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Internet, start-up´s e propaganda.

20/03/2000 em Sei lá | Tags: , | Deixe um comentário »

É demente imaginar que em um país com 3 a 4 milhões de pessoas conectadas à Internet mais de 7% de todos os investimentos publicitários na Rede Globo em Janeiro de 2000 e 8% na Editora Abril, sejam feitos por empresas ligadas à Web (5% do total do investimento publicitário nas mídias Revista, TV e Jornal).

É mais demente ainda pensar que a receita destas empresas se equipara, quando muito, à de uma pizzaria ou posto de gasolina.

Isso sem falar da montanha de dinheiro para aquisições, investimentos de infra-estrutura, compra de mão de obra inflacionada, etc e tal.

O que está acontecendo exatamente? Está sobrando dinheiro ou entusiasmo? Histeria coletiva, corrida de diligência ou agressividade calculada?

Não importa muito analisar os argumentos pseudo-racionais que justificam tanta grana em circulação. Ficaríamos assustados com a simplicidade das motivações.

Mas se olharmos apenas para o fenômeno, sem conjecturas mirabolantes e proféticas, é simples de entender: estão todos correndo contra o relógio, comprando a parca clientela a preço de ouro e alimentando as expectativas especulativas dos investidores numa espécie de furacão lissérgico.

O raciocínio é mais ou menos o seguinte: “tenho uma grana que os investidores disponibilizaram. Meu desafio é, em X dias, colocar para dentro do site Y pessoas cadastradas, ter Z páginas vistas ou mostrar o barulho na mídia para os investidores. Se eu alcançar essas metas, eles liberam mais com uma nova meta. E assim sucessivamente num toma-lá-da-cá danado.”

É uma pressão terrível que só tem uma saída: investir muito em publicidade (e pouco no produto/serviço/site). Ou, investir antes em publicidade (e depois no produto/serviço/site).

Aí, precipitação de um lado, correria do outro e o resultado é uma propaganda de péssima qualidade, afoita, sem conceito pra cá e um site ruim, feio, desapontador, com falhas de segurança, navegação, conteúdo, pra lá.

Nem é preciso exemplificar, basta abrir uma revista ou assistir a TV e em seguida correr para o computador para acessar a promessa. Tédio aqui, frustração ali.

Outra: quem falou que ônibus e taxi são efetivos para uma empresa “dot.com”? Duvido que algum profissional de mídia seja capaz de justificar tecnicamente essa escolha. É a chamada tática de mídia “Maria vai com as outras”. Ou chute, precipitação.

Exceções existem, claro, raras e louváveis.

Agora, será que alguém duvida que os tais investidores são pessoas com os pés bem fincados no chão e que estão querendo ver, lá na frente, resultados concretos?

Alguém duvida que os internautas, os consumidores, são pessoas que não têm absolutamente nada a ver com essa lógica sem lógica?

Tudo em nome de um mito que ganhou uma importância inacreditável: o mito do “tenho que ser o primeiro, entrar antes da concorrência”. Quase um vale tudo. É o mito da Amazon, é claro. Mas, quem pode afirmar que ela foi a primeira livraria virtual do planeta? Não foi. O sucesso da Amazon não pode ser creditado unicamente ao seu pioneirismo. Isto é uma visão tacanha e superficial da realidade. O que fez a Amazon foi sua proposta totalmente original, com um serviço a cada dia melhor e mais completo, conteúdo de alto nível, variedade de oferta, preço, etc, etc, etc. Basta ser um pouco mais calejado nesse mercado para lembrar-se de uma quantidade enorme de iniciativas igualmente pioneiras na Web que simplesmente desapareceram. Quem se lembra do Pointcast, Marimba, Bezerk, Firefly, Onlive, Palace, Vice and Virtues, Alphaworld, Pathfinder, The Well e mais um sem número de lojas web afora? Foram os primeiros, todos falavam deles e de repente, hocus pocus, sumiram, foram vendidos, incorporados ou descontinuados. Idéias que atraíram investidores numa primeira/segunda/ terceira rodada e só.

Mas e aquela pergunta óbvia: quem está ganhando agora com este frenesi? Os internautas? Não muito. Os investidores? Ainda não. Os tocadores de diligência? Só salários e promessas. As produtoras? Trabalho e stress. Sabem quem? Os veículos de comunicação e as agências de propaganda.

Daí uma conclusão simples: estas empresas “ponto com” estão nas mãos da mídia (a velha principalmente) e das agências de propaganda. Se as campanhas fizerem com que as metas sejam alcançadas, uma graninha nova aparece. Menos mau. Senão, bye bye. Isto no curtíssimo prazo.

Clientes “dot com” são mais voláteis e infiéis com suas agências que o público internauta que pretendem atingir. Investidores “dot com” idem.

Aí, fica valendo aquela coisa mais velha que a mídia velha: construção de imagem e fidelização do cliente. Para construir uma imagem, você precisa de uma boa agência de propaganda. Para fidelizar um cliente, um excelente serviço.

Não basta ser o primeiro a ser lançado, o primeiro a anunciar. Isto é uma contingência do mercado? OK, vamos nessa, mas isso é pouco. Tem que haver posicionamento, mensagem coerente e simples, conceito. Em outras palavras, tem que ser propaganda, a boa propaganda.

Porque senão, sabe esse monte de dinheiro que você está investindo (se você for um investidor) e esse monte de dinheiro que você está gastando (se você for um tocador de diligência)? Sabe essa empresa que vai fazer de você um milionário “ponto com”? Bye bye até nunca mais.

