Este blog está de férias e, claro, os bad hair days também. Voltamos em breve.
Artigos na categoria ‘Uncategorized’
O preconceito da imprensa arrasta correntes para sempre
25/05/2010 em Uncategorized | Tags: Imprensa | 1 Comentário »Céline foi um grande escritor francês do século XX. Em sua prosa quase sem pontuação, como um grito de um sopro só, ele revolucionou a literatura francesa ainda muito presa ao formalismo acadêmico. Nada prenuncia na sua poética, no entanto, que ele é o autor dos mais asquerosos libelos antissemitas. No pós-guerra naturalmente revanchista, ele, como outros grandes nomes das artes francesas, foram julgados e inocentados de todas as acusações. Delito de opinião não é delito legal, nem penal.
Céline foi um grande autor e um porco nojento: poucos ainda o leem, apesar de sua dimensão artística inquestionável.
A literatura, assim como a imprensa, pode cometer, ou melhor, assumir, seus delitos de opinião, sem consequências. A arte, num caso, ou a investigação imparcial, em outro, funcionam como escudos antiaderentes. Em nome da “arte” podem-se ousar posições. Em nome do trato da liberdade de expressão, podem-se tomar partidos galhardos.
Ademais, opiniões não são enunciados matemáticos. As interpretações é que enunciam. Uma mesma afirmação pode parecer branco para uns, preto para outros. Ainda mais quando elas são acobertadas por referências eruditas (na literatura) ou fontes fidedignas (na imprensa).
Mas a passagem do tempo é severa com os delitos de opinião. Nessa perspectiva, o perdão é difícil, principalmente no caso da opinião jornalística que se arvora, pretensiosamente, de uma espécie de construção da história, no calor do fato.
O jornalismo preconceituoso, ainda que possa ser (dificilmente) tolerado no presente, é um fantasma, no futuro. Uma vergonha para as gerações futuras.
Celular é pornográfico
06/04/2010 em Uncategorized | Tags: Celular, Reuniao | 1 Comentário »Numa aldeia do alto Xingu, o garoto era muito danado. Mal educado mesmo, isto é, se educação para os índios fosse um treino compulsório.
O indigenista alarmado com a aparente complacência do pai, pergunta:
- Por que você não diz a ele o que está certo e o que está errado?
O pai, calmo e óbvio:
- Por que ele não perguntou nada. Quando perguntar, respondo.
A gente é amestrado desde pequeno. A comer de boca fechada, não apoiar os cotovelos na mesa, não falar de bochecha cheia, não deixar comida no prato, cruzar os talheres no final e pedir licença para levantar. Não sabemos para que serve, nem nunca nos deram nenhuma explicação, só que era assim e pronto.
Se numa mesa de reunião houvesse pratos, seríamos uns lords. Mas na falta deles, somos uns porcos.
Madame Poços Leitão daria dar saltos mortais se visse os assassinatos da civilidade que acometem nossas reuniões.
Começa pela pontualidade, um conceito vago, muito vago, e contra o qual usam-se os mais diversos álibis, alguns práticos (o trânsito por exemplo) e outros psicológicos (os fodões se fazem esperar).
Segue pela liturgia caótica, pelo ritual tosco. Não há ordem para falar, nem para sentar ou sair. Participa quem quer e quem não quer, interrompe-se sem benção, conversa-se em paralelo, e tem até quem coça a planta do pé, palita o dente, ajeita a calcinha e respira o sovaco.
Mas os piores são os amolegadores de celular. Isso já não é mais uma questão de educação. O onanismo sonoro, vibratório e de dedo é um atentado ao pudor.
Deu no Google
10/03/2010 em Uncategorized | Tags: Google, Informação, Mídia | Deixe um comentário »- Você soube?
- Soube o quê?
- Ué, mas você está muito desinformado. A Suécia afundou.
- Afundou
- Sim, afundou.
- Nossa!
- Alô?
- Oi, tudo bem?
- Mais ou menos né?
- Como mais ou menos?
- Fiquei arrasado. A Gina morreu?
- Quem é Gina?
- Não sei, mas fiquei mau.
- Oi, e aí?
- Aqui nada e aí?
- Aqui só essa notícia incrível.
- Qual?
- Bom, parece mesmo que o homem caiu.
- Caiu!
- Caiu!
- Como você soube?
- Você não lê o Google? Deu no Google!
O exército francês, na segunda guerra mundial, ainda tinha cavalaria e garbosos soldados de penacho e roupa vistosa. Do outro lado, os tanques dos alemães, nem fum com os ridículos gauleses. “Esses franceses estão brigando com quem? Com os palhaços do circo?”
Está na hora de descobrir qual é a maior marca de informação, de INFORMAÇÃO do planeta. Não duvidaria nada que fosse: “o Google, né, mané?!”










