Big-bang

Dizem que um dia o mundo vai entrar em colapso. Gente de mais, recursos de pouco. Trânsito de mais, vias de pouco. Atividades de mais, tempo de pouco. Informação de mais, mente de pouco.

Isso seria verdade se negássemos a velocidade astronômica das expansões: das populações, do espaço, da riqueza, da expectativa de vida, dos recordes olímpicos, da maturidade das crianças. Cada vez mais gente no mundo; cada vez mais espaços ocupados ou fragmentados; cada vez mais velhos morremos; cada olimpíada é mais veloz, forte e bela e minha sobrinha de 5 anos já sabe biológica e sexualmente como se faz um bebê.

Isso talvez fosse verdade também, se não gostássemos de forma infinita de coisas novas, experiências novas, pessoas novas. Se não quiséssemos saber mais sobre tudo. E se o tudo que conhecemos sobre tudo não fosse tão pouco. E se o tudo não fosse ele mesmo infinito.

A expansão é condição da existência. Quando deixamos de expandir, deixamos de viver. Quando uma pessoa deixa de ter curiosidade, deixa de querer mais, saber mais, sentir, mais e sofrer mais, ela está morta. Como o universo. Que cresce até não mais poder. Há bilhões.

E se é assim com o universo, porque seria diferente com o armário? Com os baús esquecidos, com as sucatas que colecionamos, os enredos de inutilidades que nos cercam?

Não é culpa do cartão de crédito se estouramos decentes limites. Melhor acharmos desculpas para a incontrolável compulsão consumista.
Culpa do operário da China, do bicho de seda anabolizado, do aquecimento global que apavora as estações, dos publicitários que conspurcam a sobriedade, de Chanel, Balenciaga, Prada, Margiela e Tom Ford de volta, só nos faltava essa. Culpa da Apple, da Guerra do Iraque, do Tsunami, do planeta Chupão, da receita de Prozac vencida.

Se existe uma abjeta perversidade na desigualdade do mundo, se poucos acumulam enquanto muitos desesperam, a culpa não é do meu closet.

A culpa não é nem do hiperconsumismo nem do hipercomunismo.

Acreditemos no “ganha ganha”. No esforço de integração, nas pontes de mão dupla que fazem o dinheiro daqui circular ali, do outro lado do apartheid social.

Acreditemos que há inspiração aqui e ali, há vida inteligente, criativa, próspera e ambiciosa em todo canto.

Acreditemos na expansão.

Contração é sinônimo de envelhecimento, preconceito, caretice, censura, permanência e tradição.

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