Histeria não faz história

13/12/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Outro dia, fiquei intrigado com a declaração de um executivo cyber: “nós privelegiamos a agilidade em detrimento da qualidade”. É a primeira vez que vejo uma declaração tão honesta e esclarecedora sobre uma certa maneira de fazer negócios online no Brasil.

Honesta porque ejaculação precoce é uma doença e não uma opção.

Esclarecedora porque é reveladora sobre a origem e os objetivos desse tipo de iniciativa.

Entender, a gente sempre entende. Difícil mesmo é, como usuário e cliente, aprovar.

Diante da alucinada e patológica histeria que está sitiando todas as iniciativas online no país (e aqui, nos Estados Unidos, é muito pior), o tempo parece ser o único e implacável inimigo. Os outros: a concorrência, o produto, o serviço, o atendimento, o relacionamento….isso fica para depois, quem sabe um dia, depois do IPO.

Mas parece que esqueceram-se que o cliente não faz a menor idéia e não tem o menor interesse em saber que tal e qual serviço online foi feito nas galés, com ameaças de pelourinho e tudo por enlouquecidos profissionais motivados por promessas milionárias, quem sabe um dia, depois do IPO. Melhor dizendo, o usuário é muito mais pragmático do que esses senhores. Ele não vira cliente assim com tanta facilidade. Se o serviço é ruim, lento ou caro, bye bye quem sabe um dia, depois do IPO.

Iludem-se esses IPO boys ao achar que a agilidade do lançamento do site garante o sucesso. Ora, desde que o mundo é mundo e a Web é Web, é a idéia, a grande idéia que move o mundo. A Amazon foi uma grande idéia. Não é mais. Foi, para Jeff Bezos, não para as centenas de caçadores de IPO que copiaram o modelo amazonico.

E aí, fico aqui me perguntando o que levaria um executivo a afirmar que não procura qualidade mas agilidade? Pois eu acho que o cliente não está nem aí para a agilidade. Ele quer qualidade, sempre qualidade, acima de tudo qualidade. Inclusive na agilidade do pedido, do atendimento, da entrega. Mas não é essa a agilidade que interessa os moços do IPO. Claro. É a agilidade de tentar provar ao capital ocioso de Wall Street que esse negócio de Web no Brasil dá certo. Enquanto é tempo.

Tomara que isso não dê o maior barraco lá na frente e que as idéias, as boas e criativas idéias não sejam atropeladas por tanta pressa. Quem sabe o Kama Sutra, destaque de venda do referido site, não seja uma leitura básica para começar a entender que a pressa é inimiga da arte do sexo.

Exercício de des-abstração. Internet? Não fazemos.

29/10/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

- Bom dia Seu Fábio. Ouvi muito falar da sua empresa. Eu gostaria de convidá-lo a participar de um processo de seleção que nossa organização está iniciando visando escolher o parceiro ideal para liderar nossas ações de comunicação. Eu apenas gostaria de lhe perguntar se a sua empresa também faz criação?
- Hã, como?
- Isso, criação, e também mídia, planejamento, pesquisa, essas coisas da propaganda, o Senhor entende?

Surreal não é mesmo? Agora, façam o seguinte: substituam por exemplo as palavras grifadas por webvertising, programação, webdesign, arquitetura de informação, Internet.

Assim:

- Eu apenas gostaria de lhe perguntar se a sua empresa faz Internet?
- Hã, como?
- Isso, Internet, e também webvertising, programação, webdesign, arquitetura de informação, essas coisas da Internet, o Senhor entende?

Nada de surreal agora. Pior. A frase ficou quase tão comum que já está ficando chata. Mas o interessante é que a primeira é tão sem sentido quanto a segunda.

Para muita gente, a Internet ainda é uma nebulosa abstrata, na qual trafegam, com isonomia, uma fauna de cyberloucos, psicodélicos, visionários, profetas, gafanhotos e outros bichos. Mas deixemos, por ora, o embate psico-social de lado. Minha idéia é menos ambiciosa e apaixonante: como é que as empresas estão reagindo à invasão venusiana da data-esfera (sic)?

Numa tentativa de tipificação, existem no Brasil 4 tipos de reação padrão:

1) Internet, hã?
Essas são aquelas gigantonas engessadas há décadas em pólices de comunicação castradoras. Para elas a Internet é uma bactéria trazida por alienígenas que está contaminando as populações de forma exponencial. Para elas portanto, o assunto Internet é um caso de saúde pública e não de comunicação.

2) Internet, sei!
Essas são outras igualmente atrofiadas na sua capacidade de aceitar e entender mudanças. A diferença aqui é que as tais pólices de comunicação são cabrestos mais soltos e que estimulam o papel exploratório dos funcionários. Mas exploratório não significa opinativo e muito menos decisório. Para essas empresas a regra é o parti pris chupado de algum manual ou revista de vulgarização pseudo científica, pseudo neurolinguística. Citando: “Internet é a nível de processo, sinergias e reengenharias, o futuro, a democracia, a grande revolução. Internet, acredito muito nela. Viva a cibernética”. Após o discurso inflamado, a Internet volta a ser aquele assunto chato de nerd.

