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No Caboré, vote na F/Nazca

A F/Nazca nasceu de um encontro tempestuoso. A ambição do encontro entre a melhor propaganda e a maior relevância. O sonho de encontrar a maior criatividade com os melhores resultados. Arrojo e pragmatismo. Renovação e legado. Ideal de marca e ideal de vendas. Ambiente de trabalho e trabalho. Amigos e profissionais. Clientes e amigos. Prazer e suor. Dinheiro e valores.

A F/Nazca é pretensiosa e inocente, teimosa e aberta, emburrada e alegre.

Pretensiosa para não abrir mão do impossível, inocente para não duvidar das evidências. Teimosa para não renunciar a convicções e aberta para não ser precoce nos julgamentos. Emburrada para não perder a classe e alegre para não perder a piada.

A F/Nazca acredita na largada e duvida no processo. Duvida, duvida e duvida até acreditar de novo.

Na F/NAzca, acreditamos no briefing, na marca, no consumidor. Só na largada porque depois duvidamos do foco, dos valores, do target. Duvidamos de nós mesmos. Até duvidar da dúvida e acreditar sem dúvida.

Se você ainda tem dúvida de qual agência será honrada pelo seu voto no Caboré 2010, relaxa, é porque você já acreditou na gente.

Improviso vale mais que trabalho

Cultura é uma palavra difícil. Mas a sua definição mais  comum é discriminatória. Não existe cultura sem “descultura”, só existe “culto” se houver “inculto”. Cultura  não tem conotação negativa. Cultura é elevação. É sublimação. É idealização.

Um seringal da Malásia, ordenado e produtivo, é uma cultura. A floresta amazônica com suas seringueiras esparsas não são culturas. Os seringais do Brasil são acidentais, improváveis, dados. Cultura é premeditação, planejamento, organização, técnica, método.

Cultura tem valor. Dom, não.

Os caras que se mataram para trazer pedra do fim do mundo e ergueram as pirâmides no meio do deserto tinham uma cultura. O índio, que cata as penas da arara e espeta num cocar, não tem cultura.

Quem rala tem valor. Bumbum pra lua, nem.

Se só cultura tem valor, então só cultura tem preço. O resto, o que vem de Deus, é de graça.

Mas não é nada disso.

Preço não é fator de esforço, mas de demanda. Vale quanto pedem, e não quanto pesa. Vale o que troca, e não o que usa. Por isso inventaram a cultura de massa, a popular, aquela que emana do dom divino com ou sem ralação. E a cultura de massa ganhou preço e valor.

A outra, aquela do sangue, suor e ouriço, danou-se. Perdeu valor porque não tem regra econômica que a justifique. Não vale mais nada.

O fatalismo é uma merda.

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O preconceito da imprensa arrasta correntes para sempre

Céline foi um grande escritor francês do século XX. Em sua prosa quase sem pontuação, como um grito de um sopro só, ele revolucionou a literatura francesa ainda muito presa ao formalismo acadêmico. Nada prenuncia na sua poética, no entanto, que ele é o autor dos mais asquerosos libelos antissemitas. No pós-guerra naturalmente revanchista, ele, como outros grandes nomes das artes francesas, foram julgados e inocentados de todas as acusações. Delito de opinião não é delito legal, nem penal.

Céline foi um grande autor e um porco nojento: poucos ainda o leem, apesar de sua dimensão artística inquestionável.

A literatura, assim como a imprensa, pode cometer, ou melhor, assumir, seus delitos de opinião, sem consequências. A arte, num caso, ou a investigação imparcial, em outro, funcionam como escudos antiaderentes. Em nome da “arte” podem-se ousar posições. Em nome do trato da liberdade de expressão, podem-se tomar partidos galhardos.

Ademais, opiniões não são enunciados matemáticos. As interpretações é que enunciam. Uma mesma afirmação pode parecer branco para uns, preto para outros. Ainda mais quando elas são acobertadas por referências eruditas (na literatura) ou fontes fidedignas (na imprensa).

Mas a passagem do tempo é severa com os delitos de opinião. Nessa perspectiva, o perdão é difícil, principalmente no caso da opinião jornalística que se arvora, pretensiosamente, de uma espécie de construção da história, no calor do fato.

O jornalismo preconceituoso, ainda que possa ser (dificilmente) tolerado no presente, é um fantasma, no futuro. Uma vergonha para as gerações futuras.

Celular é pornográfico

Numa aldeia do alto Xingu, o garoto era muito danado. Mal educado mesmo, isto é, se educação para os índios fosse um treino compulsório.

O indigenista alarmado com a aparente complacência do pai, pergunta:

– Por que você não diz a ele o que está certo e o que está errado?

O pai, calmo e óbvio:

– Por que ele não perguntou nada. Quando perguntar, respondo.

A gente é amestrado desde pequeno. A comer de boca fechada, não apoiar os cotovelos na mesa, não falar de bochecha cheia, não deixar comida no prato, cruzar os talheres no final e pedir licença para levantar. Não sabemos para que serve, nem nunca nos deram nenhuma explicação, só que era assim e pronto.

Se numa mesa de reunião houvesse pratos, seríamos uns lords. Mas na falta deles, somos uns porcos.

Madame Poços Leitão daria dar saltos mortais se visse os assassinatos da civilidade que acometem nossas reuniões.

Começa pela pontualidade, um conceito vago, muito vago, e contra o qual usam-se os mais diversos álibis, alguns práticos (o trânsito por exemplo) e outros psicológicos (os fodões se fazem esperar).

Segue pela liturgia caótica, pelo ritual tosco. Não há ordem para falar, nem para sentar ou sair. Participa quem quer e quem não quer, interrompe-se sem benção, conversa-se em paralelo, e tem até quem coça a planta do pé, palita o dente, ajeita a calcinha e respira o sovaco.

Mas os piores são os amolegadores de celular. Isso já não é mais uma questão de educação. O onanismo sonoro, vibratório e de dedo é um atentado ao pudor.

Deu no Google

– Você soube?
– Soube o quê?
– Ué, mas você está muito desinformado. A Suécia afundou.
– Afundou
– Sim, afundou.
– Nossa!

– Alô?
– Oi, tudo bem?
– Mais ou menos né?
– Como mais ou menos?
– Fiquei arrasado. A Gina morreu?
– Quem é Gina?
– Não sei, mas fiquei mau.

– Oi, e aí?
– Aqui nada e aí?
– Aqui só essa notícia incrível.
– Qual?
– Bom, parece mesmo que o homem caiu.
– Caiu!
– Caiu!
– Como você soube?
– Você não lê o Google? Deu no Google!

O exército francês, na segunda guerra mundial, ainda tinha cavalaria e garbosos soldados de penacho e roupa vistosa. Do outro lado, os tanques dos alemães, nem fum com os ridículos gauleses. “Esses franceses estão brigando com quem? Com os palhaços do circo?”

Está na hora de descobrir qual é a maior marca de informação, de INFORMAÇÃO do planeta. Não duvidaria nada que fosse: “o Google, né, mané?!”