Consumidor é uma espécie desgraçada

Não é fácil gostar de gente. Os outros são tão diferentes, a comunicação é tão difícil e a compreensão tão vaga que lidar com essa massa de humanos que nos cerca é um  calvário por vezes difícil de suportar.

Só que não temos saída, temos que tentar entender e interagir.

Todas as profissões são espécies de terapias de humanização. Algumas menos, algumas mais. E outras demais.

É o caso do cara de comunicação, do publicitário principalmente. A gente está sempre cheirando o sovaco das pessoas e sem nenhuma capacidade de avisar que elas “nos” fedem.

Só podemos observar, e por sobre a constatação – ingrata, dolorosa, injusta, revoltante, decepcionante, abjeta ou no máximo medíocre – achar um jeito de falar com a  turba.

Para facilitar a nossa vida, tem um jeito de conhecê-los mais asséptico, menos comprometedor e livre de contaminações perigosas: as pesquisas que basicamente encarceram esses nossos insuportáveis semelhantes em questionários. Ou então a gente vai se esconder atrás de uma sala de espelho ou do coitado do entrevistador/ moderador (esse daí tem um carma monumental a pagar para ter que suportar essa confrontação diária). Dá um certo alívio, claro.

Apesar de quase inútil – porque a gente nunca se conforma com a baixeza da espécie – esse tipo de pesquisa serve pelo menos para reafirmar a nossa superioridade semi-divina.

O cinismo também é uma defesa. Mas às vezes, é bom despir-se dele.

Por exemplo para dizer que essa maneira de pesquisar é preconceituosa e covarde. Que só tem um verdadeiro jeito de fazer algo que preste nessa nossa profissãozinha: aprender a gostar dos consumidores, conviver com os caras, olhar no olho deles, tocá-los, cheirá-los. Mesmo que eles fedam, como todos nós.

4 thoughts on “Consumidor é uma espécie desgraçada

  1. Cara seus textos são muito bacanas, parabéns!
    Ultimamente parece que está meio de saco cheio das pesquisas…será?
    Acho que basicamente elas não funcionam pq assim como na internet as pessoas mostram o que querem ser e não o que são de verdade…

  2. Acho que esse buraco é bem mais embaixo do que pesquisa, viu, Eduardo. Eu botaria “festivais” nesse mesmo balaio, por exemplo. Mas aí o papo vai longe…

  3. Ave Maria Fernand, que mal humor!

    …turba, fedem, ingrata, covarde, decepcionante, abjeta, revoltante… que jeito de falar!

    vou te levar no acupunturista.

  4. considerando que bem é o contrário de mal e bom de mau, considere então seu mau humor!

    ou corrija quando for postar

    Ave Maria Mário, que ignorancia!

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