3) Internet, vejamos…
Aqui, temos empresas mais ousadas e em processo endêmico de reestruturação, ebulição e interrogação. Essas são aquelas organizações esfuziantes, cheias de idéias e com alto índice de amor à camisa. Para essas, Internet é o que ela é de fato, uma grande bagunça, uma enorme promessa e uma membrana fascinante. Aqui, via de regra, estamos sempre inventando, refazendo, questionando. Nessas empresas, a regra é a insatisfação com os resultados “ah, essa cenoura que nunca chega”. Organizações desse tipo ainda estão estudando e para elas a Web não sai muito da esfera da comunicação. Ainda não enxergaram a rede com seu potencial de reinventar o seu negócio.

4) Internet, ufa!
Posto que estamos sempre nos referindo a grandes corporações, é extremamente difícil encontrar esse tipo de atitude frente à Web, com exceção de algumas empresas de tecnologia ou outras dot com companies. Falo do Brasil claro. Por razões óbvias, essas empresas sacaram a Web como um enorme potencial de criar marcas, serviços, fidelização, consumidores e dinheiro. Para elas, Internet não é um assunto, tampouco tema de uma matéria. Internet é o ambiente no qual respiram. Alguém aqui já pensou em fazer uma matéria dirigida a um público de marketólogos e marketeiros que fala de oxigênio, ozônio e gases poluentes. É certo que não.

Empresas do tipo “hã” devem aposentar seus dirigentes. Não há tempo para reciclá-los. Jurássicos demais.

Para as “sei”, quem sabe a lobotomia seria mais indicada porque não existe nada mais irritante do que essa presunção medieval.

Os “vejamos” vão ler essa matéria e enlouquecer imediatamente suas equipes em intermináveis reuniões apocalípticas.

Já os “ufistas”, cuja capacidade de absorção de novas idéias é imediata e intuitiva, sequer vão ler essa matéria. Eles não têm tempo a perder com o passado, só o presente lhes pertence.

E quem discutirá o futuro?

Ora, a fauna de cyberloucos, psicodélicos, visionários, profetas, gafanhotos e outros bichos. Deus os proteja.

A histeria do virtual.

25/09/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Lembro-me que no ínicio, sempre que o assunto da mesa ao lado era Internet, eu levantava a orelha, aguçava o olfato e gesticulava impaciente como se o assunto me dissesse respeito diretamente. E mais, eu geralmente ficava indócil com o teor generalista das conversas. Ou pior, quando o assunto era temperado com irritantes faits divers do tipo hacker invade o pentágono ou dona de casa ingênua é seduzida por garanhão safado da Internet, eu me desesperava com o destino estúpido da humanidade. A cada instante me dava aquela irresistível vontade de levantar da mesa e desmascarar os safados. Afinal de contas estavam mexendo com a minha Internet. Que atrevimento! Isso para não falar dos bacanudos arrotando frases aleatórias colhidas fora de contexto nesses manuais de auto ajuda que abarrotam as bancas de jornais todas as semanas.

Agora o fenômeno se reproduz estranhamente e às avessas. O assunto virou onipresente. Em todas as rodas, vira e mexe, fala se da Web. Podemos dizer que vencemos os céticos. Mas de uma arrogância preconceituosa pulamos num piscar de olhos a um outro tipo de prepotência igualmente irritante. Falo evidentemente deste upgrade repentino que os garagistas pioneiros sofreram na hora em que todos as luzes e todos os focos se voltaram para eles e suas idéias precursoras. E quando falo de luzes, estou me referindo obviamente a dinheiro.

Sabem aquela história do pé rapado que ganha na loteria esportiva e compra um tanque de ouro para sua esposa lavadeira? Pois então, como vocês bem sabem, o dinheiro é cego, surdo e mudo. Mas é também extremamente exigente. Agora ele chove aos borbotões e molha a campina seca e fértil. Mas o sertanejo sabe que não adianta plantar nestas rajadas generosas dos céus porque o sol volta logo e o milho verdinho aborta suas espigas.

Mas o primeiro impulso é quase irresistível: alçar-se ao pedestal dos predestinados, fazer pouco caso dos conselhos e da experiência e sair atirando para todos os lados. Poucos se dão conta que existe savoir faire além da Internet. Poucos humildemente reconhecem que nem tudo é tão diferente e novo na data esfera.

Porque se é verdade que uma boa idéia germina e cresce rapidamente neste novo cenário, a concorrência também é infinitamente maior. Isso para não dizer que praticamente não existe mais segredos. Copiar e fazer melhor é baba. Boas idéias viram commodities rapidamente sem pudores e não me toques.

Quem sabe o valor, o verdadeiro valor de um negócio dot com esteja muito além da idéia?

Porque se é verdade que hoje está muito mais fácil encontrar dinheiro aparentemente fácil para iniciativas na web, devemos nos lembrar que o dinheiro é o mais volátil dos combustíveis.

Quem sabe o verdadeiro valor de um negócio dot com esteja muito além do dinheiro?

Então se não é a pioneira idéia tampouco os generosos recursos, o que uma empresa dot com deve perseguir a todo custo?

Quem sabe não devessemos esquecer os complexos do começo e baixar a crista do momento presente e pensar um pouco na importância da construção de uma marca.

Quem sabe o valor de um negócio, com com ou sem com, não esteja diretamente ligado ao calor da marca?

E como é que se constrói uma marca? Com comunicação planejada e criativa, ou alguém duvida dessa assertiva? E não se faz planejamento e criação afoitamente. Comunicação integrada e inteligente não se faz à doidivana. Nem no mundo físico, nem no virtual, nem no transcendental.

O Yin e o Yan dos meios.

