo?

Senhor X (18:39 PM) : Pode ser. O umbigo para fora dá um efeito gravitacional que incomoda o anus (um vácuo), causando uma incrível vontade de preencher esse espaço.

Senhor Y (18:40 PM) : Eu diria que, ao introduzir, o membro no anus, o umbigo tem que sair para fora e dar espaço.

Senhor X (18:40 PM) : humm, bem pensado, mas aí não quer dizer que a probalidade de quem tem o umbigo para fora será homossexual e sim que todo homossexual tem o umbigo para fora porque o membro de alguém empurrou.

Senhor Y (18:42 PM) : Mas a ordem do produto não altera a conclusão da pesquisa: se a maioria dos homossexuais tem umbigo para fora, é sinal que a teoria é válida. Para aqueles da amostra que não se enquadram na categoria de umbigo para fora mas são homossexuais, a conclusão é de que eles não são passivos ou que o membro do amante é pequeno.
Senhor X (18:43 PM) : Pode ser. Mas então eu tenho que inverter a conclusão: ao invés de dizer que quem tem umbigo para fora tem maior probabilidade de ser homossexual, tenho que dizer que todo homossexual tem maior probabilidade de ter o umbigo para fora.

Senhor Y (18:45 PM) : isso…

Senhor X (18:46 PM) : As pesquisas são reveladoras. E quando sérias, como a nossa, bombásticas.

Senhor Y (18:48 PM) : Quando dizemos que uma pessoa só olha para o próprio umbigo, estamos subentendendo que ela é homossexual?

Senhor X (18:49 PM) : É possível.

Senhor Y (18:50 PM) : E aquela frase “mais por fora que umbigo de índio”

Senhor X (18:50 PM) : Índio é promiscuo, todo mundo sabe.

Senhor Y (18:50 PM) : Está explicado porque estão em extinção.

Senhor X (18:50 PM) : É, creio que esse deve ser o principal motivo.

Senhor Y (18:51 PM) : Enfim encontramos uma utilidade para o umbigo!

Senhor X (18:51 PM) : É verdade.

Senhor Y (18:51 PM) : Ele é um identificador de homossexualismo. Como aquele termômetro do peru da sadia. Aliás, agora entendo também porque chamamos o membro masculino de peru.

Senhor X (18:52 PM): Quando a pesquisa será publicada?

Senhor Y (18:52 PM): Amanhã, darei uma coletiva de divulgação dos resultados.

Senhor X (18:52): Essa informação constará no relatório?

Senhor Y (18:52): É claro que não. Pesquisas não são feitas para causar surpresas. Elas devem confirmar o que todo mundo já sabe. Iremos omitir essa informação.

Senhor X (18:52): Entendo.

Senhor Y (18:52): Até logo.

Senhor X (18:53): Até.