26/05/1999 em Sei lá | Tags: , | Deixe um comentário »

As vezes me preocupa um pouco aquele discurso que já virou lugar comum: a mídia Internet é interativa e a TV é passiva. Essa afirmação é óbvia mas nem sempre nos perguntamos o porque da diferença. Preferimos aceitar essa máxima como dogma.

Mas queria sugerir alguns pontos que longe de procurar respostas pretende tão somente acordar o debate.

O ambiente: passividade, interatividade ou atividade on demand?

Interatividade na minha concepção significa “ação com participação”. Em outras palavras, é uma ação do agente com participação inteligente do objeto. Interatividade significa no limite que não há objeto, apenas agentes. Gosto da metáfora do vírus. Sem portador, ele não tem vida. É quase um mineral. No entanto, quando encontra um agente, passa a ter vida, reproduzir-se da interação com o agente. E aqui, cabe definir a fronteira entre o que é interatividade e on-demand. Definitivamente, os dois conceitos são distintos. On-demand é a TV. Eu clico, ela acende. Eu zapeio, ela troca de canal. Ou, on-demand é a maioria ainda do que se vê na Web hoje. Clico num hipertexto, ele me dá a matéria que pedi. Só isso.

Já interatividade sugere que há inteligência do lado de lá da interface, seja ela uma inteligência pré programada como em um game, seja ela humana como em um chat. O exemplo máximo de interatividade que podemos imaginar hoje são experiências de imersão na interface.

A Web é muito útil pois ela automatiza e multiplica a capacidade de entrega on-demand de conteúdos. Mas a Web só é revolucionária quando consegue ser interativa, coisa que jamais a TV ou as outras mídias passivas podem ou poderão ser.

Os agentes: espectadores ou expectadores?

Em uma mídia passiva não temos usuários, temos espectadores, ou seja pessoas que assistem. Está caracterizada, através do público a vocação das ditas mídias passivas: ele não quer nada, ele assiste. O querer, a gente pesquisa, mas não mudamos on demand. Os programas “interativos” da TV, os “você decide” são o máximo de interatividade que se pode alcançar nessa mídia. Assim mesmo, o que vemos é uma simulação de participação, uma vez que a saída é sempre escolher pela maioria das respostas e não dar a resposta que pedi e quero. A eterna lógica do mínimo denominador comum, pensamento chave das mídias de massa, novamente abafa qualquer tentativa de tornar interativa a mídia.

Já na mídia dita interativa, não temos espectadores e sim expectadores ou seja pessoas que esperam. Aqui, igualmente, está sacrementado o objetivo máximo e ideal dessas mídias para o público: ele quer escolher (on-demand) e idealmentemente interagir.

A Web é extremamente competente para atender expectadores e ainda muito primária para espectadores. Espectadores procuram emoção, sensação, pulsos inconscientes. Na Web isso ainda é tecnologicamente impossível. No entanto, na mídia passiva, expectadores são e serão sempre frustrados. Aí está o nicho da Web que ainda devemos aprender a explorar.

Tendência: de que convergência estamos falando?

Durante décadas, a mídia passiva reinou soberana. Eis que surge um obstáculo dialético: a Internet. E agora falam em convergência. Convergência de quê? Dos devices, dos meios de transmissão, concordo, vamos nessa. Mas convergência dos conceitos não. Não ainda. Cabe-nos entender ainda que somos seres passivos, absorventes, negativos tanto quanto ativos, expansivos, positivos.

A mídia deve ser igualmente passiva e ativa, fêmea e macho, sol e lua, Yin e Yan.

Os Exús da rede.

05/05/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Ele está nas encruzilhadas, nas porteiras, nas carrancas. Mensageiro dos orixás, ele é o abre-caminhos. Os orixás não se revelam assim à toa, mas com Exú é tudo mais fácil, mais rápido e mais à mão. Mas se Exú assusta os mais comportados, ele também é o Hermes do panteão grego ou São Pedro do altar católico. Já na membrana digital, na Internet, ele tem outro nome e se chama Portal.

E porque a primeira pergunta do internauta neófito é sempre “por onde começo”, e porque há uma necessidade urgente de justificar investimentos, e principalmente porque todo mundo parece que tem sempre as mesmas idéias, pipocam aqui e ali mais e mais portais na Internet brasileira. Nas encruzilhadas, onde esperam-se placas cheias de setas, eis que surgem bibliotecas, shopping-centers, parques temáticos, complexos hoteleiros, e também singapuras, favelas e mangues crivados de palafitas. Agora, o pior, é que todos tem a mesma cara ou melhor, a mesma falta de cara.

Se tentarmos entender o que é um portal, podemos dizer que é um enorme site de um provedor de acesso ou um provedor de acesso de um enorme site que tem por objetivo indireto de guiar o internauta em sua navegação pela rede e o direto de tornar-se um media site.

Nada mais equivocado do que chamá-los de portais porquanto não são entradas para a Internet e sim cárceres de conteúdos. Onde lê-se entrada para a Internet, deveria entender-se saída e onde vê-se cárceres de conteúdos, subentende-se cárcere do internauta. Um portal deveria portanto ser uma saída para a Internet e tornou-se um cárcere do internauta.

Quando falo de saída para a Internet penso particularmente no que é de fato essa nervura de bits. Não há lógica na Internet, não há ordem nem tampouco principio e fim. Há sim um conceito que se limita a ser um fluxo livre de informações, um espaço sem dimensões nem tempo, no qual o indivíduo é livre para transitar, armazenar e construir. É isso a Internet. E não tentemos organizar esse magma porque ele é por principio gerador anárquico e nisso está sua força. Um portal tem por missão sair de um espaço solitário para um universo povoado das mais variadas experiências.

E quando falo em prisão, vejam a lógica: o provedor de acesso configura o browser de forma a ter a sua Home Page como página default do mesmo. Então, enxergando nisso um potencial enorme de comercialização de espaço publicitário, a idéia é resolver a navegação do seu cliente naquele site ou portal. Então, ele persegue conteúdos mais e mais atraentes que aprisionem o internauta. De repente ele resolve não mais somente cobrar pelo acesso mas também pelo conteúdo. Está configurado a intenção carcerária.

Do ponto de vista prático, o que vemos hoje e particularmente nas últimas semanas é um pipocar maluco de iniciativas paralelas de portelização da Web brasileira. UOL, ZAZ, Starmedia/IBM, MSN, Zip.net, Yahoo, AOL, sem falar em todos os sites “portais” dos provedores de acesso se engalfinhando atrás de um público/audiência crescente, é certo, mais ainda parca.

Mas isso nem é o mais importante. O mais estranho nisso tudo é o fato dessa explosão estar em desproporção diante de uma certa lógica da Internet que se quer multi-faceteda, focada e customizada.

Não fosse apenas pelo fato de estarem canibalizando-se uns aos outros, os mau chamados portais não tem caráter nem tampouco parecem ser administráveis.

Talvez eles sejam um mau necessário. Talvez? não, com certeza, pois foram e são a força que propulsiona a Internet como mídia. Mas em sua própria lógica inserem-se as sementes de seu fim ou se preferirem, transformação, transformação essa que passa necessariamente por um processo de pulverização de seus conteúdos/audiências.

Mas quando vejo os veículos de comunicação, os verdadeiros donos da informação aglutinando-se, vide prostituindo-se vergonhosamente nesses cárceres, fico preocupado com o nosso negócio publicitário. A mídia volta a ser comprada por audiência, quantidade de público e adiamos a chance de buscar qualidade e eficiência.

Bolhas de sabão em webcity.

28/04/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Meu Deus do céu o que foi aquilo, ontem à noite, aquela entrega do Oscar (não riam!) da Internet brasileira?

Não quero entrar em polêmicas e discutir se esse ou aquele prêmio foi ou não merecido.

Acho que, em grandes linhas, foram premiados os melhores dentre aqueles que concorriam. O que não necessariamente significa que sejam os melhores da Internet brasileira.

Também não ficaram tão aparentes aqueles favoviritismos óbvios dos anos anteriores. Tampouco apareceram aqueles prêmios de armário à la Sofia Loren/A vida é bela. O mesmo para aqueles clássicos favorecimentos comerciais. O que não necessariamente significa que estes “pequenos deslizes éticos” não tenham rolado.

Digamos, para resumir, que tudo estava mais bem organizado. Ano a ano, as derrapadas são menos grosseiras. O que não necessariamente significa que não continuem acontecendo.

Mas sejamos honestos. Valeu pelo esforço nobre de valorização da Web no Brasil. O que não necessariamente significa que seja tão nobre assim.

Mas o que vale discutir é se um concurso megalomaníaco como esse, com critérios de julgamento vagos e pouco valorizados é útil ou um mar de sabão que se desmancha na primeira sopradinha.

Para que tanta pompa se os profissionais ralam como condenados, remunerados por uma rara moeda: o entusiasmo?

Para que tanto provincianismo quando estamos falando com e para pessoas conectadas e antenadas com outros discursos, outros padrões de comparação e valorização de resultados concretos e mensuráveis?

Para que iludir o cliente glamourizando um peixe que veio para responder a uma clamor preciso e por que não dizer pertubador dos consumidores, leitores, enfim, das pessoas e não para valorizar arroubos hedonísticos?

Então lembro-me daquelas bolas amarelas distribuídas no final da festa do Ibest 99. Bolhas de sabão. Muita espuma para pouco sabão. Ou melhor, muita espuma para um mau sabão.

O dervixe e os web-designers.

20/01/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Um dervixe reputado por sua sabedoria e paciência, qualidades raramente encontradas em uma mesma pessoa o que o tornava particularmente venerado, foi procurado por três web-designers, excitados e impacientes, qualidades muito encontradas nessa categoria de gente, o que faz delas pessoas especialmente irritantes, ainda mais para um contemplativo e sorridente ser de Luz.

Os três aventureiros aproximaram-se de Al Web Sabiah, esse era o nome do dervixe, e perguntaram:

- Al Web, você que muito sabe e muito tem para dar, diga-nos como alcançarmos o sucesso.

O dervixe, coçou pacientemente a omoplata direita e disse:

- A resposta a essa pergunta deverá ser individual, intransferível e vai exigir de vocês grandes sacrifícios.

Todos aceitaram em únissono, gritando e pulando como loucos, o que fez Al Web franzir o cenho e coçar o terceiro artelho esquerdo.

Acontece que os três compadres eram tão diferentes em intenções e saber quanto podem ser três caroços de uma mesma romã.

O primeiro Al Uno era sonhador e mentiroso. O segundo, Al Duo, por sua vez, pragmático e chato. Já Al Trio, o terceiro, era cuidadoso e medroso.

O dervixe, que já havia perdido todos os dentes de tanto morder em caroços de romã, particularmente naquela salada Fatouche do Arábia da Hadock Lobo, sabia muito bem com quem estava lidando.

Disse então Al Web para Al Uno:

- Você vai para além da transcaucasiana. Lá, você vai encontrar uma terra inóspita mas povoada de ingênuos e dóceis índios. O sucesso está lá, mas cuidado. Mentira é como leite de cabra, coalha rápido e quando coalha dá uma dor de barriga!

Para Al Duo, Al Web não poupou tampouco conselhos e disse:

- Al Duo, você vai para lá das montanhas Kut-u-Khan. Lá, você vai encontrar gente muito rica e generosa. O sucesso vai sorrir-lhe. Mas toda atenção é pouca. A caverna de tesouros, não aceita desaforos.

E a Al Trio, o mais jovem, disse o dervixe, já cansado de tanto esticar a mosca de sua barba venerável:

- Al Trio, se você quiser sucesso, você deverá ir para o deserto de Mob-id-Ikh. Lá você não vai encontrar ninguém. Ninguém para roubar-te as tâmaras da viagem. Mas, meu filho, preste atenção às cobras, às cobras, às cobras. Muito cuidado com as cobras.

O dervixe, pediu para ficar a sós e voltou-se para suas rugas cavadas em um movimento de extrema concentração meditativa ou se preferirem, sono profundo.

Os meninos foram-se ainda transtornados com os conselhos do sábio. Transtornados não. Amedrontados. Apavorados.

Al Uno partiu para a Transcaucasia e mentiu tanto, tanto e tanto que acabou contratado como bobo da côrte em Petrogrado pelo grande Czar onde fez carreira.

Al Duo, em sua montanha, roubou, roubou, mas roubou tanto que sua fama ultrapassou fronteiras e ele foi mandado buscar por Abu Pim Pol, rei da Tailandia, para um projeto meio astrônomico meio faraônico.

Al Trio, coitado, ficou lá no deserto e foi mordido por uma cobra.

E assim é contada a história em muitas feiras e caravansarás da Ásia menor. Muitos analistas modernos conseguiram identificar naquelas figuras os grandes arquétipos do homem:

O sonhador mentiroso porque nada combina mais com o sonho do que a mentira já que o sonho é sonho e só merece ser sonhado, não vivido.

O pragmático mala porque a vida sem sonho é muito chata e não merece ser vivida.

O medroso porque o medo não vale a pena. Nem na vida, nem no sonho.

A saída? Acredite, estava lá, na mensagem do presidente!

07/01/1999 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Primeiro foi assim: cantaram que a Internet era o que ligava. Desesperanças de fim de milênio, falta de grandes causas, morosidade. Talvez. Ou então, efemérides, o stress da informação, overdoses diárias. O fato é que todos embarcaram na onda, sem nenhuma preocupação com a nota falsa, o acorde troncho. Mas quem tinha o diapasão estava em outra praia mais rentável. Portanto o canal era plantar a barraca na praia, fazer um montinho na areia e esperar. Isso foi legal durante um bom tempo. Mas a ressaca já passou.

Está mesmo na hora de colocar alguns pingos nos seus respectivos.

No começo da barraquinha, os sites institucionais eram brochurewares. Tinha lá aquelas coisas que só interessam a quem se interessam por elas, com o perdão do pleonasmo. Mas lá estava, lá estava a reveladora, a profética, a bem aventurada “mensagem do presidente da companhia”.

Mas aí, foi tão fácil, tão fácil, tão fácil e barato, que alguns resolveram inventar. E aí, inventaram comunidades, conteúdos dinâmicos, discursos interativos e todo o resto que sabemos. Só que esqueçeram-se de verificar, lá na brochureware o que o presidente dizia: “qual é o core business da empresa?, qual à missão? o foco?” E aí, neguinho começou a desafinar feio.

Explico-me melhor.

Falando de conteúdo. Quais são as empresas cuja vocação é de dar conteúdo, informação? Os veículos de comunicação, certo? Certo. Agora, por que diabos uma marca de absorventes vai resolver falar da condição feminina? Sim, sim, porque tem a ver. Claro que tem. Mas qual é a vocação da empresa? Dissertar sobre a condição feminina ou estudar o volume do fluxo mensal da mulher? Ora, ora, daí a César o que é de César! E por que uma mulher iria acreditar ou confiar na visão da condição feminina que sua marca de absorvente lhe dá? Ora, ela com razão vai preferir a visão da Camile Paglia ou da Rita Cadillac e elas vão com certeza preferir falar desse assunto em veículo de comunicação, não é mesmo? Dá mais holofote, ora! Então, a regra é: Conteúdo, OK, mas apenas e apenas aquele que é da minha competência dar.

Falando de comunidade. Minha marca suscita algum tipo de ligação visceral com o consumidor? Vocês conhecem alguma mulher que resolve fazer uma tatuagem de sua marca de absorvente? Seria no mínimo original, o gerente de marketing pode até pensar em lançar a moda, fazer uma promoção e tal e coisa, mas ele vai ser chamado de lunático. Agora, por que vocês acham que a garota vai entrar em uma comunidade de usuárias de absorventes da marca X? Pra quê? Ora, ora, essas aí, vão procurar sites cuja vocação é de criar essas tais comunidades não é mesmo? Então, desista mano, de achar que sua marca é o objeto do desejo de todos os consumidores. Porque afinal de contas quantas Harley Davidson você conhece?

E por aí vai. Mas a moral dessa história é a seguinte: Que tal pararmos de querer inventar a roda? Que tal lermos a mensagem do presidente?

E que tal acreditar na Internet como mídia? Quero vincular a marca do meu absorvente à condição feminina? Então, vou atrás dos sites que tratam desse assunto e pronto, invisto minha grana lá! Simples não? Quero que as minhas consumidoras usem tatuagem de absorvente? Vou lá nas comunidades que existem aos borbotões na Web e lanço a moda anunciando a minha promoção.

É que agora, a praia é outra. A web cresceu, sofisticou-se. O internauta também. A Internet não é mais uma mídia alternativa. É de circunstância integrar as estratégias de comunicação. O diapasão que dá o tom chama-se estratégia, negócio, pesquisa e criação. Plantar sua barraquinha e inventar a roda não interessa mais a ninguém.

Internet, pra quê?

08/10/1998 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

O que existe de mais fascinante na Web comercial é sem dúvida o fato de estarmos sempre exercitando as meninges, o dedilhado e o gogó à caça de soluções que raramente encontram paralelos.

Porque sempre que queremos pensar em comunidades cibernéticas, acusam-nos de neo-românticos. Se falamos que ela é content oriented, somos megalôs. Se dizemos que ela é Mídia, irão tratar-nos de estraga prazer.

Então. É sobre essas três visões que eu gostaria de raciocinar e propor uma leitura pretenciosamente histórica sobre a utilização da Web comercial.

Comunity, comunity, comunity.

A Web era uma terra de corajosos idealistas. Corajosos porque as ferramentas eram toscas e os resultados incertos. Idealistas porque a perspectiva de torná-la rentável, quimérica. Nasceu nas BBS, no IRC, nos Moos, lá longe no tempo e no espaço. De neguinho pra neguinho, broder to broder.

Um montão de comunidades nasceu e morreu. Era legal. Foi legal.

E aí, chegou o carinha mais wired de uma mega marca e resolveu catar umas migalhas no budget pra investir na web. Na ora, bingo, “O que liga é comunidade, mano!”

Tudo quanto era marca famosona resolveu entrar nessa onda. Era uma tal de comunidade de sabonete, comunidade de pasta de dentes, comunidade de chocolate em pó. Uma farra mesmo.

Era sempre assim, quer ver?

A gente entrava nesse universo e já de cara perguntavam pra gente a música que mais curtíamos, o prato que mais traçávamos, nossa marca de bola de gudes, rolemã ou sutiã. Pronto. Que lindo. A turma ia se encontrar ali, naquele paraíso comunitário e curtir momentos lindos patrocinados pela generosa multinacional.

Mas algo aconteceu, porque nem as mais festejadas comunidades sobreviveram ou se renovaram. E hoje, ninguém mais se orgulha de pertencer a esses universos. Ninguém mais tem saco para preencher aqueles formulários chatos que vão alimentar ridículos bancos de dados inúteis de usuários minguados de uma grande marca de consumo de massa.

Nessas comunidades, faltou anonimato. Faltou também sacar que o broder que entrava nelas não vestia a camisa daqueles produtos.

Os projetos soçobraram por falta de público.

Content, content, nothing but content.

E depois, ficou claro que parecia muito fácil na Web dar conteúdo. Assim nasceram a era dos Soap Opera sites. A Web comercial estava começando e poucas iniciativas profissionais de veículos de comunicação pareciam preocupar-se em criar

Quanto menor o Custo Por Mil, Menor a taxa de Click Through.

23/09/1998 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Quando acesso os mais famosos e festejados sites portais e provedores de conteúdo da Internet brasileira, estou na ladeira General Osório em véspera de Natal. É o camelô de notícias internacionais berrando as taras aborescentes do presidente yankee pra cá, o red-scare que ataca novamente na Rússia pra lá, a festa neo-renascentista de uma revista emergente, o último e indispensável lançamento da última e indispensável feira da cidade, sem falar do zumzumzum infernal dos banners competindo em sensacionalismo e mal gosto. Luto para encontrar aquela cotação do dólar que estava querendo, não sem antes tropeçar em meia dúzia de indigentes, depauperados e apavorantes conteúdos. Isso quando não resolvem desfragmentar a página e aquele meu linkezinho que eu clicava sem olhar, ali, no canto inferior da página foi parar sabe Deus e o Webmaster da página aonde.

Aí, inventaram uma tal de customização nada menos apavorante. Monto o meu site como quero com as informações organizadas do meu jeito. Arapuca dos diabos. Caramba, querem ensinar arquitetura de informação pro meu pai a essa altura do campeonato? Logo ele que fica doente cada vez que o jornal que ele lê faz mais de 40 anos resolve dar aquela modernizada!

Conteúdo de baciada, no atacado. Você entra pra comprar salsinha e sai com 5 melancias e oito pacotes de fraldas descartáveis.

Então, se para o consumidor, é esse mercado persa, o que dizer do coitado do anunciante a quem todos dizem que ele deve investir na web e coisa e tal?

Onde é que o anunciante vai amarrar seu burro, digo, seu banner?

Não ensinaram pra gente que a Web pode ser one to one e segmentada? Foco de míope esse que nos vendem por aí!

Mas afinal de contas esses tais de sites provedores de conteúdo são mídia de massa, segmentada ou uma salada de alho poró com abobrinha?

Outro dia, fiz um cálculo curioso. Somem, com os valores de tabela, todos os banners de qualquer site-veículo importante. Somaram? Então, que tal? Ridículo não é? OK, ainda tem muito espaço publicitário nos quartos e quintos níveis? Multipliquem por dois então. Continua ridículo não continua?

Tem algo de errado não tem? Como ganham dinheiro esses gajos? E quem disse que o anunciante vai querer pagar algo pelo quinto ou sexto nível? E nos primeiros níveis, tem espaço? Não tem muitos não. Se criarem algum, só se inventarem banners com meios Ks. E leva porrada o primeiro que disser que dá pra criar banner criativo de meio K.

Mas eu fico obviamente preocupado. E se continuar essa bagunça, daqui a pouco, vão popularizar-se aqui também aqueles malditos ad-filters que capam fora dos sites qualquer banner comercial. Eu até instalaria um desses softwares de tão convenientes que eles são se eu não trabalhasse com o que trabalho.

Click through ou o buraco é mais embaixo.

Solucionar essas questões tão importantes passam por um mix de saídas do lado do veículo.

De um lado o esqueleto (estrutura) e a musculatura (forma) do conteúdo devem mudar. Falo de fragmentar e dar identidades a eles. Só assim será possível oferecer ao anunciante alternativas inteligentes e segmentadas de anúncios. Só assim, será possível rentabilizar os veículos.

Por outro, a formatação dos espaços publicitários deve mudar e para isso, basta ser criativo ou ler o que os media broker (Double Click por exemplo) oferecem. O profissional de mídia em poucos anos vai sem dúvida nenhuma assumir uma importância capital. Sua competência técnica vai ser valorizada mas principalmente sua capacidade criativa.

De fato, os sites portais estão numa sinuca antropofágica. Em sua ânsia de busca por conteúdo desenfreado para justificar seus argumentos de remuneração publicitária (custo por mil), eles incham, incham, incham, os espaços minguam, minguam, minguam e os anunciantes idem, idem, idem.

Webabel ou 1.275 maneiras de enlouquecer um Web Developer.

27/08/1998 em Sei lá | Tags: | Deixe um comentário »

Seu micro roda Windows 3.1, 95, 98, Irix, Solaris, Linux ou Mac OS? Tem um processador Intel, Alpha, Risc, Power PC ou 64 K? E seu Browser? É um Explorer ou Netscape? Sua versão é 2, 3 ou 4? Qual o idioma do seu sistema operacional? E o idioma do seu Browser? Que plug ins você instalou no seu micro? O Flash 2 ou 3, o Real, o G2, o VDO, o Shockwave, o Cosmo Player, Quick Time VR? E o service pack do seu sistema operacional é o 1, o 2 ou o 3? E o do seu Browser? Quais as linguagens que seu site favorito usa? HTML? DHTML pra Netscape? DHTML pra Explorer? Javascript? Que versão de JavaScript? 1.0, 1.1, 1.2? E que comandos de Javascript? Java Applets? VRML? VBScript? Jscript? CSS?

Ah, ia esquecendo! Tem algum Fire Wall na sua rede? Você tem um administrador de rede com síndrome de perseguição? Seu provedor está bem humorado? Seu Caps Lock está ligado? Choveu na Bahia ontem? O Vasco ganhou do Barcelona? E a velocidade do batimento de asas das borboletas japonesas? E a equação do fractal de Benoit Mandelbrot?

Bom, é mais ou menos nisso que um Web Developer tem que pensar na hora que está planejando um site. Isso obviamente depois de ter avaliado quem será o público que irá visitar o site, qual o conceito criativo da interface e dos textos, a arquitetura da informação, etc, etc, etc.

Três modelos de atitudes são então tomadas como praxis do ofício.

Ao primeiro deles chamaremos de reducionista e consiste em escolher alqueles padrões que coincidem em todas as plataformas, sistemas operacionais, browsers e toda a parafernália. Esta é mais ou menos a opção que foi adotada quando a lógica da Internet foi criada, um milhão de web years atrás. HTML simples e bobo.

O segundo, que eufemisticamente chamaremos de inspirado (no sentido daquela inspiração que se faz pela boca e com sucção) significa sair surfando por aí, catar um monte de códigos de programação, modificar seus parâmetros e copiar para o seu site. Nada de errado nisso, atenção! É apenas um procedimento (aliás, dos mais comuns e que fazem da Internet uma ferramenta que cresce com a velocidade procriadora de um roedor). Esta técnica é legal também porque parte-se do pressuposto que se foi implementado aquele aplicativo naquele site, é aceitável supor que foi testado em outros microcosmos plataformas/browsers/plug-ins/linguagem. Portanto, não precisamos quebrar a cuca em testar.

O terceiro, que por fim, chamaremos de quebracuca, é aquele que consiste em testar em 1.275 micros, com todas as opções possíveis da equação do começo deste artigo, e desenvolver um site com formas de indentificação automática de cada uma delas. Isso também passa por um período de testes de aproximadamente 24 horas por linha de código do programa, ou seja, algumas décadas. Mas isso não adianta nada porque mais ou menos a cada 24 horas um maluco lá do Vale do Silício inventa um fator multiplicador de nossas 1.275 alternativas. Outra saída também quebracuca é de fazer uma seleção natural de configurações e simplesmente ignorar algumas em benefício da saúde do Web Developers. O terceiro caminho também é aquele que quebra paradigmas, impõe novos modelos, revoluciona a maior de todas as revoluções e faz babar o mundo.

Padrões ou tradutores universais na Webabel, não existem, não estão perto de existir e talvez nunca venham a existir. Vá dormir com um barulho desses!